Jesuíta alemão chama Bento XVI de ''grande reformador'' na questão dos abusos sexuais

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19 Fevereiro 2013

Uma dificuldade em avaliar o legado do Papa Bento XVI sobre a crise dos abusos sexuais é que as pessoas que fazem as avaliações tendem a saber mais sobre uma ponta da equação do que a outra. Ou seja, eles são ou observadores papais que lutam para dar um sentido aos escândalos, ou são pessoas que estão na linha de frente dos escândalos que tentam compreender o papa.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 16-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma rara figura, com profunda experiência em ambos os lados, é o padre jesuíta Hans Zollner, o vice-reitor acadêmico da universidade jesuíta Gregoriana, de Roma, e chefe do seu Instituto de Psicologia.

Do lado papal, Zollner nasceu na cidade bávara de Regensburg, mais ou menos a cidade natal do Papa Bento XVI, e é formado em filosofia e teologia pela Universidade de Regensburg, onde o futuro papa uma vez ensinou. Em Roma, ele teve um lugar na primeira fila durante a última parte do mandato de Bento XVI na Congregação para a Doutrina da Fé e os quase anos oito de pontificado.

Em termos de compreensão das dinâmicas dos abusos, as credenciais de Zollner são igualmente impressionantes. Ele se licenciou como psicólogo e psicoterapeuta em 2004, e em 2010 e 2011 atuou como membro do grupo de trabalho científico da Mesa Redonda sobre Abuso Infantil, criado pelo governo federal da Alemanha.

Zollner estudou a dura história da Igreja sobre a questão profundamente, publicando o livro de 2010 intitulado Chiesa e pedofilia. Una ferita aperta. Un approccio psicologico-pastorale ("Igreja e pedofilia. Uma ferida aberta. Uma abordagem psicológico-pastoral"), juntamente com o colega padre jesuíta Giovanni Cucci.

Em 2012, Zollner foi o presidente da comissão organizadora de uma grande cúpula internacional sobre a crise dos abusos sexuais realizada na Gregoriana e copatrocinada por vários dicastérios vaticanos. Dentre outras coisas, essa cúpula marcou a estreia de um Centro de Proteção à Criança e um currículo de e-learning para profissionais da Igreja, destinado a destilar as "melhores práticas" na prevenção dos abusos, detectando-os quando ocorrerem, respondendo a eles em termos de lei civil e canônica e indo ao encontro das vítimas.

No dia 15 de fevereiro, Zollner se sentou para uma entrevista com o NCR para discutir o histórico de Bento XVI e as consequências da cúpula do ano passado.

Eis a entrevista.

Agora que Bento XVI está deixando o cargo, como o senhor avalia o seu legado sobre os escândalos de abuso sexual?


Baseado no que eu sei pessoalmente, na Congregação para a Doutrina da Fé ele foi a primeira pessoa, e a pessoa mais determinada, a enfrentar o que ele chamou de "ferida aberta" no corpo da Igreja, ou seja, o abuso sexual de menores por parte do clero. Ele ficou sabendo de uma série de casos e da intensidade das feridas infligidas nas vítimas. Ele tomou consciência do que os padres haviam feito contra os menores e os adultos vulneráveis. Como resultado, ele ficou cada vez mais convencido de que isso devia ser combatido, e em vários níveis ele começou a lidar com isso – em nível canônico, eclesial e pessoal. Bento XVI é o primeiro papa que se encontrou e ouviu vítimas de abuso, que pediu desculpas e que escreveu sobre o problema, tanto em sua carta aos bispos irlandeses quanto no seu livro Luz do mundo. Um passo muito importante foi concentrar todos os procedimentos legais e administrativos na Congregação para a Doutrina da Fé. Outro foi nomear um homem muito inteligente, prático e dedicado como promotor de Justiça.

O senhor está falando do Mons. Charles Scicluna, agora Dom Scicluna, bispo de Malta?

