França. A amargura do presidente dos bispos: “Uma atrocidade, peço mil vezes perdão”

Revista ihu on-line

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Mais Lidos

  • O suicídio no clero do Brasil

    LER MAIS
  • “Agro é fogo”: incêndios no Brasil estão ligados ao agronegócio e ao avanço da fome, diz dossiê

    LER MAIS
  • Polícia de RO invade casa de advogada para apreender material de defesa de camponeses

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


07 Outubro 2021

 

Eric de Moulins-Beaufort, o arcebispo de Reims: "Estou profundamente envergonhado".

 

"Estou profundamente envergonhado." Pede mil e mil vezes o "perdão", em seu nome e em nome de toda a Igreja da França. Ele se sente humilhado e envergonhado diante do mal absoluto das violências contra milhares de crianças infligida por sacerdotes durante setenta anos nas Sagradas Salas do país. O presidente da Conferência Episcopal, mons. Eric de Moulins-Beaufort, arcebispo de Reims, sofre também e principalmente pelos silêncios póstumos de quem não quis ouvir o grito desesperado de algumas das cerca de 330.000 vítimas de pedofilia na Igreja francesa de 1950 até hoje, de acordo com o relatório da Ciase (Comissão sobre os Abusos Sexuais na Igreja) encomendado pelos próprios bispos.

A entrevista com Eric de Moulins-Beaufort é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 06-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Excelência, como pode recomeçar a Igreja da França?

Essas cifras são uma surpresa enorme, inacreditável e espantosa, além de uma aflição indescritível. A voz daqueles que foram abusados nos oprime, seu número nos oprime. Tudo isso é insuportável, além de intolerável. Portanto, o primeiro fundamental passo a ser dado é escutar com o coração aberto o sofrimento daqueles que foram violentados: é uma exigência crucial. Depois teremos que tomar consciência dessas atrocidades cometidas por milhares ‘de nós’.

 

E depois?

Seremos depois chamados a tomar as decisões necessárias, considerando as recomendações do relatório, sobre como prevenir os abusos. Estas incluem a formação dos padres e a promoção de políticas para o ressarcimento das vítimas.

 

E algum prelado terá que renunciar ou ser “convidado” a isso, não acha?

Depois de ter apurado as responsabilidades precisas, os passos para trás são um dos caminhos a percorrer. Mas de qualquer forma não será suficiente: nós bispos com todos os sacerdotes e fiéis devemos ler esse dossiê dos horrores, e depois trabalhar juntos para sairmos sem ambiguidades dessa dolorosa crise de proporções memoráveis e impressionantes.

 

Além das ações criminosas, entre as tantas questões que emergem do trabalho da comissão, qual é a que mais lhe entristece?

A profunda indiferença, inclusive cruel, para com as vítimas. É vergonhosa. A recusa em ver, em ouvir, o desejo de esconder, a relutância em denunciar. A Igreja em muitas das suas personalidades não foi capaz - ou não quis - ouvir, ver, perceber o grito desesperado de milhares de crianças e jovens. E isso é o exato contrário da ternura de Deus.

 

Se o senhor se encontrasse com uma das milhares de vítimas, o que lhe diria?

A primeira coisa é que estou tentando compartilhar, ‘fazer meu também’ algo do seu padecimento. Tive a oportunidade de algumas conversas com pessoas violentadas, trabalhei com elas nesses três anos, e hoje sinto que tenho uma certa percepção de seu tormento. Mas nunca vou deixar de expressar minha vergonha, o meu sofrimento. E de pedir a elas perdão. Peço perdão a cada uma e a cada um deles. Mesmo sabendo que não é suficiente. É necessário que toda a Igreja da França peça perdão.

 

O senhor falou com o Papa sobre esta situação?

Sim. Ele me disse que é a minha e a nossa cruz. Depois acrescentou que mais tarde pode tornar-se também luz: o Pontífice pensa que quando esses crimes aberrantes vêm à luz, começa o caminho para a purificação.

 

Qual é a luz nesta escuridão em que afundou a Igreja da França?

Só existe uma: a palavra das vítimas. A partir daí temos que recomeçar, para tentar reparar os danos atrozes causados e evitar novos escândalos.

 

Leia mais

 

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

França. A amargura do presidente dos bispos: “Uma atrocidade, peço mil vezes perdão” - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV