Pedofilia: há quem diga ''não'' à linha de Ratzinger

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12 Fevereiro 2012

Durante o recente congresso da Universidade Gregoriana Rumo à cura e à renovação, o promotor de justiça da Congregação para a Doutrina da Fé foi claro: "Devemos ficar atentos aos candidatos que escolhemos para o importante cargo de bispo – disse monsenhor Charles Scicluna – e também devemos usar os instrumentos que o direito canônico e a tradição colocaram à nossa disposição para chamar um bispo às suas responsabilidades".

A reportagem é de Alessandro Speciale, publicada no sítio Vatican Insider, 11-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mons. Scicluna falava daqueles bispos que não enfrentaram – e ainda hoje não enfrentam – os casos de abuso de menores cometidos por eclesiásticos segundo as normas vaticanas, endurecidas nos últimos anos, e não seguem as linhas diretrizes elaboradas ou em definição por parte das suas Conferências Episcopais: "Não é aceitável que se estabeleçam regras e as pessoas não as sigam", acrescentou.

Em particular, durante a coletiva de imprensa realizada depois do seu discurso no congresso da Gregoriana, o arcebispo maltês parecia se referir ao cânone 128 do Código de Direito Canônico ("Quem ilegitimamente causar dano a outrem com um ato jurídico, e mesmo com qualquer outro ato realizado com dolo ou culpa, tem obrigação de reparar o dano causado"). Mas, em geral, ele lembrou que os bispos, como membros do clero, estão sujeitos às mesmas penas e regras válidas para os sacerdotes. "Não se trata de mudar as leis, mas sim de aplicar as que temos", enfatizou Scicluna.

No entanto, mesmo que de Roma, especialmente nos últimos anos, tenham vindo sinais claros – por último justamente do congresso organizado pela universidade jesuíta, com a liturgia penitencial para pedir perdão às vítimas, presidida pelo cardeal Marc Ouellet –, ainda hoje continuam sendo os bispos que não parecem estar prontos para assumir as suas responsabilidades e a seguir as regras.

Alguns casos são flagrantes: o bispo de Cloyne, Dom John Magee, ainda em 2009, continuava ignorando as linhas diretrizes dos bispos irlandeses sobre os abusos. Às portas de Roma, na diocese de Porto Santa Rufina, os advogados das vítimas do Pe. Ruggero Conti pediram a incriminação do bispo, Dom Gino Reali, que testemunhara no tribunal que ele sabia dos supostos abusos do sacerdote, mas que havia considerado oportuno não informar o Vaticano ou à polícia.

Mas não são casos isolados. No "epicentro'' da crise – os Estados Unidos –, o bispo de Kansas City, Dom Robert Finn, está sendo processado por não ter denunciado que um de seus sacerdotes tinha o hábito de tirar fotos pornográficas de menores. Tudo isso aconteceu em 2011, e a primeira audiência será realizada em setembro próximo.

Até na Polônia, segundo uma pesquisa realizada pelo jornalista Jonathan Luxmoore, que vive no país há anos, a Igreja ainda parece muito relutante em tomar medidas: entre os vários casos citados, o de um sacerdote que, depois de ter sido condenado a dois anos com liberdade condicional, voltou a lecionar para crianças – apesar de uma proibição imposta pelo juiz – e assumiu novamente a sua paróquia.

O mais significativo é que o seu bispo – que escreveu uma carta aberta assegurando ao sacerdote condenado a sua "simpatia" e criticando a afronta sofrida "pelo bom nome dos padres" – é Dom Jozef Michalik, arcebispo de Przemysl e presidente da Conferência dos Bispos da Polônia. Seu auxiliar, Dom Mariano Rojek, participou do congresso da Gregoriana representando os bispos poloneses.

A Polônia provavelmente não é o único país em que as vítimas que denunciam sofrem a hostilidade da Igreja e dos próprios fiéis. Na maior parte dos casos, como em décadas passadas, nesses ambientes, quem sofreu abusos não se pronunciou.

Mas mesmo nesses países onde houve uma marcada mudança de mentalidade é sempre possível retroceder. Testemunho disso é a entrevista concedida pelo ex-arcebispo de Nova York, cardeal Edward Egan, justamente nos dias do simpósio romano sobre a pedofilia.

O purpurado, em referência ao período em que era bispo de Bridgeport, Connecticut, explicou que se arrependeu de ter escrito uma carta de desculpas aos fiéis da sua diocese em 2002: "Eu jamais deveria ter dito isso. Eu disse 'se fizemos algo de errado, me desculpem', mas eu acredito que não fiz nada de errado".

O tempo em que o prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Darío Castrillón Hoyos, escrevia a um bispo francês para alegrar-se com ele por ter protegido um padre acusado de abusos durante um processo certamente passou. Mas esses casos recentes mostram que – como disse na Gregoriana o arcebispo de Munique, cardeal Reinhard Marx – "o trabalho a ser feito para enfrentar a crise dos abusos está longe do fim".

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