Pedofilia clerical, uma cruz sobre os ombros do Papa Francisco

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21 Agosto 2018

A Igreja, gravemente ferida e humilhada pelo mal, pode ser ajudada a se curar e a se renovar por muitos cristãos leigos anônimos, honestos e coerentes que trabalham nos meios de comunicação. Basta servir à verdade com coragem e amor, servir ao papa, e não às corjas eclesiásticas e às ambições de poder dos indivíduos. Cristo é a lei suprema e perfeita.

A reportagem é de Luis Badilla, publicada em Il Sismografo, 20-08-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A situação da Igreja Católica por toda parte, particularmente entre os seus fiéis, mas também entre aqueles que a acompanham como fiéis de outras confissões religiosas com simpatia e respeito, é muito difícil. A repetição contínua há pelo menos três décadas de gigantescos escândalos de abusos sexuais, particularmente contra menores e pessoas vulneráveis, por parte de muitos membros do abusos sexuais muitas vezes acompanhados por abusos de consciência e de poder, deixou a Igreja de Cristo à beira do abismo.

O que já vimos, vivemos e conhecemos no Canadá, Irlanda, Austrália, Chile, Alemanha, várias vezes nos Estados Unidos já se tornou um roteiro repetido muitas vezes, com um ritmo subterrâneo que envolve muitas Igrejas e países, que semeia desorientação, dor, pessimismo e um grande descrédito do Evangelho.

A partir dessa avalanche do mal, deve surgir uma onda de bem: era o desejo do cardeal Carlo Maria Martini, que, em 25 de abril de 2010, assim respondia, no Corriere della Sera, a uma pergunta de um leitor: “Embora eu sempre estive em luta contra a hipocrisia e contra o fato de calar tudo que sempre dominaram na instituição Igreja, agora que todos os nós começam a ser desfeitos, eu sofro terrivelmente com o peso esmagador que a pedofilia dos padres colocou sobre os ombros do papa: eu não sei se ele será capaz de carregar essa cruz. Mas certamente surgirá para a Igreja uma onda de bem, porque se colocarão em discussão muitas coisas até agora postas de lado, incluindo a do celibato dos padres e tantas outras coisas nas quais a Igreja certamente não é ‘mestra em humanidade’”.

Hoje, a imprensa católica tem o dever de ajudar o Papa Francisco a carregar a cruz que a pedofilia clerical colocou sobre os seus ombros. Essa imprensa, especialmente se for feita por leigos, deve assumir a responsabilidade – pagando também o preço do conflito, se estiver sob o controle de apoiantes de baixo perfil, da mentira e do ocultamento – de falar abertamente, de modo transparente, sem eufemismos hipócritas e sem fingimentos acomodatícios.

O silêncio da imprensa católica, que apenas há poucos meses começa a se desfazer timidamente, durou tempo demais e causou um dano enorme às vítimas e à própria Igreja. Hoje, quando todos, depois das muitas tomadas de posição claras e peremptórias do Papa Francisco e de inúmeros episcopados, dizem querer combater a “cultura dos abusos e do ocultamento”, a situação é límpida.

Então, se a imprensa católica, ou parte dela, continuar calada, isso significa que ela se tornou um instrumento de opinião que se aliou à pedofilia clerical, e esse horrendo sinal deveria marcar o seu fim.

Não existe mais nenhuma desculpa, atenuante ou álibi para “justificar” o silêncio sobre esse “pecado e crime” que devastou como uma metástase silenciosa a comunhão eclesial em muitos lugares do mundo. Nenhuma reforma da Igreja será possível e crível se todas as Igrejas particulares, com a orientação do próprio bispo, não se mobilizarem com continuidade e eficácia na luta necessária e urgente para erradicar essa chaga, estruturando dentro da Igreja um verdadeiro bloqueio cultural e existencial, além de espiritual (oração) que impossibilite a presença de todo comportamento pedófilo.

Essa, entre outras coisas, também poderia ser uma grande contribuição da Igreja para a luta, hoje inexistente, contra a pedofilia na sociedade, onde ela não é menos grave nem menos numerosa.

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