Chile. Padre removido faz acusações contra bispo e ordinariato militar é investigado pela polícia

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13 Agosto 2018

Um ex-padre chileno nega acusações de abuso sexual, apesar de uma decisão do Vaticano insistir que foi um de seus bispos, e não ele.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 11-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

O ex-padre Jaime da Fonseca disse que o bispo Gonzalo Duarte está tentando "limpar a imagem" às suas custas. Da Fonseca foi removido do Ministério Sacerdotal pela Congregação para o Clero do Vaticano no início deste ano.

Segundo declaração da diocese de Valparaíso, a Congregação recebeu o relatório de uma investigação em maio apresentado por Duarte, acusado não apenas de encobrir padres como Da Fonseca, mas também de ter, ele próprio, cometido abusos.

O Papa Francisco aceitou a renúncia de Duarte no mês de junho, embora o Vaticano nunca tenha esclarecido se foi devido ao fato de ter completado 75 anos - quando é obrigatório que todo bispo apresente sua renúncia -, ou por conta das alegações.

Em maio, todos os bispos chilenos apresentaram suas renúncias a Francisco depois de ele afirmar ter provas de que alguns bispos são culpados não apenas de um "encobrimento sistêmico", mas também de destruir provas e outras acusações.

O Crux obteve uma carta datada de 10 de outubro de 2008, na qual outro bispo reconheceu uma das supostas vítimas e que há denúncias contra Duarte na Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), do Vaticano - que lida com crimes de abuso sexual clerical contra menores.

A declaração feita pela diocese de Valparaíso contém um “lembrete” dizendo que a Congregação para o Clero lida apenas com a disciplina eclesiástica, sendo responsabilidade da CDF os casos de abuso.

Várias alegações contra Da Fonseca foram tornadas públicas, não apenas de abuso sexual, mas também de poder e consciência. Não está claro por que seu caso foi analisado pela Congregação para o Clero e não pela CDF. Uma das vítimas conversou com o Crux e relatou que o ex-padre abusou dele quando ainda era menor de idade.

Em uma carta enviada ao jornal chileno Mercurio de Valparaíso - onde está a diocese em que ocorreu o abuso e o encobrimento citado -, Da Fonseca diz que “nega qualquer tipo de ação que envolva um sentido genital”. Ele também nega que tenha fugido para o Peru tentando assim evitar um julgamento civil: “Ainda estou no Chile”, afirmou Da Fonseca.

O ex-padre também diz que Duarte “conseguiu o que queria: tentar limpar sua imagem às custas dos outros”.

“O bispo não me permitiu defesa”, ressaltou Da Fonseca.

"Ele diz que enviou meu histórico para a Congregação para o Clero, mas não é verdade", escreveu ele em sua carta. “Fui eu quem informou ao prefeito da Congregação que o bispo havia sido imprudente. Mas eu fui corrigido por Roma: ‘Não é uma imprudência, é um crime chamado de prevaricação e abuso de autoridade’”, disse Da Fonseca citando a carta do Vaticano.

Da Fonseca até agora é conhecido como o "Karadima da região de Valparaíso", em referência ao padre Fernando Karadima, o padre pedófilo mais infame do país, que em 2011 foi condenado pelo Vaticano a uma vida de penitência e oração.

Apesar de seu ataque contra o bispo, Da Fonseca disse que não acredita nas acusações, que como Crux informou no início desta semana, incluem abusos de poder e de consciência com uma conotação sexual - ele é acusado de pedir a pelo menos um ex-seminarista para massagear suas costas enquanto ambos estavam sozinhos na residência do bispo.

Crux falou com uma das vítimas de Da Fonseca. “Quando falei com Duarte no começo de junho, ele me contou que ouviu denúncias de mais de 70 pessoas contra o padre Jaime Da Fonseca [que servia como diretor espiritual], mas que ele nunca acreditou nelas”, disse o sobrevivente - um ex-seminarista - que preferiu não revelar sua identidade, na semana passada.

Uma segunda vítima, Mauricio Pulgar, falou com o Crux sobre os abusos de outro padre, também da diocese de Valparaíso. No entanto, ele mencionou Da Fonseca tanto na entrevista como na sua queixa formal às autoridades eclesiais em 2012.

Na queixa, ele disse que durante os dois anos que estava no seminário, quando o ex-padre era seu diretor espiritual e confessor, Da Fonseca supostamente se colocava de pé ao lado de Pulgar sentado, para que quando chegasse a hora de conceder a absolvição, de acordo com o sobrevivente, o padre empurrasse sua cabeça para os próprios genitais.

“Eu resisti porque não era normal. Mas por conta de minha atitude rebelde, ele me qualificou como alguém com problemas afetivos”, escreveu Pulgar.

Ordinariato militar também sob investigação

Nas últimas semanas, várias dioceses chilenas, incluindo Santiago, capital do país, foram invadidas por autoridades civis como parte de investigações em andamento, tanto por abuso quanto por encobrimento, já que a maioria dos crimes nunca foram denunciados à polícia.

Na quinta-feira, o ordinariato militar do país viu policiais e funcionários da promotoria regional chegando com caixas que foram preenchidas durante uma operação de seis horas.

O ordinariato militar é um "organismo do Estado, e faz parte das Forças Armadas", disse o promotor Miguel Ángel Velásquez, acrescentando que "todo servidor público que tem conhecimento de um crime" é obrigado a denunciá-lo.

Isso se aplica tanto ao atual bispo militar Santiago Silva como a seu antecessor, dom Juan Barros.

Barros é um dos quatro bispos membros do antigo círculo íntimo de Karadima. Francisco o tirou do cargo - depois de o defender publicamente -, afirmando alegações de que ele havia encoberto crimes de difamação, realizados por seu mentor.

Silva, ainda no cargo e atualmente presidente da Conferência dos Bispos Chilenos, foi acusado de encobrir pelo menos dois padres em Valparaíso durante seu período como bispo auxiliar. Duas das vítimas que conversaram com o Crux nos últimos dias disseram que haviam informado Silva após terem sido abusadas.

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