Emissões globais de dióxido de carbono (CO2) aumentam mesmo com a diminuição do carvão e o aumento das energias renováveis

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14 Dezembro 2018

Emissões globais de dióxido de carbono aumentaram pelo segundo ano consecutivo, impulsionadas pelo crescente consumo de energia.

O texto foi publicado por Escola de Ciências da Terra, Energia e Meio Ambiente de Stanford (Stanford Earth) e reproduzido por EcoDebate, em 12-12-2018. A tradução é de Ivy do Carmo.

As emissões globais de dióxido de carbono se encaminham para aumentar pelo segundo ano consecutivo, principalmente devido ao crescente consumo de energia, de acordo com novas estimativas do Projeto Carbono Global, uma iniciativa liderada pelo cientista Rob Jackson, da Universidade Stanford.

As novas projeções chegam em uma semana em que negociadores internacionais estão se reunindo na cidade carbonífera de Katovice, na Polônia, para desenvolver as regras de implementação do acordo climático de Paris. Sob o acordo de 2015, centenas de nações se comprometeram a reduzir as emissões de carbono e a manter o aquecimento global “bem abaixo” de 2 graus Celsius acima da temperatura pré-industrial.

“Nós pensávamos, talvez esperávamos, que as emissões haviam atingido seu auge há alguns anos,” disse Rob, professor de ciência do sistema terrestre na Escola de Ciências da Terra, Energia e Meio Ambiente de Stanford (Stanford Earth). “Após dois anos de crescimento renovado, aquilo foi uma ilusão.”

O relatório do Projeto Carbono Global, intitulado “Global energy growth is outpacing decarbonization”, apareceu em 5 de dezembro na revista revisada por pares Environmental Research Letters, com mais informações detalhadas publicadas simultaneamente na Earth System Science Data. O grupo estima que as emissões globais de CO2 (dióxido de carbono), devido à queima de combustíveis fósseis – as quais representam aproximadamente 90% de todas as emissões provocadas por atividades humanas – alcançarão um máximo histórico de mais de 37 bilhões de toneladas em 2018, um aumento de 2,7% do total de emissões em 2017. Isso se contrapõe ao 1,6% de aumento do ano anterior. As emissões de origem não fóssil, tais como o desmatamento, estão projetadas para acrescentar quase 4,5 bilhões de toneladas de emissões de carbono ao total de 2018.

“A demanda global por energia está ultrapassando o poderoso crescimento das energias renováveis e da eficiência energética,” disse Rob Jackson, que também é membro sênior do Woods Institute for the Environment e do Precourt Institute for Energy, de Stanford. “O tempo está passando em nossa luta para manter o aquecimento abaixo de 2 graus.”

Carros, carvão e clima frio

Nos Estados Unidos, calcula-se que as emissões de dióxido de carbono aumentarão 2,5% em 2018, após uma década de declínios. Os culpados pelo aumento incluem o clima atípico – um inverno frio nos estados ao leste e um verão quente em grande parte da nação intensificaram a necessidade de energia para o aquecimento e o resfriamento sazonal – assim como um crescente apetite por petróleo diante dos preços baixos de combustível.

“Estamos dirigindo mais quilômetros em carros maiores, mudanças estas que estão ultrapassando as melhorias na economia de combustível dos veículos,” Rob explicou. No geral, o uso do petróleo nos EUA está a caminho de crescer mais de 1% este ano, em comparação com 2017.

O consumo de um combustível fóssil, no entanto, não está mais em ascensão: o carvão. O estudo mostrou que o consumo de carvão no Canadá e nos Estados Unidos caiu em 40% desde 2005, e apenas em 2018 espera-se que os EUA bata os recordes e reduza o volume da produção de carvão em 15 gigawatts. “As forças de mercado e a necessidade de um ar mais limpo estão empurrando os países na direção da energia eólica, solar e de gás natural,” disse Rob. “Esta mudança não somente reduzirá as emissões de CO2, mas também salvará vidas perdidas para a poluição atmosférica.”

O estudo ainda mostra que as energias renováveis ao redor do mundo estão sendo cada vez mais usadas como complementos das fontes de energia de combustíveis fósseis – especialmente o gás natural – em vez de como substitutos. “Não é o bastante que as energias renováveis cresçam,” Rob disse. “Elas precisam tomar o lugar dos combustíveis fósseis. Até agora, isso está acontecendo com o carvão mas não com o petróleo ou com o gás natural.

