Alemanha: começa o caminho sinodal da Igreja Católica. Do reconhecimento dos erros à mudança

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02 Fevereiro 2020

“O Caminho Sinodal é um convite para mudar de perspectiva e aprender. Não existe um caminho espiritual de arrependimento sem o reconhecimento dos próprios erros, das crises, das feridas que foram infligidas. Não há partida, nem qualquer novo começo, nem qualquer nova evangelização sem essa mudança de rota.”

A reportagem é de L’Osservatore Romano, 31-01-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao abrir a primeira assembleia do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha, na quinta-feira à noite, na Catedral de São Bartolomeu, em Frankfurt, o presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, cardeal Reinhard Marx, destacou que o objetivo desse novo caminho é “chegar a algo que sirva à unidade da Igreja”, começando pela grave crise provocada – exatamente há 10 anos – pelo escândalo dos abusos sexuais de menores e pessoas vulneráveis cometidos por eclesiásticos e religiosos.

Logotipo do Caminho Sinodal da Igreja da Alemanha (Foto: SynodalerWeg.de)

“Esse escândalo deve nos ensinar a olhar para a frente a partir do conhecimento do passado, dos erros cometidos. Caso contrário, não seremos capazes de trilhar o caminho espiritual do futuro.”

Isso também inclui, disse o purpurado, uma visão crítica do poder, que “deve ser um serviço. Seria um forte sinal, uma mudança de perspectiva, se pudéssemos mostrar o que poder e serviço significam, isto é, não governar sobre os outros, mas mostrar cooperação na Igreja. Depende de nós”.

Portanto, não se trata de uma “revolução”, mas sim da necessidade de voltar às origens da fé, à missão, porque “o futuro da Igreja no nosso país” e a urgência de “recuperar a credibilidade” estão em jogo. Tudo isso “em um terreno de encontro, não de confronto”.

Até sábado, 230 delegados, incluindo 69 bispos, representantes de associações e movimentos, de sacerdotes e ordens religiosas, estarão reunidos para debater sobre quatro temas: poder e divisão de poderes na Igreja; vida sacerdotal hoje; mulheres nos serviços e nos ministérios da Igreja; amor e sexualidade.

É grande a representação do Comitê Central dos Católicos, liderada pelo presidente, Thomas Sternberg: “O papa nos exorta a discutir e a buscar respostas juntos”, afirmou ele, especificando que “não haverá um fim nesse caminho”, porque é “o início de um novo modo de ser Igreja”.

Sternberg se referiu à questão da participação das mulheres (são 66 as delegadas em Frankfurt): “A sua presença evidente na sociedade, nos negócios e na política deve levar a verdadeiras reformas na Igreja, cuja discussão não pode mais ser ignorada”.

 

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