Chile. "O Papa nos pediu perdão; em breve virão as decisões", afirmam padres abusados sexualmente

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04 Junho 2018

Quatro horas e quinze minutos. Foi o quanto durou o encontro desta tarde de sábado do Papa Francisco com cinco sacerdotes chilenos vítimas "de abusos sexuais, psicológicos e de poder" e dos seus quatro acompanhantes no Vaticano. Depois de uma missa na capela de Santa Marta às 16h, Bergoglio se reuniu com todo o grupo e, em seguida, quis falar individualmente com cada um deles, renovando o seu pedido de "perdão" pelos danos causados por alguns representantes dessa mesma Igreja a que se consagraram e anunciando que em breve irá tomar "decisões claras para o curto, médio e longo prazo", sobre toda a situação chilena.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 02-06-18.

Quem referiu os conteúdos das conversas privadas foi padre Eugenio De La Fuente, um padre da paróquia do Sagrado Corazon de Providencia, mais conhecida como "El Bosque", o lugar onde aconteceram e foram perpetrados por anos os abusos do padre Fernando Karadima, o carismático sacerdote hoje com 86 anos e condenado pela Igreja a uma vida de penitência e oração. De La Fuente foi uma de suas primeiras vítimas, e também um dos primeiros acusadores quando foi deflagrado o escândalo em 2010.

Na noite de sábado um pequeno grupo de repórteres que o encontraram por volta das 21h em frente ao portão da Congregação para a Doutrina da Fé, junto com o padre Francisco Javier Astaburuaga, professor de Direito Canônico, que há vinte anos coloca-se ao lado das vítimas e que veio a Roma como acompanhante, o padre contou como o Papa tenha demonstrado a eles uma "empatia extraordinária". "Foi de enorme generosidade ter-nos convidando, o acolhimento caloroso que teve conosco, o tempo que ele nos dedicou. Saímos consolados."

"Fundamentalmente, (o papa) nos ouviu", relatou o padre Eugenio. Aliás, os sacerdotes chilenos não pediam nada além disso: só alguém que pudesse ouvir as suas confidências mais íntimas, depois de anos de respostas adiadas, pouca confiança, portas fechadas na cara, até mesmo por parte de alguns representantes das hierarquias eclesiásticas.

"Eu vim para Roma com três ideias, acrescentou De La Fuente: a gratidão pelo convite, a certeza de encontrar Pedro e a esperança. E as três minhas expectativas foram plenamente atendidas. Sinto uma imensa gratidão por seu acolhimento (do Papa, ndr), eu me sinto realmente confortado por ter sido totalmente compreendido por uma pessoa tão admiravelmente empática, que soube compartilhar a minha dor".

O padre - que voltará para o Chile, juntamente com os outros sacerdotes na próxima segunda-feira, 4 de junho - diz que retorna para casa com uma "grande esperança", porque o Papa Francisco mostrou ter "uma visão muito ampla e profunda do problema" e já amadureceu "decisões claras" que se traduzirão em "percursos para avançar" na erradicação dessa cultura do abuso e dos encobrimentos, a serem realizadas "no curto, médio e longo prazo."

Uma referência é claramente a resposta que o Papa dará a respeito das demissões em bloco dos 34 bispos chilenos que estiveram em Roma em meados de maio. Um gesto sem precedentes. O Papa não entrou especificamente na questão com seus convidados: "Ele não falou sobre as demissões", esclareceu Astaburuaga. “O que nos disse no último encontro de hoje, foi: ‘Peço o vosso perdão, peço perdão em nome da Igreja pelo que você viveram, pelo que vocês me contaram. Peço o vosso perdão’. Foi uma demonstração de grande humildade por parte do Santo Padre. Somos verdadeiramente gratos."

No encontro com as vítimas em Santa Marta -, além a De La Fuente e Astaburuaga, contou com padres Alejandro Vial Amunategui, Javier Barros Bascunan e Sergio Cobo Montalva (os outros pediram para permanecer anônimos) – participou também o padre Jordi Bertomeu, o sacerdote espanhol oficial da Doutrina da Fé que foi "braço direito" do arcebispo Charles Scicluna nas investigações de fevereiro no Chile, e que justamente com Scicluna voltará novamente - parece em cerca de dez dias - para uma segunda missão em Osorno, a diocese liderada pelo bispo Juan Barros um dos colaboradores mais próximos de Karadima.

Mais uma demonstração de proximidade por parte do Papa, esse segundo envio de dois de seus delegados, com a Igreja e a sociedade no Chile, afirmam os dois sacerdotes. "Os pastores nascem do povo de Deus e os pastores estão ali para servir o povo de Deus. É por isso que o Santo Padre frisou muito o texto da Lumen Gentium em que é feito um apelo a uma eclesiologia que tenha um profundo senso do povo de Deus" explicou padre Francisco, acrescentando: "Estamos conscientes de que existem problemas, mas apostamos nesta dinâmica da esperança que é o processo ao qual o Papa nos convida".

"Agora olhamos para frente", ecoou De La Fuente, "acredito que a coisa mais importante seja ver que está em curso um pacto sinodal para a renovação da Igreja no Chile. Confiamos totalmente no Papa e estamos esperançosos por tudo o que está fazendo e vai continuar a fazer."

O objetivo desta terceira rodada de encontros do Papa sobre a questão dos abusos no Chile (após o primeiro com as vítimas laicas Cruz, Murillo e Hamilton e o segundo com os bispos) foi esclarecido, de alguma forma, pela própria Santa Sé: "O objetivo desta reunião convocada pelo Papa Francisco é aprofundar a realidade vivida por uma parte dos fiéis e do clero chileno", declara-se um comunicado da Sala de Imprensa do Vaticano emitido no início da tarde. "Com a ajuda destes cinco sacerdotes, o Papa tenta remediar a ruptura interna da comunidade. Dessa forma, será possível começar a reconstruir uma relação sadia entre os fiéis e seus pastores, uma vez que todos estejam cientes das próprias feridas."

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