Coronavírus, primeiro estudo de Harvard sobre a Itália: “De emergência sanitária se passará para emergência psicológica”

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27 Março 2020

As mensagens sobre a prevenção chegaram e foram compreendidas (quase) por todos. Agora, porém, o esforço deve ser direcionado para outro ponto: aliviar os efeitos da quarentena.

A reportagem é de Jaime D'Alessandro, publicada por La Repubblica, 25-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Todo mundo entendeu, ou quase: é preciso ficar em casa, lavar as mãos, manter distância dos outros. De acordo com o primeiro estudo publicado por Harvard, com base em uma pesquisa realizada entre 18 e 20 de março com 3453 cidadãos, existem poucas dúvidas de que as mensagens do governo tenham sido entendidas. Apenas uma minoria entre os mais jovens, estamos falando de 21% entre 18 e 29 anos, ainda permanece parcialmente refratária à ideia de ter que ter cuidado para não se aproximar demais das pessoas. Agora, porém, devemos mudar de registro, porque os maiores perigos advêm das dificuldades psicológicas da vida em quarentena.

Quem afirma isso é o COVID-19 International Behavioral Science Working Group, uma força-tarefa de especialistas no mundo das ciências do comportamento, liderada pelo Prof. Gary King, de Harvard. Ao seu lado, vários colegas italianos, que trabalham inclusive em instituições como MIT, Oxford, London School of Economics, Universidade de Warwick, de Chicago, Princeton, Berkeley, Luiss Guido Carli.

"Os olhos do mundo estão focados na Itália", explica Federico Raimondi Slepoi, um dos autores do estudo. Com apenas 27 anos, ele é o fundador da primeira unidade governamental de economia comportamental da Itália e consultor de várias instituições, entre as quais o Ministério do Meio Ambiente e Roma Capitale. "Estamos duas semanas à frente de outros países, é fundamental entender o que está acontecendo conosco."

O objetivo do grupo é fornecer as ferramentas e evidências para ajudar os governos e a comunidade internacional nas estratégias de combate ao coronavírus. A equipe fez um primeiro levantamento em 12 de março para investigar a resposta dos italianos ao autoisolamento. Aqueles foram os dias imediatamente seguintes ao decreto que transformou toda a Itália em uma zona laranja, e foi imediatamente notada a boa resposta da população. O mantra de #iorestoacasa (eu fico em casa) foi observado de maneira séria e homogênea em toda a Itália e entre todas as faixas etárias. Com a única pequena exceção na faixa etária de 18 a 29 anos.

Os especialistas fizeram um segundo levantamento entre 18 e 20 de março, ao qual responderam 3453 cidadãos. A adesão às normas de prevenção ocorreu, mas também houve um aumento na preocupação por parte dos entrevistados sobre as repercussões do isolamento para sua saúde mental. O que assusta, considerando a incerteza sobre o futuro e a possibilidade de que essas medidas durem além de 3 de abril, são o aumento dos conflitos familiares e o aumento da ansiedade, do estresse e do tédio.

Um estudo semelhante, ainda em andamento e realizado pelo grupo liderado por Antonio Tintori, do Conselho Nacional de Pesquisa (Cnr), junto com psicólogos do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (Ingv), está focado no mesmo perigo. Em uma dimensão de convivência forçada com os membros da família e longe de tudo o restante, na China, por exemplo, os divórcios aumentaram em 30% e assim também a violência doméstica.

As conclusões da pesquisa do COVID-19 International Behavioral Science Working Group sugerem uma segunda fase na estratégia de comunicação das instituições. "Agora é crucial não baixar a guarda e tentar impedir os efeitos negativos do distanciamento social", continua Slepoi. Do incentivo à atividade física em casa, ao uso da tecnologia para aumentar as interações sociais que propiciem dentro do possível um quadro de normalidade e cotidianidade, à promoção da leitura ou de outras atividades que ao longo do tempo foram saindo dos nossos hábitos". Portanto, não mais só #iorestoacasa. Porque se será preciso ficar em casa por mais tempo, é preciso também ter uma estratégia para não enlouquecer.

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