“A irrupção dos movimentos populares”: livro com prefácio do Papa Francisco é apresentado

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28 Setembro 2019

O papa que veio do “fim do mundo” – como ele mesmo disse no seu primeiro discurso após a eleição à cátedra de Pedro – nunca perdeu de vista as realidades e as particularidades de todas as periferias, tanto geográficas quanto existenciais. Nem mesmo as da América Latina, a metade do seu continente, tão imenso e rico em recursos quanto complexo e poliédrico.

A reportagem é de Lorena Pacho Pedroche, publicada por L’Osservatore Romano, 26-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Lá, enraizaram-se, de modo particularmente significativo, os chamados movimentos populares, associações de setores sociais humildes e marginalizados que expressam as reivindicações do povo, promovem a defesa dos direitos fundamentais, pedem terra, trabalho e teto, e estão presentes nos cinco continentes.

Para entender melhor, e a partir de diferentes ângulos, esses movimentos sociais, o seu significado e o seu desenvolvimento no atual panorama de exclusão, convivência e globalização, a abertura da Igreja a esses grupos, o apoio do Papa Francisco e o papel da doutrina Igreja Social nesse âmbito, a Pontifícia Comissão para a América Latina publicou um livro intitulado L’irruzione dei Movimenti Popolari. 'Rerum novarum' del nostro tempo [A irrupção dos Movimentos Populares. “Rerum novarum” do nosso tempo, em tradução livre], organizado por Guzmán Carriquiry Lecour e Gianni La Bella.

O volume começa com um longo prefácio escrito pelo próprio pontífice, que oferece a sua visão e a sua experiência com os movimentos populares, definidos como “um arquipélago de grupos, associações, movimentos, trabalhadores precários, famílias sem-teto, camponeses sem terra, ambulantes, lava-vidros nos semáforos, artesãos de rua, representantes de um mundo de pobres, de excluídos, de não considerados, de irrelevantes, que têm cheiro ‘de bairro, de povo, de luta’”. E que, ainda nas palavras do pontífice, representam “a alavanca de uma grande transformação social”.

O livro, lançado nas livrarias também com o objetivo de aprofundar os ensinamentos do papa sobre a questão e de sensibilizar as Igrejas locais, os seus pastores e as comunidades cristãs, foi apresentado em Roma e na Argentina no dia 24 de setembro.

Na apresentação italiana, que foi realizada na Cúria Generalícia da Companhia de Jesus, pronunciaram-se o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, e os dois organizadores.

Nas suas falas, moderadas por Alessandro Gisotti, vice-diretor editorial do Dicastério para a Comunicação, foram ilustrados os principais pontos-chave dos movimentos populares, que encarnam a cultura do encontro de que fala o Papa Francisco.

O livro, concebido como uma reflexão a várias vozes, reúne as contribuições de um grande grupo de estudiosos, especialistas, jornalistas e eclesiásticos como o próprio La Bella, o jesuíta Michael Czerny, o cardeal Turkson, o sociólogo italiano Thomas Leoncini e o mexicano Rodrigo Guerra. Também colaboraram Juan Grabois, iniciador dos Encontros Mundiais dos Movimentos Populares, Dom Gustavo Carrara, bispo auxiliar de Buenos Aires, Silvina Pérez, responsável pela edição semanal em espanhol do L’Osservatore Romano e os argentinos Hernán Reyes Alcaide e Alberto Molina.

O cardeal Turkson contou como um workshop realizado na Casina Pio IV, em 2013, sobre o tema “A emergência dos excluídos” deu origem a uma série de encontros no Vaticano e em outros países com os representantes dos movimentos populares, para “ver, avaliar, agir, ter uma ideia dos fenômenos, entendê-los”. Encontros que também serviram para promover tais movimentos sociais, para conhecê-los melhor e para estabelecer com eles uma relação que dura até hoje.

Na primeira reunião no Vaticano, realizada em 2014 na Sala do Sínodo, “os responsáveis pelos movimentos populares pediram a presença do Santo Padre e ele respondeu com a sua decisão de plantar a bandeira deles no Vaticano”, acrescentou o purpurado.

Na sua intervenção, o cardeal Ouellet explicou que o Papa Francisco “acompanhou com atenção, percepção e discernimento a promissora irrupção desses movimentos populares que se projetam em um sentido caritativo e missionário a serviço dos homens, dos povos e das nações”. Depois, ele enfatizou que a motivação fundamental do Santo Padre é “o amor preferencial pelos pobres, de origem cristológica e evangélica, que acompanhou a ação da Igreja e da tradição desde a sua origem”.

O Papa Francisco, no seu prefácio, menciona com afeto e ternura os protagonistas dos movimentos populares, que, retomando as suas palavras, podem representar “uma fonte de energia moral para revitalizar as nossas democracias” e aquele que ele define como “povo de pequenos”.

São “poetas sociais” que, “com a própria bagagem de lutas ímpares e de sonhos de resistência, colocaram na presença de Deus, da Igreja e dos povos uma realidade muitas vezes ignorada, que emergiu graças ao protagonismo e à tenacidade do seu testemunho”. Em suma, para o pontífice, são “homens de periferia” que, pela primeira vez, conquistam o centro das atenções e aos quais ele expressa, em nome da Igreja, a sua “genuína solidariedade”.

Guzmán Carriquiry aprofundou as razões da irrupção dos movimentos populares na sociedade contemporânea, que se deveu a uma concomitância de diversos fatores, como “as crescentes desigualdades sociais provocadas pelos processos de globalização, o desemprego fruto da crise, a precariedade do trabalho que se torna precariedade da existência, a difusão do trabalho informal, muitas vezes ligado à mendicância, a crise da rede de segurança social”.

Tudo isso, observou o estudioso latino-americano, foi produzido “em meio à desagregação do tecido social” e deixou “grandes massas da população excluídas e marginalizadas. A partir desse cenário, os grupos sociais protagonistas dos movimentos populares, uma amálgama representativa de culturas e religiões muito diferentes, conseguiram passar para a organização solidária e para a participação autônoma, assim como para a conquista da sua liberdade. “Passa-se da marginalidade à irrupção na cena pública”, disse Carriquiry.

Gianni La Bella, por sua vez, enfatizou que esse livro vê a luz no limiar do Sínodo sobre a Amazônia, “que abordará a questão social mais grave e planetária do novo milênio, da qual dependerá o futuro da nossa casa comum”. Depois, ele observou que o papa sente que, para milhões de homens, o mundo assim como está concebido representa “uma prisão marcada pela pobreza, pela privação, pela falta de trabalho, mas, acima de tudo, pela ausência de futuro”. E acrescentou que essas condições representam “um inferno para o qual Francisco quer pôr fim”.

 

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