Vaticano, governo, Microsoft, IBM e Fao. Nasce a carta ética para a inteligência artificial

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02 Março 2020

O Vaticano levanta sua voz. E, para isso, chamou ao seu lado Microsoft, IBM, FAO e o governo italiano. Na via della Conciliazione, a poucos metros de São Pedro, a estranha aliança apresenta a Rome Call for AI Ethics, uma carta ética para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Quem assina o documento é Mons. Vincenzo Paglia, presidente da Pontifícia Academia da Vida (Pav); o diretor geral da Fao Dongyu Qu; o Presidente da Microsoft, Brad Smith; a ministra da Inovação Tecnológica, Paola Pisano, e o vice-presidente da IBM, John Kelly III. Com eles, no palco, também o Presidente do Parlamento Europeu David Sassoli.

A reportagem é de Jaime D'Alessandro, publicada por Repubblica, 28-02-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Existe uma assimetria evidente entre aquelas poucas grandes empresas que possuem os dados e os cidadãos que os geram, disse Paglia abrindo os trabalhos. E é claro que, em matéria de tecnologia, hoje estamos mais condicionados que em condições de condicionar. Daí os princípios da Carta sobre direitos, ética e educação em tempos de algoritmos.

Depois foi a vez de Brad Smith, uma das poucas vozes críticas importantes dentro dos gigantes da tecnologia USA: “As IA mudarão o mundo assim como o fizeram os motores a vapor, a eletricidade, o motor a explosão e os microchips. Em três décadas, a inteligência artificial se tornará uma ferramenta muito poderosa e, portanto, também uma arma perigosa”. Segundo ele, devemos agir agora para preservar tanto a humanidade como o meio ambiente.

No documento, que teria sido apresentado ao Papa Francisco se o pontífice não estivesse com problemas de saúde, fala-se, entre outras coisas, da necessidade de transparência dos algoritmos. Hoje ninguém sabe, por exemplo, como e por que as IA das redes sociais promovem determinados conteúdos em vez de outros, ou conhece os sistemas que estão por trás do perpétuo rastreamento de pessoas com fins de promoções publicitárias personalizadas. E se é verdade que as IA entrarão em nossas vidas cada vez mais, saber como e por que agem se torna fundamental.

Desse ponto de vista, a Rome Call for AI Ethics ​​tem pontos de contato com as diretrizes recém apresentadas pela Comissão Europeia para o setor digital, onde transparência e privacidade estão entre os pontos principais. A Rome Call for AI Ethics não é, portanto, o primeiro apelo por uma regulamentação ética do digital. Basta lembrar de Tim Berners-Lee, entre os pais da Web, e de seu Contrato para salvar o espírito pluralista originário da Rede. Mas nada disso, pelo menos até agora, teve um impacto concreto. Permanece o fato: iniciativas desse tipo estão se multiplicando envolvendo segmentos de primeiro plano.

"Que política, empresas e Igreja estejam juntas hoje - comentou a ministra para a inovação tecnológica Paola Pisano após a assinatura do documento - significa que o problema do desenvolvimento tecnológico é sentido por todos."

O discurso de John Fitzgerald Kennedy, de 1962, sobre a corrida espacial também foi mencionado: “As tecnologias não têm consciência. Depende do homem elas se tornarem boas ou ruins. Deixando de lado as visões extremas de Ray Kurzweil, se defende há tempo que as IA terão uma consciência dentro de dez anos; no entanto, há dúvida de que certas lógicas da economia digital ou do capitalismo da vigilância, como Shoshana Zuboff as chama, já estejam fora de controle.

Nas intenções, a Rome Call for AI Ethics se expandirá no tempo, envolvendo cada vez mais empresas, instituições e organizações. Em suma, estamos apenas no primeiro passo.

Nota de IHU On-Line:

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o XIX Simpósio Internacional IHU. Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida, a ser realizado nos dias 19 a 21 de outubro de 2020, no Campus Unisinos Porto Alegre.

XIX Simpósio Internacional IHU. Homo Digitalis. A escalada da algoritmização da vida.

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