A nova Constituição Apostólica Praedicate Evangelium, o C6, o encontro mundial da hierarquia católica sobre pedofilia, passos decisivos para o pontificado na semana entre 18 e 24 de fevereiro de 2019

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14 Dezembro 2018

A reunião de nº. 28 do Conselho dos cardeais consultores do Santo Padre - momentaneamente um C6 e não mais um C9, após a exoneração de três membros: os cardeais G. Pell (Austrália), F.J. Errazuriz (Chile) e L. Monsengwo Pasinya (Congo Democrático) – está marcada para os dias 18, 19 e 20 de fevereiro. A reunião, portanto, será realizada imediatamente antes do importante encontro de todos os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, e numerosos membros da Cúria, especialistas, estudiosos e colaboradores externos, dedicado à "proteção dos menores na Igreja."

A reportagem é de Luis Badilla, publicada por Il sismografo, 13-12-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

A reunião organizada pelo Papa depois de uma proposta da Comissão Pontifícia para a proteção dos menores presidida pelo Cardeal estadunidense Sean O'Malley, arcebispo de Boston e membro do reduzido Conselho cardinalício, será de quinta-feira 21 a domingo 24 fevereiro do próximo ano. Será essencialmente uma espécie de "mini-sínodo" centrado em poucos dias: 150/170 pessoas e três dias de intenso trabalho, tudo, obviamente, muito bem preparado.

O Papa Francisco naturalmente estará sempre presente e o summit será liderado por pessoas que presidem o Comitê de organização que inclui: os cardeais Blase J. Cupich, Arcebispo de Chicago (EUA) e Oswald Gracias de Bombaim (Índia), arcebispo e presidente da Conferência Episcopal da Índia e Mons. Charles Scicluna, arcebispo de Malta, e Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, padre Hans Zollner, SJ, Presidente do Centro para a Proteção de Menores da Pontifícia Universidade Gregoriana e membro da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores, indicado pelo Comunicado da Santa Sé como "referente do próprio Comitê".

É claro e indiscutível que essas duas reuniões são fundamentais e decisivas para o pontificado do Papa Francisco, que em 13 de março de 2019 entrará no seu sexto ano.

No caso do C6 trata-se do momento decisivo sobre a versão final da Constituição Apostólica Praedicate Evangelium que irá substituir a Pastor Bonus, de s. João Paulo II (28 de junho de 1988). É provável que o documento papal seja promulgado no primeiro semestre do próximo ano. Imediatamente após esse encontro do C6 acontecerá outra reunião decisiva para a Igreja e para o pontificado, a que irá enfrentar a gravíssima crise, delicada e sempre dolorosa, que a comunidade eclesial vive há décadas sobre os abusos sexuais de menores e pessoas vulneráveis por parte de muitos membros do clero. Esses dias, entre 18 e 24 de fevereiro, irão marcar de forma irreversível o processo de reforma iniciado pelo Papa Francisco e, depois das decisões tomadas nessas reuniões, a Igreja não será mais como antes. A esperança é que seja melhor, pois se espera que os processos de renovação iniciados em diferentes campos se tornem sólidos e irreversíveis.

A questão da pedofilia clerical é um desafio gigantesco e a Igreja, o Papa e a hierarquia serão chamados todos a apresentar à opinião pública mundial, e não apenas aos católicos, respostas precisas, transparentes e convincentes. Os Papas, em particular, Bento XVI e Francisco, não só têm falado claro, mas fizeram muitas coisas para denunciar, combater, confrontar e punir os culpados. Os dois últimos Pontífices também reconheceram como essencial e inevitável estar sempre perto das vítimas de maneira concreta e amorosa. São as vítimas, em primeiro lugar, que exigem da Igreja respostas verdadeiras, efetivas e rápidas.

No no. 4044 de La Civiltà Cattolica, agora nas bancas, o padre Federico Lombardi escreve a respeito do Encontro sobre a Proteção dos Menores de fevereiro: "Certamente trata-se de uma oportunidade para reconstruir o surgimento do problema dos abusos (sexuais, de poder e de consciência) nos últimos vinte anos em diferentes partes do mundo e para registrar as lições que devem ser tiradas disso. Pode-se recordar brevemente os casos de Estados Unidos, Alemanha, Irlanda, Austrália e Chile, e os episódios de Maciel e Karadima". Depois, o padre Lombardi observou:" Falar de abusos sexuais por parte do clero é um tema doloroso e desagradável. Às vezes, até mesmo nos círculos da igreja ouvimos que está na hora de mudar de assunto, que não é justo dar muito peso a esse tema, porque acaba deixando oprimidos e a questão é ampliada demais. Mas esse é um caminho errado. Se a questão não for enfrentada até o fim em seus diferentes aspectos, a Igreja continuará a ter que se confrontar com uma crise após a outra, a sua credibilidade e de todos os seus sacerdotes ficará gravemente ferida, e acima de tudo vai sofrer a substância de sua missão de anunciação evangélica e de trabalho educativo para a infância e juventude, que foi durante séculos um dos aspectos mais belos e valiosos de seu serviço para a humanidade.

Passado-futuro e sinodalidade

O padre Federico Lombardi, em seu artigo afirma: "A preparação para o Encontro dos Presidentes das Conferências dos bispos, convocado pelo Papa para o final de fevereiro de 2019 sobre o tema da proteção dos menores, já está em andamento. Esse é certamente um encontro inédito, mas claramente inserido na perspectiva da "sinodalidade", tão cara ao Papa Francisco e central no seu projeto de reforma da Igreja. Os participantes do encontro são convocados justamente como responsáveis pelo povo de Deus em caminho como um todo, e não apenas como representantes e responsáveis do clero e dos religiosos. (...) O próximo encontro de fevereiro não parte, portanto, do "ponto zero", mas certamente é um evento inédito que visa dar um forte impulso para novos passos urgentes para a frente. Como vimos, as lições e experiências adquiridas são muitas, mas também são muitas as questões abertas.”

Eis outra importante reflexão do padre Lombardi sobre o Encontro de fevereiro: "Em paralelo, é importante destacar o caminho que já foi feito para resolver o problema ao longo dos últimos dois pontificados, com a renovação das normas canônicas, a formulação de Diretrizes por parte das Conferências Episcopais, as iniciativas de formação e de outro tipo, até as recentes Cartas do Papa Francisco. Por exemplo, se em diferentes países tem sido feito muito, resultando em uma redução substancial dos casos de abuso e iniciando programas eficazes de prevenção e de formação, é preciso reconhecer que em muitos outros países foi feito bem pouco, se não quase nada. Às vezes nós continuamos a nos iludir de que esse é um problema principalmente "ocidental" ou "americano" ou "anglófono" e com incrível ingenuidade se pensa que no próprio país isso seja marginal”.

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