Chile: cardeal Ezzati é investigado por suposta ocultação de abuso sexual em dois casos graves

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19 Julho 2018

Nessa terça-feira, 17, no Chile, à Rádio T13, o procurador Emiliano Arias, da região de O’Higgins, confirmou que o arcebispo de Santiago, o cardeal Ricardo Ezzati, à frente da arquidiocese em regime de prorrogação, está sendo investigado por supostas ocultações em alguns conhecidos casos de pedofilia por parte de membros do clero, especialmente dois: no caso do ex-chanceler da arquidiocese, Pe. Oscar Muñoz Toledo, atualmente na prisão e, depois, também, no caso conhecido como “La Familia”, na cidade de Rancagua, ou seja, uma organização de sacerdotes que traficavam atividades homossexuais e pedófilas de modo sistemático e programado há alguns anos, caso denunciado aos tribunais pelo emérito Alejandro Goic.

A reportagem é de Il Sismografo, 18-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para Arias, nesses dois casos, poderiam ser encontrados elementos suficientes que “configuram o crime de ocultação”. No caso específico do Pe. Oscar Muñoz Toledo, o procurador afirmou que é um fato agora, e não pode ser desmentido de modo algum, que a Igreja estava ciente de que havia mais vítimas de abuso e não apenas o menor parente que aparecia na autodenúncia do Pe. Muñoz Toledo em janeiro passado.

Além disso, ele especificou que considera muito grave que a Igreja de Santiago não tenha feito a denúncia necessária junto aos tribunais comuns, limitando-se a tratar a questão apenas nas suas estruturas internas.

A Justiça, neste caso, e assim será a partir de agora, agiu por conta própria justamente porque o arcebispado não parecia capaz de reagir. Nessa linha, observou Arias, “qualquer organização, seja ela a Igreja Católica ou uma instituição privada, não pode ser dispensada do dever moral e cívico de denunciar perante a Justiça civil fatos tão graves como os ataques sexuais contra menores”.

Arias afirmou ainda que “uma pequena modificação legal seria saudável para obrigar que os sacerdotes denunciem esse tipo de crime, assim como é para outros profissionais, como os professores”.

Por fim, Arias ressaltou que, no caso de Ricardo Ezzati, está sendo investigado o seu papel nesses casos, na busca de esclarecer com severidade o que o cardeal sabia e o que não sabia. “Estamos abertos a todas as hipóteses”, acrescentou, no fim.

Enquanto isso, a imprensa chilena recorda que esta não é a primeira vez que o cardeal Ezzati é acusado de fatos semelhantes, ou seja, de ocultação e encobrimento. O advogado de algumas das vítimas de Fernando Karadima, ex-pároco de El Bosque, Dr. Juan Pablo Hermosilla, tentou há alguns anos um processo por acobertamento contra Ezzati e também contra o ex-arcebispo de Santiago, o cardeal Francisco Javier Errázuriz, mas a prescrição dos crimes bloqueou tudo.

Depois, Hermosilla observou: “Embora seja verdade que o cardeal Ezzati não era obrigado a denunciar, o seu comportamento em torno dos abusos foi o de impedir que fossem conhecidos pela comunidade e pela Justiça criminal”.

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