Chile: Igreja deve colaborar com a Justiça em casos de abuso, diz enviado papal

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14 Junho 2018

O arcebispo maltês Charles Scicluna, enviado especial do Papa Francisco ao Chile, destacou hoje que a Igreja Católica deve colaborar com a Justiça nos casos de abusos sexuais de menores.

A reportagem é publicada por La Vanguardia, 13-06-2018. A tradução é de André Langer.

“Os abusos de menores não são apenas um crime canônico; são também uma ofensa civil. O bem comum da Igreja e da sociedade convergem na tutela dos menores, o que é um valor muito importante”, disse Scicluna em entrevista coletiva em Santiago.

Quase ao mesmo tempo em que o arcebispo fez essas declarações, a Promotoria de Justiça da Região de O'Higgins fez uma apreensão de documentos canônicos nas dependências da Igreja em Santiago e Rancagua.

As diligências, lideradas pelo promotor Emiliano Arias, se dão no contexto da investigação de uma presumível irmandade de padres, chamada La Familia, que cometeu abusos sexuais e condutas impróprias contra menores e jovens na diocese de Rancagua, localizada a 90 quilômetros ao sul de Santiago.

O escândalo veio à tona no mês passado e a primeira medida tomada pela Igreja foi suspender 14 sacerdotes daquela diocese por supostas ligações com a rede de abusos.

Scicluna enfatizou hoje que os processos canônicos não devem impedir os cidadãos de exercer seu direito de denunciar perante a autoridade civil.

“Em um contexto ideal, há colaboração entre a Igreja e a autoridade civil, porque a inocência dos menores é um valor essencial para toda sociedade”, insistiu Scicluna.

O arcebispo Scicluna e o padre espanhol Jordi Bertomeu, o segundo envio especial do Papa ao Chile, participaram de um seminário nesta quarta-feira de um seminário para a formação de canonistas de cúrias diocesanas do Chile.

Ainda nesta quarta-feira, eles se reunirão com o promotor federal, Jorge Abbott, e com os procuradores regionais Raúl Guzmán (Promotoria Sul), Emiliano Arias (O´Higgins) e Mauricio Richard (Maule), provavelmente para falar sobre os procedimentos realizados em Santiago e Rancagua.

Os dois enviados do Papa chegaram ao Chile na terça-feira para realizar uma missão pastoral e continuar a investigação dos casos de abusos sexuais que envolvem o clero chileno.

Nesta quinta-feira viajarão para Osorno, a 942 quilômetros ao sul de Santiago, onde permanecerão até domingo, quando retornarão à capital.

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