Chile. O Papa aceita a renúncia de Barros e de outros dois bispos

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12 Junho 2018

Tomou posse da diocese no dia 21 de março de 2015, entre polêmicas, críticas e questionamentos devido a sua proximidade com o poderoso sacerdote Fernando Karadima, culpado por crimes contra menores. E hoje, depois de a ter rejeitado em duas ocasiões, o Papa Francisco aceitou a renúncia do bispo Juan de la Cruz Barros Madrid ao governo pastoral da Diocese de Osorno. Chegará para o substituir, na qualidade de Administrador Apostólico “sede vacante et ad nutum Sanctae Sedis” (até que a Santa Sé não disponha outras indicações), dom Jorge Enrique Concha Cayuqueo, atual Auxiliar de Santiago.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio e Pablo Lombó, publicada por Vatican Insider, 11-06-2018. A tradução é do Cepat.

Com esta nova decisão, divulgada em um breve comunicado pela Sala de Imprensa vaticana, Francisco dá outro passo para responder à crise dos escândalos da pedofilia e dos acobertamentos por parte do clero chileno.

No dia 8 de abril deste ano, após estudar o relatório feito pelo arcebispo maltês Charles Scicluna e o sacerdote espanhol Jordi Bertomeu, Francisco escreveu uma primeira carta pedindo perdão às vítimas e ao povo chileno, e afirmou ter atuado com “falta de informação verdadeira e equilibrada”, referindo-se à defesa que havia feito do bispo Barros, durante sua viagem ao Chile, em janeiro. “No que me diz respeito, reconheço e assim quero que o transmitam fielmente - pedia por escrito o Papa aos fiéis chilenos -, que incorri em graves erros de avaliação e percepção da situação, especialmente por falta de informação verdadeira e equilibrada. E desde já peço perdão a todos aqueles que ofendi e espero poder fazer isso pessoalmente, nas próximas semanas, nas reuniões que terei com os representantes das pessoas entrevistadas”.

Posteriormente, todo o episcopado chileno foi convocado ao Vaticano para analisar profundamente a situação, em um espírito de penitência e de reconhecimento das próprias faltas, sobretudo frente às vítimas dos abusos. Ao concluir as reuniões com o Pontífice argentino, todos os bispos chilenos (34 no total) apresentaram suas renúncias ao Papa para que pudesse livremente decidir sobre o destino da Igreja chilena. E, agora, começam a ser delineadas as medidas que mudarão o rosto do episcopado do país.

A destituição de Barros foi anunciada a poucas horas de o arcebispo Scicluna, especialista em investigações canônicas sobre abusos de menores por parte de religiosos, e o oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, Bertomeu, partirem novamente para o Chile. Agora, a missão destes dois delegados vaticanos se concentrará precisamente na Diocese de Osorno (diferente do alcance de sua primeira viagem, que foi em nível nacional), para onde, segundo apontam fontes do sítio especializado Il Sismografo, o bispo Barros não voltou desde que viajou a Roma com o restante do episcopado chileno.

Apesar de a notícia da renúncia do bispo ter circulado em ambientes no Chile desde a sexta-feira passada, pensava-se que o Pontífice poderia tomar uma decisão após a viagem de Scicluna e Bertomeu, que retornarão a Roma no próximo 19 de junho. Evidentemente, o trabalho dos dois delegados vaticanos vai muito além de identificar as responsabilidades de Juan Barros e pretende desmantelar essa “cultura de abuso, acobertamento e psicologia de elite” que parece reinar no Chile, segundo denunciou o próprio Pontífice em suas cartas ao episcopado e ao povo chileno.

A destituição de Barros era precisamente o que pediam com insistência e constantes protestos os fiéis da Diocese de Osorno, há três anos, quando Bergoglio o nomeou para o comando do governo pastoral da diocese, após 11 anos de ordinário militar. Assim, ao longo de todo este tempo, nasceu a associação Organização de Leigos e Leigas de Osorno, que acaba de encerrar uma de suas reuniões anuais e apontou, mediante o porta-voz, Juan Carlos Claret Pool, que aplaude a decisão de aceitar a renúncia de Barros, mas também afirma que se perdeu muito para se alegrar. A busca da verdade, da justiça e da reparação por parte da Igreja deve continuar, e sem diluir “as responsabilidades penais”.

E precisamente é o que farão Scicluna e Bertomeu ao aterrissar no Chile, pois ainda há muito trabalho a ser feito. O Papa, após ter se reunido pessoalmente com as três principais vítimas de Karadima (Cruz, Hamilton e Murillo) e com os sacerdotes vítimas de abusos sexuais e psicológicos, na residência Santa Marta, decidiu que era necessário enviar novamente seus delegados ao Chile para que continuem investigando.

Os leigos de Osorno apreciam esta decisão, pois consideram que esta nova visita representa “um momento único que pode servir como exemplo para todo o mundo”. Sua presença em Osorno demonstra “que se compreende que o problema não se resolve somente mudando as pessoas”, apontaram. Contudo, ao mesmo tempo, perguntam-se qual será o destino do bispo de 62 anos, Juan Barros: será transferido para outra diocese?; continuará com o trabalho pastoral?; trabalhará com pessoas vulneráveis?. É possível que a resposta chegue quando Scicluna e Bertomeu tiverem encerrado sua missão.

Enquanto isso, Juan Carlos Cruz, uma das vítimas do abusador em série Karadima, escreveu no Twitter: “Começa um novo dia na Igreja Católica do Chile! Saem três bispos corruptos e seguirão mais. Emocionante para tantos que lutaram para ver este dia. O bando de bispos delinquentes @episcopado_cl começa a se desintegrar hoje!”.

Além de ter aceitado a renúncia de Barros da Diocese de Osorno, o Papa também aceitou as renúncias de dom Cristián Caro Cordero (arcebispo de Puerto Montt) e de dom Gonzalo Duarte García de Cortázar (arcebispo de Valparaíso), por motivos de idade, pois os dois já têm mais de 75 anos.

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