México. Quatro bispos podem estar envolvidos em casos de abuso sexual

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05 Março 2020

O representante do Vaticano no México disse nesta quarta-feira, 3, que quatro bispos católicos foram encaminhados aos seus superiores por supostas conexões com casos de abuso sexual, como parte dos esforços da Igreja para reunir informações sobre o possível encobrimento de abusos.

A reportagem é publicada por National Catholic Reporter, 04-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O núncio Franco Coppola não forneceu detalhes sobre os possíveis papéis dos bispos, mas observou que, em janeiro e dezembro, um endereço de e-mail aberto para receber denúncias de abuso recebeu dezenas de acusações, principalmente relatos de encobrimentos.

Coppola fez os comentários em uma coletiva de imprensa para anunciar que o Vaticano enviaria seus principais investigadores de abuso sexual ao México no fim de março. Ele reconheceu que a magnitude do problema os “choca”, porque, enquanto a Conferência dos Bispos do México diz que 217 padres estão sendo investigados, há casos em que a ordem religiosa enviou a queixa diretamente a Roma, o que significa que o número pode ser ainda maior.

Vítimas de abuso sexual clerical expressaram ceticismo em relação à comissão de investigação vaticana, que coletará declarações e informações sobre abusos no México, embora a maioria tenha dito que se reuniria com os investigadores do Papa Francisco.

“Somente conversando com eles é que será possível obter resultados”, disse Biani López-Antúnez, que foi abusada por um diretor de escola da Legião de Cristo em Cancun, entre os oito e dez anos de idade. “Os resultados dessa visita devem ser medidos exclusivamente pelos fatos, porque estou cansada das ações falsas que operam em todos os níveis da Igreja.”

O Vaticano anunciou nessa terça-feira, 2, que dois investigadores – Charles Scicluna, arcebispo de Malta e vice-secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, e Jordi Bertomeu – estarão na Cidade do México de 20 a 27 de março. Eles se encontrarão com bispos, líderes de ordens religiosas e vítimas que quiserem falar com eles. Eles prometem confidencialidade.

O México, que possui o segundo maior número de católicos do mundo, tem acumulado casos de abuso e encobrimento há anos. Enquanto isso, cada vez mais vítimas como López-Antúnez estão se manifestando diante das reivindicações vaticanas de “tolerância zero”, para dizer que elas ainda estão esperando por justiça.

A Conferência dos Bispos do México diz que a comissão está surgindo a pedido delas. Ela é composta pelas mesmas autoridades eclesiásticas que foram ao Chile em 2018 para investigar um caso e retornaram com 2.600 páginas de declarações de mais de 60 vítimas. Isso levou Francisco a pedir perdão e a uma ação legal.

Coppola disse que os investigadores estão indo ao México por causa da “gravidade” da situação e porque o país tem uma presença católica tão grande que poderia se tornar um modelo – “um bom exemplo ou um mau exemplo” – para outros países.

Os investigadores estão reservando 30 minutos para cada pessoa que queira falar com eles, de modo que eles recomendam que cheguem com documentos e declarações por escrito, disse Coppola. Os investigadores também se encontrarão com qualquer pessoa, dos clérigos às vítimas.

Rogelio Cabrera, presidente da Conferência dos Bispos do México, disse que os investigadores terão total liberdade. “Nós sequer saberemos quem irá falar com eles ou quais assuntos eles discutirão”, disse ele.

Não ficou claro qual a colaboração que as autoridades eclesiásticas terão com as autoridades mexicanas, mas o secretário da Conferência, Alfonso Miranda, disse que eles se encontraram com o procurador-geral Alejandro Gertz Manero para que “cada autoridade cumpra o seu dever, os promotores do Estado assim como cada bispo em sua diocese”.

“Tem que haver uma intervenção por parte de alguma outra autoridade externa para determinar a responsabilidade criminal, porque, se for apenas a comissão eclesiástica, será muito difícil que algo ocorra”, disse Alberto Athié, ex-padre mexicano que faz campanha há mais de 20 anos em defesa das vítimas de abuso clerical. Caso contrário, a comissão poderia se tornar apenas mais um exemplo de como o Vaticano “segue a onda”, mas não vai ao fundo dela.

Por esse motivo, Athié acredita que uma proposta perante o Senado mexicano de criar uma comissão de investigação independente é fundamental, pois isso pode “reconstruir a verdade e entregar às autoridades competentes todos os responsáveis”, incluindo os abusadores e aqueles que encobriram suas ações.

O número de vítimas no México é desconhecido.

O caso mais conhecido no país é o do Pe. Marcial Maciel, fundador da ordem religiosa da Legião de Cristo. O Vaticano assumiu a Legião em 2010, após revelações de que Maciel abusou sexualmente de dezenas de seus seminaristas, teve pelo menos três filhos e construiu uma ordem secreta e semelhante a um culto para esconder sua vida dupla.

A Conferência dos Bispos do México disse em janeiro que estava investigando 271 padres por abuso na última década, mas não forneceu um número de vítimas.

Jesús Romero Colín, psicólogo e diretor do Inscide, uma organização não governamental que apoia as vítimas de abuso sexual, disse que pode haver milhares. O próprio Romero Colín foi abusado por um padre em sua igreja aos 11 anos de idade.

“No meu caso, havia 20 vítimas, e eu fui o único que se manifestou”, disse ele. “Das 50 vítimas que vieram ao encontro da nossa organização, apenas duas apresentaram queixas formais, e há padres que abusaram de 100 ou 130 vítimas.”

O caso de Romero Colín é uma exceção. Seu abusador, Carlos López Valdez, foi o primeiro padre condenado no México por pederastia e atualmente cumpre uma sentença de 63 anos de prisão.

Ele disse que se encontrará com os investigadores. “O importante é que os sobreviventes tenham uma linha direta com o Vaticano, desviando de todos os intermediários”, disse ele.

 

Nota da IHU On-Line:

O Instituto Humanitas Unisinos – IHU promove o seu X Colóquio Internacional IHU. Abuso sexual: Vítimas, Contextos, Interfaces, Enfrentamentos, a ser realizado nos dias 14 e 15 de setembro de 2020, no Campus Unisinos Porto Alegre.

X Colóquio Internacional IHU. Abuso sexual: Vítimas, Contextos, Interfaces, Enfrentamentos

 

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