Legionários de Cristo. “O pedido de perdão é histórico”

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Por: André | 10 Fevereiro 2014

Seu testemunho é impactante. Félix Alarcon (foto), um dos oito primeiros a denunciar o pederasta MarcialMaciel, abria há dois meses o seu coração e suas lembranças em uma entrevista ao Religión Digital. Este testemunho foi uma das chaves para a intervenção de Francisco no Capítulo Geral dos Legionários de Cristo, que terminou com um histórico pedido de perdão e o desaparecimento de Maciel. O padre Alarcón está contente: “O pedido de perdão é histórico”, embora espere que se vá além disso. “Oxalá, pudesse ser individual”.

 
Fonte: http://bit.ly/1jmiSov  

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 07-02-2014. A tradução é de André Langer.

Aos 80 anos, Alarcón acaba de deixar a sua irmã, de 94 anos, em uma casa em Griñón. Mesmo sem internet, acompanhou com atenção o desenrolar do Capítulo Geral dos Legionários de Cristo. E se alegra que “ao final, se tenha deixado de proteger este senhor (Maciel) a qualquer custo”. Após sua entrevista ao Religión Digital, Jaime Rodríguez, secretário da congregação, visitou o sacerdote em sua casa em Madri para convidá-lo a falar ao Capítulo. “Aí soube que a coisa era séria. Não podia ir devido à situação da minha irmã, mas gravei uma pequena mensagem”.

Um vídeo que foi apresentado no Capítulo e que mexeu com as consciências, pois Alarcón pedia que “abraçassem a verdade para ter futuro”. E cujo conteúdo, além da entrevista em nosso portal, chegou às mãos de Francisco, e foi uma das chaves na decisão do Papa de impor a eleição de Juan José Arrieta e Juan María Sabadell, que escreveu um pedido de perdão que também serviu de base para o documento que se tornou público durante a semana que passou.

Na manhã da sexta-feira, o religioso avaliava o pedido de perdão dos Legionários. “Me parece muito bom. Oxalá, pudesse ser individual. Não é tão difícil reconhecer os fatos. Durante anos, a congregação, a Igreja, se esquivou de nós. Agora, se abrimos a boca, têm que nos ouvir. Se estendessem a mão, encontrariam o perdão de cada um de nós”. Alarcón reivindica sua opção calada, mas firme, antes e depois da denúncia. “Com a nossa pobreza, demos a eles uma lição de humildade e veracidade, e não nos deram atenção, porque era preciso proteger esse senhor a qualquer custo”.

Contudo, destaca que “o sumiço de Maciel do presente e do futuro dos Legionários de Cristo é um detalhe convincente”, e também “que tenham deixado de lado personagens como Garza ou Corcuera”. Em relação ao futuro, Alarcón destaca a “reação muito boa dos mais jovens, aos quais desejo sorte e tomara que dê tudo certo, para que se salve a vocação de tanta gente boa”.

E em relação ao futuro da congregação, Félix Alarcón continua insistindo em que “se faz necessária uma refundação total”, embora esteja convencido de que no novo governo “há gente muito boa que pode mudar isto”, e destaca especialmente o padre Sabadell, um dos escolhidos por Francisco. “É preciso abrir novamente as portas àqueles que deixaram a congregação e oferecer-lhes todo o carinho e o perdão que durante anos lhes foi negado. Ainda resta muito por fazer, mas o pedido de perdão da quinta-feira me parece histórico e um grande passo para frente. Obrigado a Deus e ao Papa Francisco”.

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