Lista de jesuítas acusados inclui 11 que trabalhavam na Universidade de St. Joseph, na Filadélfia

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19 Dezembro 2018

Quase doze padres jesuítas que trabalharam na escola preparatória ou na Universidade de Saint Joseph, na Filadélfia, durante as últimas décadas, constam na lista de clérigos que em algum momento podem ter abusado sexualmente de menores recentemente divulgada pela ordem religiosa.

A lista foi divulgada pela Companhia de Jesus da província de Maryland, e os sacerdotes da ordem atuaram na Pensilvânia, em Baltimore, em Maryland e no distrito de Columbia.

A reportagem é de Julia Terruso e Susan Snyder, publicada por The Inquirer, 18-12-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Grande parte dos casos de abuso aconteceu décadas atrás, e apenas dois casos envolviam um padre acusado de cometer os abusos na Filadélfia. Nenhum deles ainda está ativo no ministério, embora segundo as informações alguns sacerdotes tenham permanecido por anos depois do abuso.

Os jesuítas disseram que suas políticas para excluir sacerdotes do ministério melhoraram após a mudança nas regras de denúncia da Igreja Católica, em 2002.

"Estamos mais preparados agora", dizia o comunicado. "Nosso conhecimento da natureza e dos efeitos do abuso de menores mudou drasticamente ao longo dos anos. ... Reconhecemos as falhas do passado e lamentamos profundamente."

Os jesuítas afirmam que decidiram nomear os sacerdotes pelas recentes revelações sobre casos de abuso sexual de menores e convites para que as dioceses e ordens divulgassem os nomes. (A divulgação de um relatório da Suprema Corte, no meio do ano, com acusações de abuso em seis das oito dioceses católicas da Pensilvânia fez com que surgissem investigações semelhantes em mais de doze estados.)

Padres membros de ordens religiosas, que incluem os beneditinos, franciscanos e agostinianos, compõem cerca de um terço dos padres dos Estados Unidos. Eles atuam em grande parte de forma independente de suas dioceses.

A Universidade de St. Joseph reconheceu, em um comunicado publicado nesta segunda-feira, que seis sacerdotes na lista tinham vínculos com a instituição de ensino em alguns períodos dos anos 30 aos 90, mas que a escola “atualmente não tem quaisquer registros de má conduta sexual no campus envolvendo estes indivíduos".

Três já faleceram, e três foram proibidos de exercer o ministério, observou a instituição.

"Como uma universidade jesuíta fundada com base na missão educativa de desenvolver e cuidar da pessoa como um todo, [a Universidade de St. Joseph] está profundamente abalada por saber desta e de outras acusações de abuso sexual por padres e autoridades religiosas no mundo todo”, dizia o comunicado. "Continuamos nosso compromisso de enfrentar e impedir qualquer caso de abuso relatado no campus. Nossa comunidade permanece orando em solidariedade às vítimas e seus familiares."

A escola preparatória de Saint Joseph, que não é vinculada à universidade, apenas tem o mesmo nome e também é jesuíta, se recusou a comentar e repassou todas as perguntas aos jesuítas.

A promotoria geral não abriu processo penal pela prescrição dos fatos, mas os jesuítas continuaram a investigação.

Garrity, que estudou na escola preparatória, entrou para a ordem dos jesuítas em 1957 e teve uma série de cargos na instituição, inclusive tendo lecionado de 1964 a 1967 e de 1971 a 1979. Ele também foi capelão da escola de 1975 a 1978.

Não está no ministério ativo desde 2007. Ele era pastor da paróquia de Santa Cruz, em Durham, Carolina do Norte, e foi excluído naquele ano por ter se envolvido em conduta sexual imprópria com adultos.

Quando as alegações foram relatadas, ele morava numa comunidade monitorada, com outros jesuítas.

