Papa alerta sobre “nova barbárie” na era da inteligência artificial

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30 Setembro 2019

Em declarações a executivos de algumas das empresas de tecnologia mais importantes do mundo, o Papa Francisco disse que a tecnologia precisa de “princípios morais teóricos e práticos” e que os avanços em áreas como a inteligência artificial não podem levar a uma nova “forma de barbárie”, em que o bem comum é abandonado ao estado de direito dos mais fortes.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada em Crux, 28-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Falando aos participantes de todos os continentes e de países como os Estados Unidos e a Rússia, Francisco também alertou contra o uso da inteligência artificial para “fazer circular opiniões tendenciosas e dados falsos, ‘envenenar’ os debates públicos e até manipular as opiniões de milhões de pessoas, a ponto de pôr em perigo as próprias instituições que garantem a pacífica convivência civil”.

“Se o chamado progresso tecnológico da humanidade se tornasse um inimigo do bem comum levaria a uma infeliz regressão, a uma forma de barbárie ditada pela lei do mais forte”, disse Francisco.

As palavras de Francisco foram ditas quando ele se dirigia aos participantes de uma reunião promovida pelo Vaticano intitulada “o bem comum na era digital”. O seminário explorou os dilemas éticos em torno do desenvolvimento tecnológico, concentrando-se em três coisas próximas ao coração do pontífice: o futuro do trabalho, a construção da paz, a guerra e os novos horizontes para o bem comum.

Os participantes incluíram executivos de gigantes do Vale do Silício, como Facebook, Mozilla, LinkedIn e Western Digital. Também participaram prêmios Nobel, autoridades governamentais, empresários da internet e eticistas católicos.

De acordo com o chefe do Conselho da Cultura do Vaticano, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, as complexidades da pesquisa científica em andamento no campo da cultura digital levaram seu escritório a unir forças com o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, liderado pelo cardeal ganês Peter Turkson.

Como Ravasi observou quando apresentou o grupo ao papa, as discussões foram dos sistemas digitais às armas autônomas, da inteligência artificial ao blockchain, da robótica ao trans-humanismo.

A “estrela-guia” das suas reflexões, disse o cardeal a Francisco, foi o “valor do bem comum e a proteção da dignidade da pessoa humana”.

Em suas observações iniciais, Turkson disse que o seminário queria testemunhar “o rosto sinodal da Igreja”. Sínodo, disse ele, significa “caminhar juntos”, e a esperança para a reunião era de que, caminhando juntos, os participantes pudessem descobrir “algumas diretrizes com as quais podemos ajudar o avanço tecnológico a estar a serviço do desenvolvimento humano integral, a serviço de toda a pessoa, de cada pessoa e de todas as pessoas”.

O congresso dos dias 26 a 28 de setembro é a mais recente tentativa do Vaticano de ficar à frente da curva em questões sociais e de tecnologia, reunindo pessoas de diferentes origens para promover discussões francas e abertas, independentemente da fé ou da posição sobre qualquer questão.

O congresso abordou questões como a espionagem cibernética, o discurso de ódio online e o uso indevido de dados privados, questões que estão em ascensão e que, até o momento, não estão sendo adequadamente abordadas pelo setor de tecnologia da informação.

Francisco agradeceu aos participantes, observando que os desenvolvimentos tecnológicos “notáveis” da era moderna exigem discussões “abertas e concretas” para abordar a presença cada vez mais significativa da inteligência artificial em todas as áreas da humanidade.

O papa também disse que há um “paralelismo fundamental” entre o “indiscutível benefício” que a humanidade poderá tirar dos avanços tecnológicos e a maneira ética pela qual as novas possibilidades são empregadas.

“As áreas-chave exploradas por vocês certamente terão impactos imediatos e concretos na vida de milhões de pessoas”, disse Francisco. “A convicção que compartilhamos é que a humanidade se encontra diante de desafios sem precedentes e completamente inéditos. Problemas novos requerem soluções novas.”

Ele também os exortou a ter uma “fidelidade criativa” aos princípios e tradições, pensando sempre no bem comum: “As problemáticas que vocês são chamados a analisar dizem respeito a toda a humanidade e requerem soluções que possam ser estendidas a toda a humanidade”.

Como exemplo, ele apontou para a indústria da robótica, que geralmente substitui homens e mulheres no local de trabalho: por um lado, os robôs podem realizar tarefas árduas e arriscadas, mas, por outro lado, eles podem se tornar ferramentas “meramente eficientistas” que privam milhares de trabalhadores, colocando em risco sua dignidade.

Francisco também falou sobre o uso da inteligência artificial em debates sobre grandes questões sociais. Essa prática, disse ele, pode possibilitar o acesso a informações confiáveis e garantir análises corretas; por outro lado, pode ser usado para difundir opiniões tendenciosas e dados falsos que envenenam os debates públicos e manipulam a opinião de milhões de pessoas, “a ponto de pôr em perigo as próprias instituições que garantem a pacífica convivência civil”.

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