Vaticano investiga ex-arcebispo chileno

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09 Outubro 2018

Segundo os padres de Schönstatt, o Vaticano está investigando uma acusação de abuso contra um polêmico arcebispo chileno.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Catholic News Service, 08-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Em um comunicado divulgado no dia 6 de outubro, o padre de Schönstatt Fernando Baeza, superior provincial da ordem em Santiago, no Chile, disse que uma acusação de um abuso ocorrido na Alemanha em 2004 contra o arcebispo aposentado Francisco Jose Cox foi relatada somente em 2017.

"Uma vez que a queixa foi recebida, um julgamento canônico foi aberto na Alemanha e enviado à Congregação para a Doutrina da Fé, que é responsável por receber e resolver queixas feitas contra o clero", disse Baeza.

O superior também confirmou que o arcebispo aposentado reside atualmente na casa geral dos Padres Schönstatt em Vallendar, na Alemanha.

Baeza disse que os Padres de Schönstatt estavam comprometidos em "estabelecer novos critérios de discernimento diante dessa dolorosa realidade e nunca abandonar as vítimas".

Embora o alegado abuso tenha ocorrido em 2004, também foram feitas alegações anteriormente contra o arcebispo chileno, que é amigo de infância do cardeal Francisco Javier Errazuriz, ex-arcebispo de Santiago.

Ordenado bispo em 1971, Cox comandou a Diocese de Chillán, no Chile, por seis anos antes de ser nomeado em 1981 por São João Paulo II como secretário do antigo Conselho Pontifício para a Família.

Em 1985, foi nomeado arcebispo coadjutor da Arquidiocese de La Serena. Dois anos depois, ele liderou o comitê organizador da visita de João Paulo II ao Chile.

Em 1992, pe. Manuel Hervia, sacerdote diocesano, apresentou uma queixa formal à Conferência Episcopal Chilena, alegando ter descoberto que Cox estava envolvido em relações sexuais com um rapaz.

Após uma investigação da nunciatura apostólica no Chile, Cox informou sua renúncia em 16 de abril de 1997, aos 63 anos de idade.

Apesar das sérias alegações contra ele, Cox continuou a desempenhar um papel ativo na Igreja. Foi nomeado em 1999 como presidente da comissão nacional que supervisiona as celebrações do ano Jubilar e em março de 2001 fez parte da delegação que representa os bispos chilenos no Conselho Episcopal Latino-Americano, CELAM, na Colômbia.

Em outubro de 2002, na véspera da publicação de uma exposição sobre o comportamento de Cox, Errazuriz foi entrevistado pelo canal de notícias chileno - Canal 13 -, a respeito das alegações contra Cox.

Errazuriz disse que não sabia das "acusações concretas" que seriam feitas pelo jornal e disse estar entristecido "pois estudei com ele por muitos anos".

"O que eu sei é que nos últimos momentos do seu trabalho em La Serena, sempre houve rumores devido à sua forma distinta de afeto, o que era comum entre nós. Foi algo excessivamente expressivo e as pessoas foram atrás de respostas à respeito de tais atitudes", disse Errazuriz.

O ex-arcebispo de Santiago disse que foi Cox - e não a Igreja - quem decidiu que ele deveria se aposentar do ministério ativo e que iria morar em um mosteiro de Schönstatt em Lucerna, na Suíça, onde se dedicaria à oração, penitência e estudo. "Ele deve continuar louvando a Deus e buscar perdão pelos seus erros", acrescentou Errazuriz.

Apesar de se referir às alegações contra Cox como "rumores", Errazuriz divulgou, alguns dias depois, como um desentendimento, pedindo perdão pelas vítimas e pelas ações do arcebispo aposentado.

A declaração, publicada na conferência dos bispos chilenos em 5 de novembro de 2002, também citava as palavras de Cox aos fiéis de sua antiga diocese: "Peço perdão por esse lado escuro dentro de mim e que vai contra os princípios do Evangelho".

Em 2012, após ser diagnosticado com câncer, Cox foi transferido para Vallendar, onde fica a sede do movimento de Schönstatt. Ele ainda reside lá e está sofrendo de demência.

No dia 7 de outubro, Cox se recusou a responder às perguntas de um repórter do programa de notícias nacional chileno 24 Horas, dizendo que ele não poderia falar a respeito “por conta do momento confuso que passa o Chile".

Perguntado sobre as alegações contra ele no Chile e na Alemanha, respondeu: "Esse não é o principal problema agora".

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