Bispos alemães afirmam que homossexualidade é “normal”

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13 Dezembro 2019

Na conclusão de uma consulta sobre a sexualidade humana, os bispos da Alemanha emitiram uma declaração na qual afirmaram a homossexualidade como uma parte “normal” do desenvolvimento humano e definiram o ensino da Igreja contra a atividade sexual entre pessoas do mesmo sexo como um “tema candente”.

A reportagem é de Robert Shine, publicada por New Ways Ministry, 12-12-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Comissão para o Matrimônio e a Família da Conferência dos Bispos da Alemanha realizou a consulta “Sexualidade humana: como discutir científico-teologicamente e julgar eclesiasticamente?” no início de dezembro e incluiu vários especialistas externos em suas deliberações. Em uma declaração final, a comissão resumiu a discussão da consulta sobre a homossexualidade:

“Houve acordo de que a preferência sexual dos humanos se expressa durante a puberdade e assume uma orientação heterossexual ou homossexual. Ambas pertencem às formas normais de uma predisposição sexual que não pode ser modificada por nenhuma socialização específica. No pensamento da Igreja, isso significa que qualquer forma de discriminação contra os homossexuais deve ser rejeitada, como há muito tempo exige o magistério, e também é explicitamente enfatizado pelo Papa Francisco na exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia. No entanto, a questão sobre se a proibição magisterial da prática da homossexualidade ainda é oportuna continua sendo um tema candente, assim como a questão da legitimidade do uso de contraceptivos artificiais no casamento e por casais não casados.”

Essa consulta faz parte do Caminho Sinodal da Igreja alemã que iniciou neste Advento e inclui um grupo de trabalho sobre moral sexual, que incluirá os resultados da consulta em suas deliberações que devem começar em fevereiro próximo. O arcebispo de Berlim, Heiner Koch, conectou a consulta sobre a sexualidade de dezembro a esse processo mais amplo, como revelado na declaração pública:

“[Koch] enfatizou que o caminho sinodal deveria ser iniciado sem preconceitos e sem posições já fixas, mas, de modo algum, sem o conhecimento do estado das ciências. Houve um consenso de que a sexualidade humana engloba uma dimensão de prazer, reprodução e relacionamento. (...) Dois membros do grupo de língua alemã do Sínodo dos Bispos de outubro de 2015, o arcebispo Koch e o bispo [Franz-Josef] Bode, sublinharam a importância de uma sólida discussão apoiada pelas humanidades e pela teologia, e enfatizaram os desenvolvimentos que já podem ser observados na Amoris laetitia”.

De modo significativo, a declaração dos bispos também sugere que uma relação sexual de um católico divorciado e civilmente recasado “não é qualificada agora como um pecado grave” e, portanto, “não há nenhuma exclusão geral da recepção da Eucaristia” para essas pessoas.

Além de especialistas externos, o site Novena News relatou que vários bispos participaram da consulta, incluindo o arcebispo Koch, Dom Bode, bispo de Osnabrück, Dom Wolfgang Ipolt, bispo de Görlitz, e Dom Peter Kohlgraf, bispo de Mainz, alguns dos quais participam de outras comissões da Conferência Episcopal do país. Vários bispos auxiliares também participaram.

Tendo iniciado com a plenária de janeiro, o processo do Caminho Sinodal, que é vinculante, abordará questões em quatro grupos de trabalho, de acordo com o porta-voz da Conferência dos Bispos da Alemanha, Matthias Kopp. Além do grupo sobre sexualidade, os outros grupos de trabalho serão “Poder, Participação, Separação de Poderes”, “Existência Sacerdotal” e “Mulheres nos Serviços e Escritórios da Igreja”. Os bispos admitiram que a gênese desse processo foi a “insatisfação de muitos fiéis”, de acordo com uma declaração no site da Conferência.

O Caminho Sinodal poderia ter desdobramentos não apenas para a Igreja alemã, mas também para a universal. Embora os resultados desse processo de dois anos não possam e, de acordo com o arcebispo Koch, não devam ser pré-determinados, os católicos alemães poderiam ver desenvolvimentos significativos. Se os participantes realmente ouvirem e aprenderem como as ciências entendem a sexualidade e os relacionamentos humanos hoje em dia, eles poderão incorporar essas descobertas à reflexão teológica e à prática pastoral, o que pode emergir como um momento inovador para as questões LGBT católicas.

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