Cardeais dos EUA rejeitam as alegações de diplomata do Vaticano sobre encobrimento generalizado de abuso

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29 Agosto 2018

Alguns bispos, no entanto, o apoiam como 'um homem de veracidade, fé e integridade'.

A reportagem é de Dennis Coday, publicada por National Catholic Reporter, 28-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Os cardeais norte-americanos emitiram declarações separadas que rejeitam as alegações feitas por um ex-embaixador do Vaticano nos Estados Unidos sobre um encobrimento generalizado da má conduta sexual do ex-cardeal de Washington, Theodore McCarrick.

O cardeal Joseph Tobin, de Newark, Nova Jersey, disse que a carta de 11 páginas divulgada no final de semana pelo arcebispo Carlo Maria Viganò está repleta de "erros factuais, insinuações e uma ideologia medrosa".

Tobin, que agora lidera a arquidiocese que McCarrick chefiou de 1986 a 2001 e que em meados dos anos 2000 pagou acordos a dois homens que disseram que McCarrick os agrediu sexualmente anos antes quando eram seminaristas, expressou "choque, tristeza e consternação" com a carta de Viganò.

Alguns bispos da hierarquia dos EUA, no entanto, disseram que acharam as alegações de Viganò "credíveis" e consideram Viganò "um homem de veraz, de fé e íntegro".

Viganò alega que autoridades da Igreja, incluindo o cardeal Donald Wuerl, atual arcebispo de Washington, e o papa Francisco, não agiram contra McCarrick depois que Viganò informou os funcionários da má conduta sexual de McCarrick e que o papa Bento XVI impusera sanções a McCarrick.

Em um comunicado de 27 de agosto, Wuerl contradiz diretamente o ex-núncio e "negou categoricamente" que Viganò tenha dito a ele que restrições foram impostas a seu antecessor.

A declaração da arquidiocese disse que "durante todo seu mandato como arcebispo de Washington", Wuerl nunca recebeu nenhuma queixa ou alegação sobre comportamento abusivo de McCarrick, uma afirmação que ele fez várias vezes desde que McCarrick anunciou sua retirada do ministério público e sua renúncia do Colégio Cardinalício.

"O único motivo para o cardeal Wuerl desafiar o ministério do arcebispo McCarrick teria sido uma informação do arcebispo Viganò ou de outras comunicações da Santa Sé. Tais informações nunca foram fornecidas", diz a declaração.

Em 16 de agosto, o cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, pediu uma investigação do Vaticano, conhecida como visitação apostólica, que atuaria com uma comissão nacional leiga, garantida a autoridade independente para investigar as "muitas questões em torno do arcebispo McCarrick".

DiNardo reiterou a convocação de 27 de agosto e disse que estava "ansioso por uma audiência" com Francisco para discutir o plano dos bispos para responder à crise de abusos sexuais do clero.

Wuerl disse, em 27 de agosto, que o mandato de Viganò como núncio apostólico nos EUA deveria ser incluído no mandato daquela investigação.

Tobin também pediu uma investigação sobre as alegações de Viganò, dizendo: "Estamos confiantes de que o escrutínio das reivindicações do ex-núncio ajudará a estabelecer a verdade".

Tobin disse que a carta "não pode ser entendida como contribuindo para a cura de sobreviventes de abuso sexual".

"Os erros factuais, a insinuação e a ideologia temerosa do 'testemunho' servem para fortalecer nossa convicção de avançar resolutamente na proteção dos jovens e vulneráveis de qualquer tipo de abuso, garantindo um ambiente seguro e respeitoso, onde todos são bem-vindos e quebrando as estruturas e culturas que permitem o abuso", disse ele.

Além de suas afirmações factuais, a carta de Viganò também contém afirmações ideológicas sobre outros bispos católicos e oficiais da Cúria. Ele diz que um deles, por exemplo, tem uma "ideologia pró-gays" e que outro "favorecia a promoção de homossexuais em posições de responsabilidade".

Viganò também alega que McCarrick engendrou as nomeações de certos bispos para certas dioceses. Ele também pediu a renúncia de muitos bispos, incluindo o papa Francisco.

O cardeal de Chicago, Blase Cupich, divulgou uma declaração, em 26 de agosto, detalhando erros factuais na linha do tempo de Viganò sobre sua nomeação como arcebispo de Chicago.

