França: bispos esperam com apreensão os resultados de um relatório inédito sobre abusos sexuais na Igreja

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08 Novembro 2019

Os bispos católicos da França estão prestes a ouvir testemunhos angustiantes daqueles que sofreram durante décadas nas mãos de clérigos locais.

A reportagem é de Céline Hoyeau e Marie Boëton, publicada por La Croix International, 07-11-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Há um ano, os bispos católicos franceses votaram em Lourdes pelo estabelecimento de uma comissão independente para investigar os abusos sexuais na Igreja da França desde os anos 1950.

Seu presidente, Jean-Marc Sauvé, apresentou a eles um primeiro relatório no dia 7 de novembro.

Um membro da comissão disse que está “mais abalado do que nunca” pelo que ouviu e fala de um “tremor quase metafísico”.

A proximidade entre “a beleza da mensagem bíblica e a abjeção dos atos cometidos por alguns dos seus membros” deixou-o “sem palavras”, após ouvir as vítimas.

Outro disse que ficou “muito impressionado com a solidão das vítimas, muitas vezes deixadas à própria sorte durante anos”.

Assim como esses dois membros da Comissão Independente sobre Abusos Sexuais na Igreja (Ciase, na sigla em francês), o seu presidente, Sauvé, também disse que ficou “muito afetado” pela “travessia do abismo” representada pela audiência das vítimas dos padres.

“É um choque extremamente violento confrontar o sofrimento delas, o trauma deixado por esses abusos em suas vidas e a gestão muitas vezes inexistente ou desajeitada por parte da Igreja”, disse.

Embora a audiência das vítimas tenha sido inicialmente planejada para complementar a missão da Ciase, ela acabou se tornando central para a investigação.

Ponta do iceberg

Desde o lançamento da convocação de testemunhas no dia 3 de junho, a comissão de 22 membros entrevistou cerca de 25 vítimas, duas ou três por vez, durante duas horas por entrevista.

O objetivo específico era começar a ter um conhecimento detalhado dos ataques, das suas circunstâncias, das reações das famílias e da Igreja. O número de entrevistados ainda era muito pequeno.

A Ciase já recebeu mais de 2.500 ligações, e-mails e cartas em cinco meses, além de respostas a 800 questionários contendo 50 perguntas específicas.

Mas se acredita que isso ainda esteja muito abaixo do esperado, já que dois terços dos franceses com mais de 18 anos de idade (em uma população de 40 milhões) frequentaram uma instituição educacional católica ou um movimento juvenil ligado à Igreja.

Por um lado, muitas vítimas ainda não se atreveram a falar ou não se interessaram o suficiente para fazê-lo. Por outro lado, o trabalho da Ciase ainda é pouco conhecido.

Mais a ser feito

No entanto, a Ciase pode contar com o apoio da mídia nacional, das redes católicas, que foram mobilizadas para ajudar no início do ano letivo. As associações de vítimas já ouviram falar dos especialistas.

Em particular, a La Parole Libérée (A palavra libertada), uma organização criada para ajudar a encorajar as vítimas e para organizar a coleta dos seus testemunhos, elogiou a seriedade do trabalho da Ciase e ofereceu a sua cooperação.

Para aumentar a conscientização entre as vítimas e entre os mais jovens (85% dos entrevistados têm 50 anos ou mais), a comissão quer ir além, convocando a mídia regional e lançando um “Tour de France”.

Nos próximos seis meses, ela organizará sessões públicas nas regiões, em “locais neutros” (instituições de ensino superior, escritórios de advogados etc.).

“Tanto para relatar a nossa ação, para responder a perguntas, quanto para ouvir aqueles que têm coisas a nos dizer, que serão, então, convidados para o nosso chamado a testemunhar”, disse Sauvé.

A comissão também acrescentou ao seu programa audiências em outros lugares para facilitar a participação das vítimas.

Ao mesmo tempo, a comissão, que recebeu 85% dos questionários enviados a dioceses e congregações religiosas, continuará seu trabalho em seus próprios escritórios.

“As respostas são variáveis, muito detalhadas em algumas dioceses e muito menos em outras que não têm recursos”, disse Sauvé.

“Para alguns abusadores, não há nada no arquivo – ou o bispo não foi informado ou ele tratou o caso de acordo com métodos antigos, contentando-se em transferir o padre. Ou havia um relatório, mas, de acordo com o direito canônico, o arquivo do padre foi excluído 10 anos após a sua morte.”

Para concluir essa primeira coleta de dados, os membros da comissão visitarão algumas dioceses (rurais e urbanas) e congregações religiosas para explorar as evidências que já têm.

Esse trabalho será complementado por uma análise dos arquivos civis.

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