Bispo alemão convida à reflexão sobre a possibilidade de abençoar uniões homossexuais

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20 Janeiro 2018

Franz-Josef Bode, bispo católico de Osnabrück (Alemanha), convida a refletir sobre a benção aos casais do mesmo sexo. Na entrevista, Dom Bode também fala da presença de padres estrangeiros na sua diocese e do diaconato feminino.

A reportagem é de Stefanie Witte, publicada no jornal Neue Osnabrücker Zeitung, 10-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Senhor bispo, na homilia do início do ano, o senhor pediu que se reconheçam os sinais dos tempos também a propósito de matrimônio e sexualidade. O que quer dizer concretamente?

Refiro-me a questões fundamentais inerentes ao matrimônio e às relações de casal. Por exemplo, embora o “casamento homossexual” seja claramente diferente do conceito de matrimônio sacramental da Igreja Católica, agora ele é uma realidade política. Então, devemos nos perguntar como vamos ao encontro daqueles que fazem essa escolha e que também estão parcialmente envolvidos na Igreja. Como os acompanhamos pastoral e liturgicamente? Como podemos ser próximos a eles?

Quais possibilidades o senhor vê?

Sempre se deve pensar em qual foi o caminho anterior da Igreja. Alguém poderia dizer: o que essas uniões têm a ver com a Igreja? Mas, muitas vezes, na Igreja Católica, um relacionamento homossexual é classificado, acima de tudo, como um pecado grave. Por isso, devemos pensar em como avaliar de forma diferente uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo. Não existem, nessas uniões, coisas positivas, boas e justas que façam com que devamos levá-las mais em consideração? Por exemplo, é possível pensar em uma benção para esses casais, que não deve ser confundida com uma cerimônia de matrimônio.

Já foi feito o suficiente sobre esse assunto?

Quero dizer que, na Igreja Católica, ainda devemos discutir sobre isso com mais detalhes. O silêncio e o tabu, até agora, não nos ajudaram a avançar e nos deixam desorientados.

Outro desafio é a falta de padres e as comunidades que diminuem. Como o senhor pensa em combater essa tendência?

No futuro, se continuarmos tendo pouquíssimos candidatos à ordenação, ainda mais deveremos permitir e encorajar todos os fiéis a falarem sobre a sua fé e a assumirem mais responsabilidades. Os batizados e os crismados não devem simplesmente esperar por um padre ou um diácono, mas devem poder falar sobre a própria fé e compreender o seu significado. Falamos muito de estruturas, mas a questão mais profunda está por trás delas: que relação as pessoas estabelecem com uma fé que dá uma resposta às suas demandas existenciais?

Como o senhor acha que conseguirá realizar isso?

Em primeiro lugar, formando equipes comunitárias de voluntários, para que a comunidade continue tendo um rosto mesmo sem a presença constante de padres em tempo integral. Em segundo lugar, os coordenadores de pastoral devem aliviar cada vez mais os párocos, lidando com as questões de organização e pessoal. Isso será implementado agora em cerca de 20 comunidades da minha diocese. E, em terceiro lugar, queremos começar a nomear responsáveis paroquiais que devem assumir funções de liderança nas comunidades. Então, um padre acompanhará uma unidade pastoral, mas não é necessário que ele esteja sempre presente. Aliás, esses responsáveis paroquiais claramente também podem ser mulheres.

Abordemos o tema “mulheres”. O senhor convidou várias vezes a se falar do diaconato feminino. Desde 2016, há uma comissão sobre esse tema no Vaticano. Mas o assunto não parece ser particularmente sentido...