Sim, Mons. Scicluna, que esteve nesse trabalho por dez anos. Agora ele nomeou o Pe. Robert Oliver [da arquidiocese de Boston], que mostra a sua resolução de continuar fazendo justiça às vítimas, responsabilizando os abusadores dentro da Igreja e fazendo tudo o que pode ser feito para promover a prevenção. Tivemos um apoio enorme para o simpósio sobre os abusos de fevereiro passado por parte de todos os chefes dos principais escritórios da Cúria Romana – a Doutrina da Fé, Propaganda Fide, Bispos, Educação, a Secretaria de Estado. A Secretaria de Estado escreveu uma carta aos participantes na qual se cita o papa. Se você entender como Roma funciona, tudo isso não poderia ter acontecido se não houvesse um placet de cima. Segundo outras vozes, no entanto, e apesar da má imagem que algumas pessoas criaram do papa, tanto como prefeito quanto como Santo Padre, ele foi a pessoa mais determinada a enfrentar isso. Ele tem sido muito encorajador para muitas pessoas, incluindo nós mesmos, a realmente enfrentar os problemas e tentar fazer todo o possível para garantir que esse mal dentro da Igreja seja reconhecido e evitado tanto quanto possível no futuro.

O senhor acredita que Bento XVI será lembrado como um grande reformador no fronte dos abusos sexuais?

Sim, acredito.

Como o senhor explica a sua imagem negativa?

Baseado no que eu li recentemente nos jornais alemães, mesmo naqueles que são bastante críticos da Igreja, todos, por unanimidade, reconhecem que ele foi forçado a enfrentar uma crise enraizada em casos que muitas vezes remontam a 50 ou 60 anos. Tanto nos últimos anos de João Paulo II quanto no seu papado, Bento XVI lidou com algo que havia sido protelado por décadas. Infelizmente, ele foi responsabilizado por algo que veio à cena pública mais ampla nos últimos dez anos, mais ou menos, mas que é anterior a ele. Ele criou uma má imagem provavelmente porque as pessoas não sabem o quão antigos esses casos eram, e não se comunicou muito bem o quanto ele fez para limpar as coisas. Ele era a pessoa mais importante desse processo.

Por que o senhor acha que essa história é tão difícil de contar?

Provavelmente porque a sua imagem pública como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé ficou no meio do caminho. Ela era muito oposta ao que ele realmente é. Quem já trabalhou com ele, quem se encontrou com ele pessoalmente, como fizemos há duas semanas, quando apresentamos os procedimentos do simpósio a ele, sabe que ele é a pessoa mais humilde e mais sensível. Ele está muito consciente de quem está na frente dele, de forma que ele realmente leva o indivíduo em consideração. Isso é muito contrário à imagem pública do "panzer cardinal" e assim por diante... uma pessoa muito rígida, conservadora. Ele tem as suas convicções, mas ele é muito mais aberto. Ele encontrou os professores jesuítas aqui na Gregoriana em 2006 e fez uma declaração que foi profundamente encorajadora para desenvolver a teologia.

Eu estava lá em 2008 quando ele se dirigiu aos membros da Congregação Geral dos Jesuítas, composta por 220 jesuítas, e alguns deles estavam bastante apreensivos. A sua intervenção foi brilhante e pegou muitos de nós de surpresa, por causa da sua abertura e da sua profunda compreensão das necessidades da Igreja hoje. Ele elogiou o padre Pedro Arrupe, ele elogiou o nosso trabalho pela justiça social, deu crédito ao Serviço Jesuíta aos Refugiados, destacou o trabalho pioneiro de diálogo com a cultura de Matteo Ricci e nos chamou a ir para as fronteiras, reconhecendo que ir lá significa estar à margem, em dificuldades e nem sempre ter a resposta certa. Era algo profundamente consolador e desafiador. A imagem pública e a realidade são muito diferentes. Por exemplo, os bispos com um histórico de escândalos, a maioria deles pessoal, foram convidados a sair. Isso aconteceu na Europa, na América Latina, na África e em outros lugares.

Uma das razões que dificulta definir Bento XVI como um reformador, ao menos nos Estados Unidos, é precisamente porque a percepção é de que os bispos não foram responsabilizados. Nós temos um bispo em Kansas City que se confessou culpado por não denunciar abusos infantis suspeitos. O cardeal Bernard Law, de Boston, recebeu um cargo em Roma. E agora o cardeal Roger Mahony está a caminho do conclave, apesar de ter sido dispensado das funções administrativas e públicas pelo seu sucessor. E quanto à responsabilização para os bispos?

Eu sei que essa é uma pergunta constante dos jornalistas norte-americanos e do público. Eu estava lá quando o Mons. Scicluna respondeu à sua pergunta sobre esse ponto no simpósio do ano passado.

Ele disse que precisamos de mais mecanismos de responsabilização para os bispos.

Sim, a questão realmente não está resolvida. É complicado elaborar procedimentos claros, em parte porque a lei civil e a lei da Igreja, muitas vezes, não coincidem em muitos casos e em muitos países. Nós tentamos promover a compreensão desse ponto, mas eu sei que é difícil de entender. A lei civil dos Estados Unidos sobre essas questões, por exemplo, não é lei em outros países. O que os seus conterrâneos perguntam pode não ser o que os alemães, ou italianos, ou malaios gostariam de perguntar, e por isso é difícil chegar a um padrão comum [de responsabilização] para o mundo inteiro. Obviamente, temos que pensar sobre como a responsabilização para os bispos pode ser posta em prática, de forma clara e reconhecível.

Apesar da sua natureza hierárquica, a Igreja, na realidade, não tem procedimentos claros para algumas dessas questões. Por exemplo, o papel da Conferência Episcopal [em fazer cumprir a responsabilização] não é claro, o papel do Metropolita não é claro. Fiquei um pouco surpreso com a resposta do Mons. Scicluna para você, porque ele parecia sugerir que tudo remonta ao papa. O pobre papa possivelmente não pode lidar com cada uma dessas situações. Deve haver passos intermediários, e estes ainda não estão no lugar. Isso provavelmente é verdade não apenas para a Igreja, mas para muitas outras instituições. Quem é responsável por um professor que abusa de uma criança em uma escola? É o diretor, o superintendente, o administrador regional, o ministro da Educação desse país?

Nas ações judiciais norte-americanas, provavelmente todos eles seriam citados.

Esse não é o caso da Europa, onde a culpa na lei civil jaz sobre a pessoa individual. Não é só uma questão de saber como lidamos com os casos de abuso sexual e com a responsabilização do superior ou dos bispos. Há também outras situações, como a má conduta financeira, o abuso físico e vários tipos de escândalos. Isso não é tratado de forma adequada na lei da Igreja, e o quadro é muito complexo. Tanto na Igreja quanto na sociedade, as pessoas aprenderam muito nos últimos dez anos em termos de desenvolvimento de protocolos e sistemas para assegurar a segurança infantil e estão se movendo na direção certa, embora ainda haja muito a ser feito ainda. Mas Bento XVI deve receber o crédito por tomar primeiros passos institucionais importantes.

O simpósio de um ano atrás parecia enviar um sinal de que o Vaticano e Roma estavam tentando pôr suas mãos na questão. Um ano depois, quais foram os frutos?

O fruto principal é que, em todo o mundo, as lideranças da Igreja em vários níveis e os fiéis passaram a ter uma consciência e uma sensibilidade muito maiores. Mais pessoas estão começando a entender que o abuso nas mãos de padres aconteceu em todos os países e por parte de outros empregados da Igreja, assim como em outras instituições. Há uma convicção crescente de que não podemos tolerar isso, temos que fazer tudo o que pode ser feito para fazer justiça às vítimas, devemos parar os abusadores e levá-los à justiça e temos que fazer tudo o que pudermos para evitar esses crimes.

