Chile. Cardeal Errázuriz responde à acusações de abuso

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11 Agosto 2018

Crux publicou recentemente uma série de três partes da experiente correspondente Elise Harris, explorando os laços entre o Cardeal Francisco Errázuriz do Chile, confidente papal, e o leigo peruano Luis Fernando Figari, que agora é acusado de abuso sexual e abusos de poder e consciência, dentro do proeminente movimento leigo que ele fundou.

Em resposta, Errázuriz escreveu uma carta ao Crux que foi publicada em um jornal chileno e é reproduzida e publicada por Crux, na íntegra, 09-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o texto.

Li atentamente o artigo que a jornalista Elise Harris escreveu sobre mim, publicado no jornal Crux. É o resultado de uma investigação séria da minha história pessoal, mas contém omissões decisivas e alguns erros - não vou me referir a todos.

A omissão mais surpreendente é a seguinte. Ela [Harris] se esqueceu da investigação que fizemos na Arquidiocese de Santiago, como resultado das acusações que recebemos por abusos de consciência e sexualidade pelo padre Fernando Karadima.

Quando esta investigação foi concluída, apareceu um quarto acusador, que declarou ter sofrido, como menor, abusos por parte desse padre. A Congregação para a Doutrina da Fé [no Vaticano] é o único órgão competente para lidar com casos em que menores são afetados.

Por conta disso, enviamos toda a documentação de nossa investigação sobre o padre Karadima para a Congregação, com o julgamento condenatório do Promotor de Justiça, e dois pedidos meus: primeiro, que a sentença chegasse em breve, e segundo, que os estatutos das limitações de seus crimes fossem levantados, de modo que a Congregação emitisse sua sentença de forma verdadeira e justa, de acordo com a gravidade dos crimes.

A Congregação, com base nas informações enviadas - sem demora -, condenou severamente o padre Karadima e rejeitou o recurso apresentado por ele. Isso, de certa forma, demonstra um dos erros do artigo. É claro que não houve encobrimento do padre Karadima. Se eu quisesse esconder seus crimes, nunca teria pedido que o estatuto de limitações fosse suspenso.

Outro erro se refere aos abusos do homem que era chanceler da Cúria arquiepiscopal desde o ano de 2011, padre Oscar Muñoz Toledo. No que me diz respeito, é necessário lembrar que ele não era chanceler enquanto eu era arcebispo de Santiago. Como colaborador dos chanceleres sucessivos que nomeei, fui dependente direto deles.

Em vista das acusações e de sua recente autoincriminação, perguntei àqueles que eram chanceleres na época se haviam recebido qualquer acusação ou denúncia contra o padre Muñoz Toledo. A resposta foi: "nenhuma". Somos difamados pelo artigo quando o mesmo afirma que nos auto cobrimos por crimes que desconhecemos.

É verdade que visitei Luis Fernando Figari, fundador do Sodalitium Christianae Vitae, em Roma. A frase mais popular diz: "Todo mundo faz lenha com uma árvore caída". Quando se trata de seres humanos, eu sou guiado por outro princípio, que é inspirado pelo Evangelho, e que não significa fazer backup de erros ou pecados criminosos, e sim que "A árvore caída deve ser ajudada a se reerguer".

Outro erro está relacionado à comparação injusta que o artigo faz da minha situação com a do ex-cardeal Theodore McCarrick. O tipo de crime [abuso sexual] do qual ele foi acusado na Igreja e que levou o Santo Padre a tirar sua dignidade não tem nada a ver comigo.

Eu me despeço com uma calorosa saudação, pedindo que seja publicado essa correção do artigo.

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