Simpósio vaticano sobre pedofilia estabelece uma ''nova linha de base'' para a Igreja

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11 Fevereiro 2012

A reunião de cúpula de quatro dias no Vaticano sobre a crise dos abusos sexuais sinaliza "uma nova linha de base", ou seja, um novo "padrão consensual da Igreja Católica Romana" para lidar com a questão, segundo um dos participantes.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 09-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O padre Brendan Geary, membro escocês da ordem marista que trabalha nos Estados Unidos, definiu essa linha de base nos seguintes termos:

  • "Começamos a ouvir as vítimas e honramos a experiência delas";
  • "Estamos tentando nos tornar líderes no mundo na proteção das crianças, não seguindo atrás de outros";
  • "Nas palavras do Papa João Paulo II, não há nenhum lugar na Igreja Católica para aqueles que abusam de crianças".

O compromisso com esses três princípios, disse Geary, "veio claramente de todas as partes do mundo" durante o evento dos dias 6 a 9 de fevereiro.

Geary falou em uma sessão com jornalistas no último dia do simpósio de quatro dias, intitulado Rumo à cura e à renovação, realizado na universidade jesuíta Gregoriana, em Roma, em colaboração com vários dicastérios vaticanos.

O padre claretiano Paul Smyth enfatizou que essa nova linha de base não começou nessa reunião, mas, ao contrário, é "o fruto de diversas décadas de trabalho" – o que não significa, sublinhou, que o trabalho está concluído.

"Precisamos avançar o debate", disse Smyth.

O sucesso ou fracasso do evento será medido pela sua capacidade de "estabelecer um marcador que permita que a Igreja seja o lugar mais seguro possível para que as crianças sigam em frente", disse a Ir. Marianne O'Connor, da Irlanda.

O bispo nigeriano Joseph Ekuwem disse que o valor da cúpula foi o de forçar a Igreja "a aceitar o que realmente aconteceu".

"Não podemos enterrar nossas cabeças na areia e fingir que nada aconteceu", disse Ekuwem aos repórteres. "Temos que reconhecer o sofrimento das vítimas. Não podemos negar isso e temos que encontrar uma forma de seguir em frente".

Ekuwem disse que, até hoje, os bispos nigerianos não tiveram nem uma única denúncia formal de abuso clerical de uma criança, mas ele não assume isso como uma indicação de que o problema não existe. A cúpula, disse, "nos ajudará a estarmos preparados para quando os casos surjam".

A Ir. Marian Moriarty, do Reino Unido, disse que a cúpula foi útil não só para delinear as dimensões dos escândalos dos abusos sexuais católicos, mas também das patologias sociais mais amplas. Por exemplo, afirmou, ela ficou chocada ao ouvir uma estimativa de que 75 mil dólares são gastos a cada minuto no ciberespaço em pornografia online.

Nesse sentido, disse Moriarty, o encontro também foi um lembrete de que a experiência acumulada pela Igreja na luta contra o abuso também pode servir a toda a sociedade.