No fim de semana passado, eu estava na Polônia dando algumas palestras para psicólogos. Uma semana antes de eu chegar, um jornalista holandês que vive na Polônia publicou um livro em que apresenta 12 entrevistas que ele fez com vítimas de abuso clerical na Polônia. Um dos meus irmãos jesuítas poloneses disse: "Você estava certo. Eu nunca acreditei que isso tivesse acontecido na Polônia, porque, se tivesse, os comunistas teriam usado isso contra nós. Agora eu vejo que é verdade". Se isso está acontecendo na Polônia e em outras partes da Europa Central e Oriental – que têm um clima eclesial muito conservador e onde as pessoas não acreditam que isso possa ter acontecido por causa das suas circunstâncias únicas – é algo impressionante. A mesma coisa está acontecendo na América Latina. Estive falando com as Conferências Episcopais e com o público em geral no Chile e na Argentina, em abril. Eles entendem a questão, e isso me diz que demos um grande passo.

E com relação à Ásia e à África?

Isso varia de país para país. Nas Filipinas, eles estão à frente da Europa Oriental. Muito tem sido feito por causa dos escândalos públicos lá e por causa do contato que os bispos têm com os Estados Unidos. O cardeal de Manila é o melhor exemplo. Ele deu palestras nos Estados Unidos sobre essa questão e deixou claro que essa é uma preocupação principal que deve ser tratada pela Igreja nas Filipinas. A mesma coisa é verdade para a Tailândia, onde os abusos são rampantes entre os turistas sexuais de lá, e a Igreja é a vanguarda da proteção das crianças e das mulheres. Em países confucionistas como a Coreia e o Japão, é muito difícil falar sobre os abusos sexuais publicamente. Sabemos, a partir das estatísticas, que o abuso na família é um problema sério, mas a Igreja realmente não tomou qualquer posicionamento público.

Na Índia, estamos trabalhando com 17 províncias jesuítas para combater o problema mais amplo do abuso de crianças, não apenas na Igreja. Um estudo do governo da Índia, onde a população obviamente é em grande parte de hindus e muçulmanos, afirma que 50% dos jovens são abusados. A África, como tanto o Mons. Scicluna quanto Pe. Oliver disseram, está muito atrás de muitos países no estabelecimento de diretrizes e no reconhecimento do problema.

Um desafio – e isso é muito difícil de transmitir a um público mais amplo – são as diferenças culturais. Esse não é o sistema legal anglo-saxão ou o sistema moral puritano. Em muitos países africanos, por exemplo, é normal se casar com uma menina de 14, 15 e 16 anos, e ter filhos nessa idade. Em Angola, existem ritos de iniciação para meninos dos 13 aos 16 anos. Eles ficam em "campos de meninos" por um a dois anos, onde são introduzidos à sexualidade, incluindo o que os nossos padrões incluiriam entre os abusos. Precisamos entender um pouco mais sobre o que a sexualidade significa para os povos da África e como eles entendem a interação sexual com menores de idade. A lei civil pode ser completamente diferente da prática. Se a cultura, ou a tribo, ou a família diz que você deve se casar aos 16 anos, então não importa o que a lei diz. Na realidade, isso geralmente é verdade na Índia, com o sistema de castas.

No Quênia, estamos trabalhando com a diocese de Malindi, na costa leste, que é um centro de turismo sexual por parte de europeus e americanos. O bispo de Malindi, que é um capuchinho maltês, inaugurou um centro de ajuda para as vítimas de abuso na família, pelo turismo sexual e, possivelmente, também por padres. Na primeira conferência organizada pelo Centro de Proteção à Criança, em Munique, um padre queniano nos contou sobre um menino de 14 ou 15 anos que tem duas irmãs, de 10 e 12 anos. Eles não têm mais pais por causa da Aids. Ele vende as suas irmãs aos turistas para que todos os três possam sobreviver. Esse tipo de contexto nos ajuda a compreender a perspectiva mais ampla em que a Igreja africana está tentando lidar com os casos de abuso. O que significa "abuso" nesse contexto?