A questão é mais complexa do que se pensa. Em primeiro lugar, o diaconato – assim como o conhecemos agora para os homens – não pode ser simplesmente transferido para as mulheres. Em segundo lugar, a comissão vaticana está estudando a fundo a tradição. Mas acho que não devemos nos referir apenas à tradição. Também devemos levar em conta o fato de que, hoje, as mulheres desempenham em grande parte, atividades de grande responsabilidade na Igreja. Eu espero que, sobre isso, haja um diálogo entre especialistas nessa área e os bispos encarregados do assunto na Conferência Episcopal Alemã e, na medida do possível, também ter um contato com o grupo que lida com essas questões em Roma. No fim, um concílio ou um sínodo terá que decidir sobre essa questão.

Como os seus colegas bispos da Conferência Episcopal Alemã reagem sobre esse assunto?

Basicamente, eles consideram muito relevante a questão do diaconato feminino. A seriedade da pesquisa teológica não pode ser posta em questão. Mas eu também acho que a Conferência Episcopal deve discutir mais sobre esse assunto.

Outra tentativa de preencher as lacunas é trazer padres estrangeiros para a Alemanha. Às vezes, os fiéis se lamentam dos obstáculos linguísticos e das diferenças culturais. A diocese de Osnabrück também utiliza sacerdotes indianos há cerca de 10 anos. Que conclusões o senhor tira disso hoje?

Acima de tudo, estamos felizes com a presença dos sacerdotes indianos – cerca de 30 padres estão presentes na diocese de Osnabrück. Ao lado deles, também temos cerca de 150 irmãs indianas. Sem eles, não seríamos capazes de manter a organização diocesana na sua forma atual. O problema não é nem a cor da pele, nem a diferença cultural. A maior dificuldade é a barreira linguística. Assim como aprender indiano seria muito difícil para nós, assim também, para alguns padres, a pronúncia precisa em alemão é difícil. Quanto ao cuidado pastoral, os padres geralmente são muito abertos, mas também nisso, às vezes, há limites.

Como se procederá no futuro sobre esse tema dos padres indianos?

Estou convencido de que não podemos remediar a nossa escassez importando padres do mundo em geral. Todos os papas das últimas décadas falam da inculturação do Evangelho – isto é, da adaptação às condições culturais existentes. Isso também vale para nós e para a nossa situação. Além disso, surge a questão da relação numérica. Atualmente, de cerca de 150 padre aqui entre nós, 30 vêm da Índia. Não queremos exceder esse nível.

A esse respeito, existem coisas que o senhor faria diferente hoje em comparação com o início?

Sim, aprendemos com a experiência. Por exemplo, a qualificação deve ser contínua. Não basta aprender uma língua uma vez. É preciso sempre progredir linguisticamente. Uma coisa é fazer um sermão. Mas, depois, nas conversas de tipo pastoral e nas confissões, não existe mais um texto manuscrito à disposição. Então, as coisas ficam mais difíceis. Além disso, também é preciso uma atualização cultural. Se você quiser trabalhar aqui, precisa se adequar às situações locais. E isso também diz respeito ao comportamento em relação aos leigos.

Passemos para outro assunto: o ano de Lutero terminou. O que o senhor acha que resta da aproximação ecumênica?

A comemoração da Reforma foi um ano positivo para o ecumenismo. Fizemos grandes celebrações juntos, e eu diria que subiu o nível das relações. Com base nisso, será mais fácil falar também de questões mais difíceis.

Quais?

Em primeiro lugar, o modo como entendemos a unidade. Depois, é preciso refletir sobre a Eucaristia e sobre o papel da Igreja, e também sobre os diversos casamentos inter-religiosos e a questão da hospitalidade eucarística. Eu realmente espero que, neste ano, demos um passo à frente. Também sobre questões éticas complexas, seria útil se encontrássemos um acordo melhor.

Mas os bispos alemães não podem simplesmente decidir sozinhos sobre certos assuntos. Qual a influência da Igreja Católica alemã sobre o tema do ecumenismo?

Eu realmente acredito que a Igreja universal olha com atenção para o país da Reforma. Sobre isso, a teologia é muito diferenciada aqui. As Igrejas europeias e, especialmente, a Igreja alemã desempenham um papel particular nesse sentido.

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