Autoridade vaticana nega uso de dinheiro da caridade papal em negócios imobiliários

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20 Fevereiro 2020

O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, negou as acusações de que o dinheiro destinado a ajudar os pobres foi usado para investir em um acordo imobiliário em Londres.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Catholic News Service, 18-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto

Durante uma apresentação de livro em Roma, no dia 17 de fevereiro, Becciu disse que as acusações de que ele usou dinheiro da coleta anual do Óbolo de São Pedro para o investimento “me fizeram sofrer”.

“Quero negar isso, porque não usamos esse dinheiro”, disse ele. “O Óbolo de São Pedro não foi usado para fins especulativos, não foi afetado. Fez-se um investimento. Era uma boa oportunidade, pela qual muitas pessoas nos invejam hoje, e, com o Brexit, o valor do imóvel triplicou”.

Becciu atuou como secretário substituto para Assuntos Gerais na Secretaria de Estado vaticana – um trabalho semelhante a um chefe de gabinete – de 2011 a 2018.

Histórias sobre o envolvimento de Becciu no investimento da propriedade de Londres foram publicadas logo após o anúncio de que a polícia vaticana havia invadido escritórios da Secretaria de Estado e do escritório de supervisão financeira do Vaticano no início de outubro.

No dia seguinte, a revista italiana L’Espresso publicou um aviso interno e documentos vazados, alegando que a invasão fazia parte de uma investigação vaticana sobre como a Secretaria de Estado usou 200 milhões de dólares para financiar um projeto de desenvolvimento imobiliário no distrito de Chelsea, em Londres, em 2014.

De acordo com os documentos vazados, a Secretaria de Estado do Vaticano acabou comprando uma participação majoritária na propriedade londrina em 2018 e incorreu em dívidas a partir do acordo.

Na apresentação do livro, Becciu disse ter falado com o Papa Francisco sobre o investimento imobiliário e que, no fim, “o papa decidirá se ele deve ser mantido ou vendido, mas não há perdas”.

Ele também repetiu a sua defesa da compra, dizendo que fazer investimentos imobiliários em Roma e no exterior é uma prática comum do Vaticano.

Embora o dinheiro dos pobres tenha ficado intocado e até “tenha ganhado juros”, Becciu disse que a coleta anual do Óbolo de São Pedro “não nasceu para os pobres”, mas sim para “ajudar o papa na administração das estruturas e na sua atividade caritativa”.

De acordo com o seu site, as doações para o Óbolo de São Pedro – uma coleta feita anualmente no dia 29 de junho ou em torno disso, em dioceses em todo o mundo – são usadas para “sustentar também materialmente, com aquilo que se pode, a obra de evangelização e, ao mesmo tempo, socorrer os pobres”.

Embora as doações do Óbolo de São Pedro sejam usadas para ajudar os pobres, o Vaticano sempre disse que a coleta também financia a Cúria Romana, ou seja, os escritórios designados para ajudar o papa a exercer a sua missão de governar a Igreja universal.

A operação de outubro também fazia parte da investigação de cinco pessoas, incluindo Tomasso Di Ruzza, diretor da Autoridade de Informação Financeira (AIF).

No fim de outubro, no entanto, o Vaticano anunciou que as investigações internas revelaram que nem Di Ruzza nem nenhum membro da AIF estavam “envolvidos em qualquer malfeito”.

Comentando o fato de as outras quatro pessoas ainda sob investigação serem suas colaboradoras próximas na Secretaria de Estado do Vaticano, Becciu disse que elas estavam sendo investigadas por “fatos que ocorreram entre fevereiro de 2019 e outubro de 2019”, muito depois de ele deixar o cargo para chefiar a Congregação para as Causas dos Santos.

“Eu posso falar porque não estou entre os suspeitos” sob investigação, disse o cardeal italiano.

“Quanto aos meus colaboradores, eu os conheço como pessoas honestas, dedicadas ao dever e fiéis. Vamos esperar. Eu tenho fé no judiciário”, disse ele, acrescentando que seus ex-colegas de trabalho “estão sofrendo muito”. 

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