Claro, algumas coisas são universais. Se você violar o corpo, a mente e a liberdade de um menor, isso é claramente abuso. As respostas apropriadas, no entanto, são complicadas, e nós temos que estar conscientes de que estamos longe de ter uma resposta de "tamanho único". O arcebispo de Tamale, em Gana, também esteve aqui há dois dias. Ele é um homem de mente aberta, formado em história da Igreja da Alemanha. Ele me contou que o seminário agora tem problemas que eles não tinham há 30 anos. Ele quer promover a consciência, e é aí que nós pensamos que a nossa abordagem pode fazer a diferença. Ele trabalha junto com a Unicef e com outras ONGs para combater o abuso, o que dá crédito aos esforços da Igreja. Isso é muito diferente da situação em algumas partes da Europa e da América do Norte. Na África, podemos realmente ajudar as vítimas a se pronunciarem, a parar o abuso e a aumentar a consciência de que essa é uma questão importante, não só para a Igreja, mas também para toda a sociedade.

Quais são os outros frutos?

Outro fruto que terá consequências importantes tem a ver com as diretrizes [antiabuso] estabelecidas pelas Conferências Episcopais, que a Congregação para a Doutrina da Fé havia solicitado que fossem submetidas para revisão e comentários até junho de 2012. Mais de 75% das Conferências responderam. Praticamente todos os países europeus, todos os países da América do Norte e do Sul, e a maioria dos países asiáticos enviaram-nas. A maior parte dos que faltam são da África, onde há 36 Conferências Episcopais. No entanto, muitas delas enviaram representantes ao simpósio, e eles, ao menos, começaram a pensar sobre como dar forma a um conjunto de diretrizes para a sua situação. É preciso lembrar que em países como o Mali e o Congo há uma guerra acontecendo. Obviamente, é difícil pensar em um conjunto de diretrizes nessas circunstâncias. Mas nós vemos um impulso, mesmo nesses lugares, e eu tenho certeza de que a Congregação para a Fé continuará estimulando. Eles também receberão de volta as suas observações, e a Congregação está sendo muito clara.

Como está indo o centro de e-learning?

Está indo muito bem. Temos financiamento para três anos, de forma que poderemos saber se essa plataforma pode funcionar em várias línguas, culturas e continentes. A resposta inicial é muito boa. O interesse está explodindo, de ONGs, instituições políticas, institutos de pesquisa. Também queremos fazer isso de forma cientificamente rigorosa, por isso, no fim de 2014 deveremos ter algo sustentável para apresentar.

Quantos empregados da Igreja fizeram uso dele?

No momento, há cerca de 250 empregados e 60 formadores envolvidos, nos oito países em que estamos presentes por enquanto.

Qual é o futuro do Centro de Proteção à Criança?

Acima de tudo, queremos consolidar o programa de e-learning, com tudo o que os empregados da Igreja precisam, e mais tarde para outras pessoas que queiram participar do programa. Os princípios básicos são como reconhecer que uma criança possivelmente foi abusada, como agir com o agressor e qual é a lei civil e canônica correta. Temos que estar cientes das questões culturais, o que levantará muitas perguntas. Também queremos desenvolver a reflexão teológica sobre essa questão, que não teve muito desenvolvimento. Há realmente muito pouco a respeito. Também temos que resolver como melhor podemos promover e ampliar esses esforços.

A proteção das crianças é uma preocupação, a proteção dos adultos vulneráveis é outra, e os direitos das mulheres são outra. Precisamos pensar como combiná-los. Além disso, precisamos pensar como conectar o nosso programa com outras áreas e recursos. Por exemplo, o Serviço Jesuíta aos Refugiados tem um programa que conecta várias universidades jesuítas por meio de programas de e-learning. Poderíamos inserir este, que tem um amplo alcance. Na Índia, por exemplo, os jesuítas têm uma imensa rede de escolas. Na Indonésia, os jesuítas têm uma universidade em que os estudantes são 70-80% muçulmanos. Isso abre uma área totalmente nova, envolvendo a comunidade muçulmana nessa rede e reconhecendo o que acontece na comunidade muçulmana.

O senhor está dizendo que não se trata apenas de um exercício de gestão de crise, mas sim de um compromisso permanente?

Certamente, sim.

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