Chile. Francisco pede perdão aos fiéis de Osorno “por tê-los ferido e ofendido profundamente”

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18 Junho 2018

O Papa Francisco pediu perdão pelas feridas e ofensas causadas à população da cidade chilena de Osorno (sul) dividida pela designação do bispo Juan Barros, acusado de acobertar os abusos sexuais, em uma mensagem lida durante uma missa por seu enviado, dom Charles Scicluna.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 17-06-2018. A tradução é de André Langer.

“O Papa Francisco me encarregou para pedir perdão a cada um dos fiéis da diocese de Osorno e a todos os habitantes deste território, por tê-los ferido e ofendido profundamente”, disse Scicluna durante a cerimônia realizada na catedral de São Mateus de Osorno, 930 km ao sul de Santiago.

Monseñor Charles Scicluna na missa dominical em Osorno  (Foto: iglesiadesantiago.cl)

Os dois enviados do Papa Francisco ao Chile encerraram no domingo sua missão pastoral em Osorno com uma missa que a Igreja quis transformar em sinal de reconciliação da comunidade católica dessa cidade, que se dividiu em torno da figura de Barros.

O arcebispo maltês Charles Scicluna e o padre espanhol Jordi Bertomeu terminaram no sábado as reuniões e encontros com grupos de católicos e sacerdotes da diocese de Osorno.

A última atividade dos enviados papais em Osorno foi a missa deste domingo na catedral de São Mateus, eucaristia que foi anunciada pela Igreja chilena como o início de um “caminho de reparação e de reconciliação”.

Todas as comunidades católicas de Osorno foram convidadas para a missa dominical, embora as divisões persistam.

“A reconciliação é uma dádiva do Senhor, não é uma obra de homens, podemos dizer com muita humildade. Todos estão convidados, todos são livres para aceitar ou recusar”, disse com poucas palavras o arcebispo de Malta ao ser questionado sobre a missa.

Texto completo da mensagem de dom Scicluna em nome do Papa ao povo de Osorno:

Caros irmãos:

Uma saudação especial a S. E. dom Jorge Concha Cayuqueo, Administrador Apostólico desta diocese de Osorno. Permitam-me saudá-los com muita gratidão, com palavras do venerável servo de Deus Francisco Valdés Subercaseaux:

“Que felicidade quando os povos sabem se encontrar para conversar e se conhecer...

A paz é uma dádiva de Deus, um dom que, para no-lo dar, sacrificou o seu Filho e viemos por isso rezar para que o Senhor nos ajude a sermos pessoas de paz, instrumentos de paz, apóstolos e dirigentes de paz no mundo comovido de nossos dias. Viemos por isso para aprender, para ouvir a palavra de Deus (...) que significa aprender mais profundamente a apreciar esse dom (...) a paz esteja com você, querido irmão”.

As palavras de dom Francisco Valdés, primeiro bispo de Osorno, são palavras proféticas e muito atuais. Elas nos interpelam a buscar a paz que é sempre um dom de Deus, como são dons de Deus a reconciliação e o perdão.

Pedidos de perdão

O Papa Francisco me encarregou para pedir perdão a cada um dos fiéis da diocese de Osorno e a todos os habitantes deste território, por tê-los magoado e ofendido profundamente.

Tu que és nosso Pastor ressuscitado,

Senhor, tem piedade.

Tu que nos dás a vida em abundância,

Cristo , tem piedade.

Tu que nos congregas em um só rebanho,

Senhor, tem piedade.

+ S. E. dom Charles Scicluna

Arcebispo de Malta

Missão Pastoral Osorno

Declaração do arcebispo Charles Scicluna ao final de sua missão em Osorno

Agradeço a todos pela maravilhosa acolhida, calorosa e honesta, que nos brindaram no querido povo de Osorno. Obrigado por nos terem permitido experimentar o amor da Igreja que peregrina nesta abençoada terra, que nos comoveu profundamente.

Viemos aqui para comunicar a proximidade do Santo Padre, o Papa Francisco, ao povo amado do Chile e, em particular, ao povo de Osorno. Para mons. Jordi Bertomeu e para mim foi uma experiência profunda de Deus encontrar tantas comunidades paroquiais, tantas pessoas que tiveram a generosidade de compartilhar conosco suas feridas, experiências dolorosas, assim como também as suas esperanças e o amor à Igreja em Osorno.

Agradeço de modo muito especial a todos os membros do clero de Osorno, sacerdotes e diáconos permanentes, religiosos e religiosas. Nestes dias, pudemos apreciar com emoção a presença generalizada da proximidade da Igreja de Osorno com sua gente, com um autêntico serviço de evangelização e de trabalho pela justiça social.

Agradeço a todos por tanta boa vontade, por tanto amor à Igreja de Jesus Cristo e pelo desejo de uma grande maioria de uma verdadeira reconciliação, que não se consegue com uma missão de poucos dias, mas é um dom de Deus que deve ser acompanhado de um longo processo, que exige paciência, generosidade, fortaleza e humildade.

Permitam-me entregar uma mensagem direto ao povo de Osorno, citando as palavras do primeiro bispo, o servo de Deus Francisco Valdés: “Peço-lhes que tenham muita confiança no Senhor. Ele dirige todas as coisas, sempre as dirige para o nosso bem e o de Sua Glória”.

Finalizando esta mensagem, desejo a dom Jorge Concha, Administrador Apostólico desta amada diocese de Osorno, tudo de bom na sua missão de servir o povo de Deus que deseja a unidade e que procura ser verdadeira testemunha da alegria do Evangelho.

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