Com o passar do tempo, os pesquisadores alertam que o uso intensificado de carvão em regiões onde grandes faixas da população não tem acesso a eletricidade confiável poderia em algum momento exceder os acentuados cortes no uso de carvão em outros lugares. Estima-se que as emissões na Índia, por exemplo, crescerão 6% este ano, à medida que o país corre para construir novas usinas de energia para necessidades industriais e de consumo. “Eles estão construindo tudo – eólica, solar, nuclear e de carvão – muito rapidamente,” disse Rob.

Funcionamento a todo vapor

A demanda por energia está crescendo em todo o mundo. “É a primeira vez em uma década que as economias de praticamente todos os países estão crescendo,” disse Rob.

De acordo com o estudo, a maior mudança nas emissões de carbono deste ano, comparado a 2017, é uma aceleração substancial tanto no consumo de energia quanto nas emissões da China. Após quatro anos de emissões estáveis em meio à pressão para melhorar a qualidade do ar, o país agora pisou no acelerador.

O crescimento econômico global aumentou a demanda por aço, ferro, alumínio e cimento fabricado na China. Enquanto isso, uma recente diminuição na economia da própria China estimulou o país a mudar seu enfoque para o desenvolvimento de energia.

Figura. Painel superior: emissões globais de CO2
provenientes da queima de combustíveis fósseis e
da indústria (círculos abertos) e Produto Mundial
Bruto ($ US) expresso como paridade do poder
de compra (quadrados preenchidos; Banco Mundial
2018) desde 1990. Os símbolos em vermelho
são projeções para 2018. Painel do meio: relativo
ao ano 2000, Produto Mundial Bruto, emissões
globais de CO2 provenientes da queima de
combustíveis fósseis e da indústria, consumo de
energia global (BP 2018), intensidade de CO2 do
sistema de energia (emissões globais de CO2
provenientes da queima de combustíveis fósseis
e da indústria divididas pelo consumo de energia
global), e intensidade de energia da economia
global (consumo de energia global dividido pelo
PIB global) de 1990 a 2018. Painel inferior:
emissões de CO2 fósseis, incluindo a produção
de cimento globalmente e por cinco regiões
(ROW = Rest of Word); parênteses mostram
índice médio de crescimento anual para 2012
a 2017. (Foto: EcoDebate)

“A China está estimulando projetos de carvão que estavam parados,” disse Rob. Como resultado, espera-se que as emissões do país aumentem 5% em 2018, além do crescimento de aproximadamente 3,5% no ano anterior.

As estimativas desse ano em alguns aspectos marcam um retorno a um antigo padrão, no qual as economias e as emissões crescem mais ou menos em sincronia. Contudo, a história recente sugere que os dois podem ser dissociados. De 2014 a 2016, as emissões se mantiveram bem estáveis apesar do crescimento no produto interno bruto global, em grande parte graças ao uso reduzido de carvão nos EUA e na China, à aprimorada eficiência energética e à expansão de energia renovável em todo o mundo.

“Nós podemos ter crescimento econômico com menos emissões,” disse a cientista do clima Corinne Le Quéré da Universidade de East Anglia, autora principal do artigo do grupo na Earth System Science Data. “Não há dúvidas quanto a isso.” Durante a última década, pelo menos 19 países, incluindo a Dinamarca, a Suíça e os Estados Unidos, reduziram as emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis enquanto suas economias cresceram.

Em 2019, a menos que haja um declínio na economia global, os pesquisadores antecipam que as emissões de dióxido de carbono crescerão ainda mais, apesar da urgência de se reverter o curso. De acordo com Rob, “nós precisamos que as emissões se estabilizem e rapidamente diminuam até não existirem mais.”

Referência:

Global energy growth is outpacing decarbonization R B Jackson, C Le Quéré, R M Andrew, J G Canadell, J I Korsbakken, Z Liu, G P Peters and B Zheng Published 5 December 2018 • © 2018 The Author(s). Published by IOP Publishing Ltd Environmental Research Letters, Volume 13, Number 12 DOI https://doi.org/10.1088/1748-9326/aaf303 

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