Alemanha e o Caminho Sinodal. “Não deveríamos nos lamentar nostalgicamente pelos tempos passados”. Entrevista com Thomas Sternberg

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20 Janeiro 2020

Em 30 de janeiro começa em Frankfurt o trabalho sobre o conteúdo do diálogo de reforma na Igreja católica. O presidente do Comitê Central de Católicos Alemães (ZdK), Thomas Sternberg, explica o que ele considera que a iniciativa, prevista para durar dois anos, terá que realizar.

A entrevista é de Joachim Heinz, publicada por Dom Radio Alemanha, 17-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Dentro de alguns dias, vai se iniciar o trabalho sobre os conteúdos do Percurso Sinodal. Qual é sua expectativa antes do início do evento, até agora único na história da Igreja universal?

Uma mistura de ansioso aguardo e otimismo - sem euforia. Minha esperança é que o Caminho Sinodal possa dar nova credibilidade à Igreja Católica. Os conservadores veem isso de forma mais cética - por exemplo, alguns representantes do Fórum dos católicos alemães nem sequer pretendem participar.

Já convidei há tempo o Fórum dos católicos alemães para aderir ao Zdk (Comitê Central de católicos alemães). Não somos uma associação revolucionária, simplesmente representamos um amplo espectro de pessoas que se empenham na Igreja. Além disso, considero exagerada a percepção de que há muita gente contra o Caminho sinodal.

Por quê?

Porque é muito reduzido o número de pessoas que não gostam de toda a orientação. Pelo contrário, uma grande maioria das pessoas diz: devemos conversar juntos sobre as reformas e as razões que contribuíram para o surgimento de abusos pelos padres.

Na fase introdutória, não foram ventiladas excessivas expectativas levando a esperar por decisões vinculantes?

No final, apenas os bispos decidirão sobre a implementação do que será acordado. Além disso, muitas coisas não poderão ser esclarecidas apenas no plano da Igreja alemã.

Precisamos analisar com mais cuidado. É verdade: serão os bispos diocesanos a decidir sobre a implementação das decisões em suas dioceses. Mas, diferentemente de um sínodo, no Caminho sinodal os leigos não apenas têm uma função de consultoria, mas podem tomar decisões junto com os bispos.

O que isso significa na prática?

Haverá três categorias diferentes de decisões. Aquelas que poderão ser sancionadas diretamente nas dioceses. Aqueles que serão enviadas a Roma como voto. E, finalmente, decisões que provavelmente deveriam ser dirigidas a um concílio, sobre as quais nem mesmo um papa ou um sínodo de bispos poderiam responder simplesmente.

Dê um exemplo para cada categoria.

Vamos pegar o papel das mulheres na Igreja. A primeira categoria incluiria a questão que diz respeito às mulheres poderem colaborar na celebração dos funerais ou poderem se tornar membros do capítulo da catedral. A questão sobre a possibilidade de as mulheres serem consagradas diáconas poderia ser implementada através de um decreto papal. Caberia a um concílio esclarecer a questão relativa à possibilidade de as mulheres serem ordenadas padres.

Duas semanas antes do início da assembleia sinodal, cerca de 1000 petições de católicos tinham chegado à sede sinodal. Do que se trata?

Os temas são o poder e a divisão dos poderes, mas também solicitações relativas à moral sexual que há décadas já não tem mais sentido para muitos católicos. As pessoas também estão preocupadas com coisas como as paróquias cada vez mais ampliadas, com uma pastoral mais atualizada com os tempos ou aspectos como Igreja e defesa do meio ambiente. Claro que tudo é importante, mas devemos evitar sobrecarregar demais o Caminho sinodal. Por esse motivo, muitas coisas ainda não poderão ser discutidas. Mas as petições mostram quão grande seja, em muitos católicos, a pressão por reformas.

A Igreja na Alemanha é parte da Igreja universal. Enquanto os bispos da América Latina desejam a ordenação de homens casados, o cardeal da cúria africano Robert Sarah adverte contra ceder ao espírito o tempo. Como julga essa situação como um todo?

Estamos em uma situação historicamente muito particular. Após a morte de Paulo VI, em 1978, o grande papa reformador do século XX, por décadas houve uma estacionada. Sem dúvida, também João Paulo II fez muitas coisas, mas não houve mudanças na Igreja. Agora temos o Papa Francisco, uma pessoa que mexe nas coisas e desperta discussões. Contra ele se erguem altas vozes de personalidades influentes. Mas devemos evitar superestimar tais vozes.

No final, haverá uma diferente estrutura constitucional da Igreja?

Tenho certeza de que chegaremos a uma estrutura constitucional diferente - mas não sei se isso acontecerá em todo o mundo de acordo com um processo unitário. Em nossas latitudes, o poder geral dos bispos diminuirá e também quanto à imagem social da Igreja haverá maior democratização.

Você pensa que daqui a 20 ou 30 anos a Igreja na Alemanha ainda será ouvida na sociedade?

Boa pergunta! Já devemos registrar uma redução nos números. Mas não deveríamos nos lamentar nostalgicamente pelos tempos passados. Se temos convicção e agimos de forma convincente, podemos fazer muito. É muito importante para mim testemunhar de maneira credível que a vida é muito mais do que produção, consumo e desejo de desempenho.

 

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