Assembleia Sinodal alemã atrai elogios e críticas dos participantes

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05 Fevereiro 2020

A primeira Assembleia Sinodal sobre o futuro da Igreja Católica na Alemanha atraiu tanto elogios quanto algumas críticas, com muitos dos 230 participantes louvando o que chamaram de uma atmosfera especial dos debates em torno dos temas centrais de reforma.

A reportagem é publicada por Catholic News Service, 04-02-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O Cardeal Reinhard Marx, presidente da conferência episcopal alemã, disse que o espírito das falas foi “positivo e animador” e se referiu ao processo do caminho sinodal como um “experimento espiritual”, segundo a agência noticiosa católica alemã KNA.

Thomas Sternberg, presidente da Comissão Central dos Católicos Alemães, que representa os leigos, disse: “Ninguém está desafiando a piedade dos outros aqui”. Uma “nova imagem de Igreja” foi o que se viu nos debates em Frankfurt, disse ele.

Mas houve críticas também, especialmente por parte do cardeal-arcebispo de Colônia, Dom Rainer Maria Woelki, quem afirmou: “Na verdade, todos os meus temores se confirmaram”. O religioso falou que este Caminho Sinodal instalara uma forma de parlamento religioso protestante, e os delegados que se mostravam céticos quanto ao processo de reforma acharam difícil de serem ouvidos.

Em entrevista ao KNA, o cardeal também falou que os debates da Assembleia estiveram prejudicados por deficiências teológicas.

“A impressão que tenho é que grande parte do que pertence à doutrina teológica não é mais compartilhado aqui entre nós e, pelo contrário, uns acreditam que podemos modelar a Igreja de uma forma completamente nova e diferente”, disse ele. Muitos argumentos apresentados não eram compatíveis com a fé e o ensino da Igreja universal, acrescentou.

A Assembleia Sinodal é o organismo deliberativo mais alto do caminho sinodal, que é um esforço encabeçado pela Conferência dos Bispos da Alemanha e pelo Comitê Central dos Católicos Alemães para restaurar a confiança após o relatório encomendado pela Igreja, em setembro de 2018, que detalhou milhares de casos de abusos sexuais cometidos pelo clero católico durante seis décadas. Observadores católicos de oito países vizinhos bem como delegados de outras denominações e igrejas monitoraram a Assembleia Sinodal em Frankfurt, realizada entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro.

Dom Stefan Ackermann, da Diocese de Tréveris, e porta-voz da Conferência dos Bispos da Alemanha para questões de abuso sexual, contou à Assembleia que o tratamento dispensado pela Igreja ao problema havia melhorado grandemente e que se tornou mais eficiente. Informou ainda que viu acontecer um progresso desde a publicação do estudo sobre os casos de abuso sexual, em 2018. Desde o começo de 2020, as diretrizes para lidar com os casos de abuso, e preveni-los, possuem um status de lei canônica em todas as dioceses do país.

Outros comentários feitos por delegados na Assembleia mostraram que ainda restam dúvidas e que novas questões surgiram. Estas incluem o abuso espiritual e sexual de membras das ordens religiosas; a linha entre os dois é tênue, disse a irmã beneditina Philippa Rath. E Dom Ludwig Schick, da Arquidiocese de Bamberg, salientou que o direito canônico só pode ser aplicado como um acréscimo ao direito criminal civil, mas sugeriu que, no futuro, os padres possam também ser punidos com reduções salariais e outras medidas disciplinares. Ele falou que uma legislação correspondente poderá ser apresentada este ano e votada pela Conferência dos Bispos.

Nos debates sobre o celibato, a moralidade sexual católica e a divisão do poder, ficou evidente que uma grande maioria dos participantes acreditava que mudar é necessário.

A Igreja ensina que os homossexuais “devem ser aceitos com respeito, compaixão e sensibilidade” e que “todo sinal de discriminação injusta em relação a eles deve ser evitado”. Mas o Catecismo também descreve uma inclinação homossexual como “objetivamente desordenada” e os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados”, porque a homossexualidade “só se realiza de maneira verdadeiramente humana se for parte integrante do amor com o qual homem e mulher se comprometem totalmente um para com o outro até a morte”.

Mas Dom Stefan Hesse, da Arquidiocese de Hamburgo, se distanciou da doutrina católica sobre a homossexualidade. Ele falou que a Igreja desrespeita os homossexuais e que não está fazendo justiça aos parceiros homoafetivos que adotam valores como fidelidade, respeito e responsabilidade em seus relacionamentos.

Dom Franz Jung, da Diocese de Wurzburg, disse que percebeu um espírito construtivo nos debates. Os participantes não buscaram descartar a doutrina católica, mas sim encontrar formas de fazê-la progredir, crescer, segundo ele.

Dom Karl-Heinz Wiesemann, da Diocese de Speyer, pediu uma mudança cultural na forma de lidar com o poder na Igreja.

“Precisamos de uma maior transparência e responsabilização com respeito ao exercício do poder; precisamos de um controle estruturalmente seguro e da participação de todo o Povo de Deus”, disse o religioso à KNA. Em seguida, declarou que ficou impressionado com a atmosfera de abertura presente no encontro de três dias e que se sentiu otimista por “podermos alcançar resultados sensíveis nestes dois anos”.

O grupo We Are Church [Nós Somos Igreja], que advoga mudanças na Igreja, descreveu o encontro com um “começo esperançoso que, no entanto, também deu sinais dos obstáculos que desafiam este novo tipo de processo de reforma”. Os temas para as reformas estão, agora, postos claramente.

A próxima Assembleia Sinodal acontecerá em Frankfurt entre os dias 3 e 5 de setembro, e a primeira assembleia concordou com as regras procedimentais e de composição dos quatros grupos de trabalho.

Compostos por 35 membros cada um, os grupos procederão com as discussões nos quatros fóruns do debate sobre as reformas: poder, existência sacerdotal, moralidade sexual e o papel da mulher.

Marx disse que informará o Papa Francisco, em sua visita neste mês de fevereiro a Roma. Falou que o espírito dos debates foi “positivo e animador”.

Observadores internacionais disseram que este caminho sinodal impactará a Igreja fora da Alemanha também. Aproximadamente 145 jornalistas estiveram credenciados para a Assembleia Sinodal, refletindo o interesse intenso da imprensa neste processo.

 

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