Chile. Noventa investigações canônicas sobre abusos entre 2007 e hoje nunca foram enviadas para a justiça civil chilena e às vezes nem mesmo à Congregação para a Doutrina da Fé. Na mira dos investigadores, o cardeal Errázuriz e D. Goic

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01 Agosto 2018

Agora em algumas paróquias de Santiago frequentadas pelo cardeal F.J. Errázuriz grupos de fiéis pedem em assembleias públicas para evitar novos convites ao cardeal. Procurador Arias: confirmada a destruição de provas como denunciou o Papa.

A informação é publicada por Il sismógrafo, 31-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

No Chile, em decorrência das investigações do Procurador da Região de O'Higgins, Emiliano Arias, que como primeira consequência relevante no caso das hierarquias católicas determinou a convocação nos tribunais da cidade de Rancagua - como réu acusado de ter encoberto abusos sexuais - do arcebispo de Santiago, Cardeal Ricardo Ezzati, agora são previstas pela imprensa chilena prováveis convocações semelhantes ou idênticas por ocultação de abusos, tanto do cardeal emérito da capital, Francisco Javier Errázuriz, membro do Conselho dos 9 cardeais consultores do Papa, como de D. Alejandro Goic, até poucas semanas atrás Presidente da Comissão Episcopal para a prevenção de abuso e para o acompanhamento das vítimas criada em 2011.

Alguns jornais chilenos declaram como certo que esses dois prelados serão chamados pelo Procurador Arias, para responder a muitas perguntas, assim como o cardeal Ezzati na próxima terça-feira, 22 de agosto, sobre eventos pelos quais correm o risco de serem acusados de "ocultamento".

Noventa casos não informados à justiça e alguns nem mesmo para o Vaticano

A nova notícia é esta: os investigadores, no volumoso material impresso e digital apreendido durante as buscas nas sedes do arcebispado de Santiago e de Rancagua, cidade em que é emérito o mons. A. Goic, identificaram com certeza pelo menos 90 investigações canônicas a partir de 2017 até hoje, nenhuma das quais, inclusive aquelas muito graves, jamais foi comunicada à justiça civil no país e, em alguns casos, nem mesmo à Congregação para a Doutrina da Fé (Vaticano). Se for confirmado, trata-se de um fato gravíssimo porque as normas da Santa Sé dizem que, nesses casos, se estiverem envolvidos menores, todos os antecedentes do caso devem ser transmitidos integralmente para a Congregação. (delicta graviora - 21 de maio de 2010 – Bento XVI)

Cardeal Francisco Javier Errázuriz

Os investigadores também afirmam, em especial nos casos do arquivo eclesiástico apreendido no Arcebispado de Santiago, que o número tão elevado de investigações que terminaram em nada, quase sempre trazem a assinatura do Cardeal Francisco Javier Errazuriz, e aqueles de diversos promotores de Justiça da Corte eclesiástica metropolitana. E isso - explicam os jornalistas - significará algo do ponto de vista das responsabilidades. Os investigadores enxergam, nesses casos, uma espécie de conduta metódica que, de fato, configura uma participação em atos ilícitos característica de quem oculta ou encobre.

O Procurador Arias já ressaltou em várias entrevistas recentes que é preciso rastrear toda a cadeia para a identificação das responsabilidades individuais e do papel desempenhado por cada um. Nessa cadeia as pessoas envolvidas por razões diferentes e com atribuições distintas eram muitas e agora, dizem, não deve escapar nenhum nome à análise.

O Procurador Arias, falando ao jornal espanhol El País, disse dias atrás: "Quem está no comando de uma organização e do que acontece no território no caso da igreja? O bispo! Pelas mãos de quem passam todos os relatos de abuso sexual contra meninos, meninas e adolescentes? Por aquelas do bispo! Os bispos conhecem todo o processo”, acrescentou.

Nesse ponto, parece muito claro o pensamento e a estratégia da justiça chilena contra os abusos na Igreja católica local. Com esse modo de pensar e agir os investigadores têm amplo apoio da opinião pública - quase plebiscitário - e até mesmo das autoridades, a começar pelo Presidente da República, Sebastián Piñera.

D. Alejandro Goic

No caso do bispo emérito de Rancagua, D. Alejandro Goic, poderiam se configurar denúncias semelhantes por duas razões: em primeiro lugar, porque, como Presidente da Comissão Episcopal para a prevenção dos abusos e para o acompanhamento das vítimas durante 17 anos, certamente sabia de todas as investigações e denúncias que nunca foram levadas a uma solução e que agora se acredita tenham sido simplesmente arquivadas. Além disso, o bispo Goic enfrenta uma questão específica na sua ex-diocese onde é suspeito de ter recebido inúmeras denúncias e testemunhos sobre condutas inapropriadas de vários sacerdotes e não ter feito nada.

Enquanto isso, nos círculos eclesiásticos, aos repórteres chilenos continua sendo repetido: os sacerdotes, não sendo funcionários públicos, não tinham nenhuma obrigação legal de apresentar denúncias aos tribunais e, ao mesmo tempo se verifica que sempre houve uma forte preocupação da Igreja para proteger as vítimas dos escândalos midiáticos ou problemas processuais.

Dos tribunais, aos jornalistas que informam as posições da igreja, logo chega uma contra-resposta: são argumentos imorais com os quais é possível ocultar inclusive o crime mais horrendo e isso demonstra que para as vítimas não havia nem mesmo um mínimo sentimento de piedade.

Não mais convites para o cardeal Errázuriz ...

Agora a imprensa de Santiago também relata que em algumas paróquias dos bairros mais abastados da capital, através de reuniões públicas internas, foi decidido pedir aos párocos não mais convidar o Cardeal Francisco Errázuriz. Especificamente, os fiéis de Macul e Ñuñoa pediram ao pároco, Sebastian Vial, da paróquia de "Santo Tomás Moro", para não convidar mais o cardeal, pois muitas vezes "na homilia de suas missas, ele tenta desacreditar as missões de D. Charles Scicluna e Jordi Bertomeu. o Cardeal Errázuriz tenta redimensionar a gravidade da situação, do nosso drama, da crise que estamos vivendo, repetindo sempre que tudo isso é um exagero", disse ao jornal La Tercera, Pauline Saintard, frequentadora da paróquia de Santo Agostinho.

Confirmado: foram destruídas algumas provas de abuso

Ontem, além disso, o Procurador Arias depois de ter lançados algumas hipóteses, confirmou como fatos comprováveis juridicamente, a "destruição pelos responsáveis da igreja de provas em alguns casos de abuso". O Procurador disse que não estava surpreso porque, "na página 9 da carta do Papa aos bispos do Chile" (entregue pessoalmente no Vaticano na tarde de 15 de maio) isso era denunciado pelo próprio Francisco.

Na verdade, o Papa escreve: "Outra circunstância similar que me causou preocupação e vergonha foi a leitura das declarações que comprovam pressões exercidas sobre aqueles que deveriam conduzir a instrução dos processos penais, ou até mesmo a destruição de documentos incriminatórios por parte de encarregados dos arquivos eclesiásticos, evidenciando, assim, uma absoluta falta de respeito pelo procedimento canônico e, mais ainda, práticas censuráveis que deverão ser evitadas no futuro."(ponto 2 da nota de rodapé nº 24)

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