Outros sacerdotes acusados de abuso que tiveram cargos na Filadélfia listados pela ordem incluem:

  • William J. Walsh, que trabalhou na escola preparatória de St. Joseph de 1949 a 1951 e na universidade de St. Joseph de 1986 a 1991, enfrentou acusações de abuso sexual na Filadélfia, bem como em Maryland, Washington e Wernersville, na Pensilvânia. Ele recebeu a proibição de exercer seu ministério em 1996 e vive em um ambiente restrito.
  • H. Cornell Bradley, que trabalhou na Universidade de St. Joseph de 1994 a 1999. Ele foi acusado de abuso em Ocean City, Maryland, e Washington. Ele recebeu a proibição de exercer o ministério em 2006 e saiu da ordem dos jesuítas em 2007.
  • Michael L. Barber, que trabalhou na Universidade de St. Joseph de 1988 a 1994. Ele confessou ter cometido importunação ofensiva ao pudor em Strathmere, Nova Jersey, e foi proibido de atuar como padre em 1994. Ele vive em um ambiente restrito.
  • Neil P. McLaughlin trabalhou na escola de preparação de St. Joseph em 1953 e 1954. Ele foi acusado de abuso sexual em Dunmore, Pensilvânia, e Scranton, bem como Woodstock, em Maryland, Geórgia, Massachusetts e Nova York. Ele recebeu a proibição de exercer o ministério em 2007 e vive em um ambiente restrito.
  • Louis A. Bonacci foi acusado de praticar contato físico indesejado, por cima e por baixo da roupa da vítima, nos anos 70 e 80, em Columbia, Maryland. Bonacci fez parte da escola de preparação de St. Joseph de 1968 a 1970, foi proibido de exercer funções ministeriais em 2011 e deixou os jesuítas em 2014.
  • Garrett D. Orr fez parte da escola de St. Joseph de 1984 a 1989. Ele confessou duas acusações de abuso sexual do quarto grau, que envolve contato físico e/ou sexual indesejado, após várias denúncias de abuso em North Bethesda, Marylad. Ele foi afastado das atividades ministeriais em 2005 e saiu da ordem dos jesuítas em 2008.
  • John H. Duggan trabalhou no hospital Saint Agnes de 1972 a 1978. Ele foi acusado de abuso sexual em Scranton e em Towson, Maryland, bem como outros locais da Pensilvânia. Duggan morreu em 2004.
  • Jeff Burton, acusado de praticar contato físico indesejado em 1982, na Carolina do Norte, atuou na Universidade Stockton e na Faculdade Atlantic Cape Community College de 1989 a 2006. Ele também foi padre na Igreja da Assunção, em Galloway Township e em St. James, em Ventnor, Nova Jersey, de 1998 a 2002. Burton foi afastado das atividades ministeriais em 2007 e morreu em 2011.

As denúncias encontradas pela ordem eram razoáveis, mas não puderam ser totalmente investigadas, em alguns casos porque o padre veio a falecer quando as acusações vieram a público:

  • John F.X. Bellwoar, atuou na Universidade de St. Joseph de 1938 a 1940. Ele é acusado de cometer abusos nos anos 50 e 60, em Maryland e Washington. Bellwoar morreu em 1993.
  • Thomas E. Pyne, acusado de cometer abusos sexuais em Washington, nos anos 60. Ele trabalhou na escola preparatória de St. Joseph de 1953 a 1956, saiu da ordem dos jesuítas em 1968 e faleceu em 1999.
  • Martin J. Casey, que trabalhou na Universidade de St. Joseph de 1944 a 1947, na escola preparatória de 1954 a 1958 e na Igreja de Old St. Joseph de 1964 a 1971. Ele foi acusado de um único caso de abuso sexual, por volta de 1959, em Washington. Casey faleceu em 2006.

Os jesuítas incentivam possíveis vítimas de algum padre jesuíta ou funcionário a ligar para a Coordenadoria de Assistência a Vítimas, pelo número +1 443-370-6357 (EUA), pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou por correspondência para o endereço Maryland Province of the Society of Jesus, 8600 LaSalle Rd., Suite 620, Towson, Md. 21286.

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