Carta do Papa aos bispos alemães provoca diferentes respostas

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03 Julho 2019

O papa Francisco apelou a todos os católicos alemães para que não se distanciassem da Igreja mundial no processo sinodal que decidiram embarcar no início deste ano. Em sua plenária, em março, os bispos alemães decidiram adotar um “procedimento sinodal obrigatório” para reduzir o poder clerical e abordar o abuso sexual clerical e o atual estilo de vida sacerdotal. A Igreja alemã tem sofrido um esvaziamento de fiéis, e o processo destina-se a resolver essa grave preocupação.

A reportagem é publicada por The Tablet, 01-07-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

No entanto, o papa lembrou os bispos que eles precisam andar em sintonia com a Igreja universal. Em sua carta dirigida ao “Povo Itinerante de Deus na Alemanha”, publicada na festa de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho, o Papa diz que, na sua opinião, o “procedimento sinodal vinculativo” alemão está na tradição do Concílio Vaticano II.

Uma reforma “estrutural”, simplesmente mudando para se adaptar aos tempos modernos, reagindo a “dados ou demandas externas”, não é o caminho a seguir, diz o Papa. A Igreja estava passando por um período de transição fundamental e chegou ao ponto de virada. Era, portanto, essencial reconhecer os sinais dos tempos sem ajustar-se demais ao Zeitgeist. Francisco queria "fazer sua proximidade no caminho comum conhecido" e encorajar intercâmbios "francos".

O primeiro a comentar a carta do papa foi o presidente da conferência, o cardeal Reinhard Marx, e o presidente da ZdK, Thomas Sternberg, que em conjunto agradeceram ao Papa por suas “palavras e orientações encorajadoras”. A carta “convida a nós, bispos e leigos, representantes católicos, a continuarmos com o procedimento sinodal em que nos propusemos”, disseram eles.

Em março, os bispos decidiram que o procedimento sinodal seria organizado em conjunto com o Zentralkomitee der deutschen Katholiken [em tradução livre: Comitê Central dos Católicos Alemães] (ZdK), a maior associação de católicos leigos na Alemanha, com vários milhões de membros.

Ficou evidente na carta do papa que a Igreja deve continuar a ser uma forte força espiritual na Alemanha. Se o procedimento sinodal vinculativo fosse, portanto, um sucesso, ele também deveria ter uma orientação espiritual e não constituir mais do que debates, no que tange a mudanças estruturais, aceitaram Marx e Sternberg.

A declaração terminava com a informação de que a carta do papa seria discutida em detalhes no dia 5 de julho pelos bispos e pela ZdK, em uma conferência conjunta. "Vamos usar esta carta como uma diretriz para o nosso caminho comum e refletir sobre ela intensamente à medida que avançamos “, afirmaram.

A resposta do cardeal Rainer Maria Woelki, de Colônia, teve diferente ênfase. Ao apontar que a crise da Igreja foi, antes de tudo, uma crise de fé, o papa Francisco refletiu seus próprios sentimentos, disse Woelki. A ênfase do papa na “primazia da evangelização” havia “acertado em cheio a cabeça”, enfatizou o cardeal. “O Papa fala de coração quando diz que 'a evangelização não é uma nova tática por parte da Igreja no mundo de hoje... não é um retoque para ajustar a Igreja ao Zeitgeist… Não, a evangelização é um caminho de discipulado, em resposta ao amor d’Aquele que primeiro nos amou'”.

Já em fevereiro, durante as discussões que antecederam a plenária de março, Woelki alertou contra “jogar tudo ao mar e inventar uma nova Igreja”. Ele disse também disse que a Igreja não deve abolir a regra do celibato ou ordenar mulheres sacerdotisas, e lembrou que os bispos tinham o dever especial de preservar o depósito da fé.

A carta do papa foi de encorajamento e desafio, disse o bispo Franz-Josef Bode, de Osnabrück. “Ele nos desafia a não perder de vista o grande horizonte da evangelização e a vida da Igreja Universal. Nosso modo de diálogo deve estar aberto a todos os níveis da Igreja, e não devemos nos concentrar em apenas um nível em nosso país ou diocese”.

O vigário geral de Regensburg, Michael Fuchs, disse que não poderia continuar o procedimento sinodal após a carta do Papa. “Na realidade, a carta nos incita a empreender um procedimento completamente novo, orientado para a evangelização e a renovação espiritual - procedimento não baseado em ajuste, mas em Deus”, sublinhou.

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