Abusos sexuais na Igreja. Pelo menos más notícias são notícias boas

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30 Junho 2018

"Estes abusos ou encobrimentos são trágicos, mas o fato de estarem sendo expostos e tratados é uma boa notícia", escreve Thomas Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, em artigo publicado por Religion News Service, 28-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o artigo.

Nos escândalos de abuso sexual da Igreja Católica, manchetes aparentemente cotidianas sobre o clero sendo disciplinado, são na verdade uma boa notícia.

A verdadeira má notícia do escândalo, é claro, tem sido o abuso de crianças, que terá efeitos negativos sobre elas pelo resto de suas vidas. A boa notícia é que os perpetradores foram pegos e expostos. Acusações estão sob investigação e os culpados devidamente punidos.

Quando o escândalo de abuso foi descoberto pela primeira vez nos Estados Unidos há cerca de 30 anos, os bispos de outros países negaram ser um problema. O que é claramente um problema mundial, agora está chamando atenção ao mais alto nível na Igreja, graças ao Papa Francisco.

Nesse sentido, devemos ficar felizes em ver mais manchetes ruins, pois isso significa que mais criminosos estão sendo pegos.

Alguns dos casos que receberam atenção da mídia nos últimos meses incluem:

  • O cardeal Theodore McCarrick, arcebispo aposentado de Washington, foi acusado de abusar sexualmente de um adolescente há quase 50 anos. Ele não pode ser julgado sob a lei do estado de Nova York por causa do estatuto de limitações. Porém, a arquidiocese de Nova York considerou a acusação “confiável e substancial”. Francisco disse ao cardeal de 87 anos que ele não poderá mais exercer seu ministério sacerdotal. Este caso mostra que, no futuro, ninguém na Igreja poderá continuar como padre após um abuso.
  • Carlo Alberto Capella, um funcionário de 50 anos da nunciatura do Vaticano em Washington, foi acusado em agosto do ano passado, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, de possível violação das leis relacionadas à pornografia infantil. Ele tinha imunidade diplomática e não poderia ser julgado sob as leis do país norte americano. Em vez disso, ele foi julgado e considerado culpado em um tribunal do Estado da Cidade do Vaticano por posse e distribuição de pornografia infantil. Capella também foi condenado a cinco anos de prisão e multado em 5.000 euros (5.833 dólares). Seu caso também será examinado pela Congregação para a Doutrina da Fé, que também pode impor penalidades eclesiásticas, incluindo a demissão do sacerdócio.
  • O cardeal George Pell, licenciado do cargo secretário de finanças do Vaticano, está sendo julgado na Austrália por supostos abusos sexuais há 40 anos. Os detalhes não foram divulgados pelas autoridades australianas. A Igreja está esperando até que o processo legal estadual seja concluído antes de iniciar um processo próprio.
  • Todos os bispos do Chile submeteram suas renúncias a pedido do Papa por causa de suas falhas em lidar com padres abusivos. Francisco aceitou cinco renúncias. Primeiramente defendendo os bispos durante sua visita de janeiro ao Chile, o Papa posteriormente enviou o arcebispo maltês Charles Scicluna para investigar a situação. Depois de ler seu relatório, Francisco reconheceu seu erro, pediu desculpas e começou a se reunir com as vítimas chilenas de abuso.
  • O arcebispo Philip Wilson, de Adelaide, aos 67 anos, foi considerado culpado por um tribunal australiano de não denunciar à polícia o abuso de dois meninos por um padre na década de 1970. Um administrador apostólico foi nomeado para governar sua arquidiocese.
  • Um grande júri da Pensilvânia preparou um relatório sobre o manejo por parte da Igreja de abuso em seis dioceses do estado. Sua publicação foi temporariamente suspensa pela Suprema Corte da Pensilvânia.

Em uma carta aos católicos no Chile, Francisco denunciou a cultura de abuso e de encobrimento. Ele reconhece que a Igreja não ouviu as vítimas de abuso. "Envergonhado, devo dizer que não reagimos a tempo", escreveu ele.

Em janeiro, reconheci que Francisco tinha um ponto cego em relação ao abuso sexual e que não havia um bom argumento para lidar com bispos que não protegem as crianças. Francisco deve continuar se encontrando com as vítimas de abuso até o resto de seu papado, pois eles precisam de sua atenção pastoral, além de modelar o que outros bispos devem fazer.

A Igreja deve continuar a ser vigilante, ouvir as vítimas, denunciar às autoridades civis e lidar com eles, mesmo que isso signifique mais histórias ruins na mídia. Não fique surpreso ou desapontado se mais casos aparecerem no futuro. Estes abusos ou encobrimentos são trágicos, mas o fato de estarem sendo expostos e tratados é uma boa notícia.

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