"Em qualquer encontro que tive [com Viganò], ele sempre foi muito cordial e agradável", disse Cupich. "Nunca houve qualquer indicação para mim do nível de desprezo que está em sua carta sobre mim. Eu fiquei atordoado. Eu não tenho ideia de onde isso está vindo".

O bispo Robert McElroy, de San Diego, disse que a carta de Viganò é outro exemplo de "guerreiros ideológicos dentro da Igreja, em ambos os lados... [usando] a tragédia das vítimas de abuso para promover seus objetivos".

A carta, disse McElroy, é claramente um esforço "para acertar contas pessoais antigas".

"A dedicação à verdade abrangente foi subordinada ao direcionamento seletivo de inimigos e distorções tendenciosas da verdade", disse McElroy.

No entanto, em uma declaração enviada às paróquias da diocese de Tyler, no Texas, poucas horas depois de o depoimento de Viganò ter sido tornado público, o bispo Joseph Strickland disse que considerava as alegações de Viganò "credíveis".

Strickland pediu "uma investigação completa" das alegações e prometeu "emprestar minha voz de qualquer maneira necessária para pedir esta investigação e insistir que suas descobertas exijam a responsabilização de todos que forem considerados culpáveis mesmo nos níveis mais altos da Igreja".

Respondendo a uma pergunta do New York Times em 26 de agosto, o porta-voz da arquidiocese da Filadélfia disse que o arcebispo Charles Chaput "gostava de trabalhar com o arcebispo Viganò durante seu mandato como núncio apostólico nos Estados Unidos e achou seu serviço marcado pela integridade à Igreja".

"No entanto", continuou o porta-voz, Chaput "não pode comentar sobre o depoimento recente do arcebispo Viganò, pois está além de sua experiência pessoal".

O bispo Thomas Olmsted, de Phoenix, também disse que "não tem conhecimento da informação que [Viganò] revela... por isso não posso verificar pessoalmente a sua veracidade".

Mas Olmsted acrescentou: "Eu sempre o conheci e o respeitei como um homem veraz, de fé e íntegro".

Olmsted disse que conheceu Viganò há 39 anos. Eles se encontraram em 1979 quando ambos trabalhavam para a Secretaria de Estado da Santa Sé. Olmsted insistiu que "todas as alegações que [Viganò] faz sejam investigadas completamente".

O bispo Robert Morlino de Madison, Wisconsin, começa sua declaração de 27 de agosto afirmando sua "solidariedade com o cardeal DiNardo e sua declaração em nome da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA", especialmente o chamado de DiNardo para trazer "foco e urgência ao exame da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA sobre as graves falhas morais dos bispos" e para renovar "nossa afeição fraterna pelo Santo Padre nestes dias difíceis".

"Com essas convicções e sentimentos, me vejo completamente solidário", continua Morlino.

"No entanto, devo confessar minha decepção que, em suas observações durante o voo de volta de Dublin para Roma, o Santo Padre escolheu uma conduta de ‘sem comentários’ a respeito de quaisquer conclusões que possam ser tiradas das alegações do arcebispo Viganò".

"O papa Francisco disse ainda expressamente que tais conclusões deveriam ser deixadas à ‘maturidade profissional’ dos jornalistas. Nos Estados Unidos e em outros lugares, de fato, poucas coisas são mais questionáveis do que a maturidade profissional dos jornalistas".

"O viés na grande mídia não poderia ser mais claro e é reconhecido quase universalmente. Eu nunca atribuo maturidade profissional ao jornalismo do National Catholic Reporter, por exemplo. E, previsivelmente, eles estão liderando a acusação em uma campanha de difamação contra o arcebispo Viganò".

"Tendo renovado minha expressão de respeito e filial afeição pelo Santo Padre", disse Morlino, "devo acrescentar que, durante seu mandato como núncio apostólico, conheci o arcebispo Viganò profissionalmente e pessoalmente, e continuo profundamente convencido de sua honestidade, lealdade e amor pela Igreja e integridade impecável".

"Viganò ofereceu uma série de alegações reais e concretas... Assim, os critérios para alegações críveis são mais do que satisfeitos, e uma investigação, de acordo com procedimentos canônicos apropriados, certamente está em ordem", disse Morlino.

Ele conclui afirmando que sua "fé na Igreja não está nem um pouco abalada pela situação atual".

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