Novas medidas antiabuso emitidas por Francisco ajudarão Igreja a restaurar confiança

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31 Maio 2019

Há três meses, o Papa Francisco convocou uma “batalha total” contra o flagelo do abuso sexual por parte de padres e bispos católicos. Agora, o Santo Padre está fazendo um progresso significativo na luta para proteger os inocentes e purificar a Igreja, e merece elogios pela sua forte liderança.

O comentário é de Tim Busch, fundador do Instituto Napa, um apostolado católico leigo que defende a reforma da Igreja, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 30-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Neste mês, o Papa Francisco ordenou que cada diocese desenvolva um sistema que permita ao público apresentar acusações de abuso de qualquer autoridade da Igreja. Crucialmente, isso inclui bispos, arcebispos e cardeais, que historicamente escapavam de tal supervisão. Assim que a medida entrar em vigor no dia 1º de junho, todas as dioceses do mundo – incluindo as cerca de 200 dos Estados Unidos – devem imediatamente submeter denúncias confiáveis contra bispos ao Vaticano, que decidirá se abrirá uma investigação dentro de 30 dias.

Para uma instituição de 2.000 anos de idade como a Igreja Católica, essa velocidade é rara – e bem-vinda.

A influência da Igreja estadunidense é evidente nessa política papal. Ela institui uma proposta louvável, defendida pelo cardeal Blase Cupich, de Chicago, na qual a investigação de um bispo seria supervisionada pelo seu bispo superior na região geográfica – o “metropolitano”, que geralmente é um arcebispo ou cardeal. Se o próprio metropolitano estiver sob investigação ou não for adequado para liderar uma investigação, o Vaticano pode escolher outra pessoa, como um metropolitano vizinho. Quem quer que seja, ele deve concluir a investigação dentro de 90 dias, embora Roma possa estender esse prazo.

Mas talvez a medida mais importante diga respeito ao envolvimento de leigos católicos no processo de investigação. Estes são membros regulares da Igreja que não são empregados por ela, incluindo juízes, advogados, acadêmicos e líderes de outras áreas da vida. Ao contrário dos bispos, eles têm pouco incentivo para proteger outros bispos ou padres ou para perpetuar os encobrimentos. Considerando-se que os leigos católicos exigiram um papel maior para os leigos após os recentes escândalos, essa medida é uma dádiva de Deus.

Mas essa deliberação também deve ser estritamente interpretada pelos bispos dos EUA. A nova política deixa o envolvimento dos leigos católicos à discrição do bispo encarregado pela investigação. Um bispo pode “levar em conta a cooperação” que os leigos católicos oferecem e é "livre para escolher outras pessoas igualmente qualificadas” para ajudá-lo. Embora a situação possa ser diferente em outros países, na Igreja estadunidense, faz sentido que os bispos envolvam os leigos o máximo possível.

Isso ajudará a restaurar a confiança após anos de escândalo. Revelações recentes – especialmente as décadas de pecados e crimes cometidos pelo ex-cardeal Theodore McCarrick e o provável conhecimento de muitos de seus coirmãos bispos – significam que milhões de católicos norte-americanos não confiam que a hierarquia possa ou irá limpar a si mesma. Ao envolver os leigos católicos em todas as investigações dentro das reformas do Papa Francisco, os bispos podem ajudar a mostrar aos leigos que estão comprometidos com a prestação de contas e a transparência.

Os bispos podem até dar um passo a mais e criar uma comissão nacional leiga para apoiar as investigações. A Conferência dos Bispos dos EUA quase aprovou tal medida em novembro passado, mas o Vaticano pediu um adiamento enquanto redigia esse novo decreto. As reformas finais não parecem proibir tal medida, o que é um sinal esperançoso para os católicos norte-americanos. Quando os bispos se reunirem em Baltimore em junho, eles finalmente poderão aprovar essa medida e expandir o bom trabalho iniciado pelo Papa Francisco.

Independentemente da forma que isso assumir, o envolvimento dos leigos é essencial. O Concílio Vaticano II exortou explicitamente os leigos católicos a assumirem um papel maior na governança da Igreja. Além disso, já sabemos que o envolvimento laical funciona.

No rastro do escândalo de abuso sexual de Boston no início dos anos 2000, a Conferência dos Bispos dos EUA ordenou que cada diocese criasse conselhos locais de revisão, dirigidos principalmente por leigos católicos, para investigar as acusações contra padres e criar políticas para evitar futuros abusos (os bispos foram dispensados). Esse sistema ajudou a contribuir para o declínio das acusações confiáveis de abuso por parte de padres. Se os leigos católicos podem ajudar a evitar o abuso por parte de padres normais, também podemos responsabilizar os bispos.

A nova política do Papa Francisco expirará após um período experimental de três anos, quando o Santo Padre poderá renová-la – ou melhorá-la. Ao expandir ao máximo possível a louvável ação do papa, os bispos norte-americanos podem mostrar os enormes benefícios de um maior envolvimento dos leigos e dar um exemplo para a Igreja global.

Os leigos católicos podem não apenas ajudar a prevenir o abuso e a proteger os inocentes. Nós também podemos ajudar a limpar a mancha do escândalo, preservando a habilidade da Igreja de pregar a verdade.

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