Bispos franceses se responsabilizam pelos escândalos de abusos sexuais

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26 Fevereiro 2021

Durante uma reunião online extraordinária, durante três dias, os líderes católicos na França preparam o terreno para uma assembleia maior em março.

A reportagem é de Céline Hoyeau, publicada por La Croix, 25-02-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Os bispos católicos da França deram outro passo importante no reconhecimento de suas próprias responsabilidades pelas crises de abusos sexuais que sacudiram a Igreja.

A Conferência Episcopal Francesa (CEF) realizou uma assembleia plenária extraordinária por videoconferência, entre os dias 22 e 24 de fevereiro, com vários bispos afirmando que puderam esclarecer questões relacionadas à responsabilidade pessoal e coletiva.

Um dos prelados admitiu que sentiu certo embaraço e temeu que os bispos “ainda estivessem se acusando” quando ouviu pela primeira vez que o encontro tinha como objetivo examinar a responsabilidade episcopal pelos abusos cometidos por outros.

Mas ele disse que as discussões com as vítimas e as conversas de Henry Rousso, presidente do Museu Memorial das Sociedades que Enfrentam o Terrorismo, o ajudaram a desdramatizar e esclarecer a espinhosa questão.

Pode haver responsabilidade sem ser legalmente culpado, apontou o historiador.

Em outras palavras, quando o Estado reconhece sua responsabilidade para com as vítimas e as indeniza, não significa que um líder político seja imputável por um crime.

“Posso me sentir responsável pelo que acontece hoje ou amanhã, mas não me posso considerar responsável pela falta de juízo dos meus antecessores, nem pelos erros passados da instituição”, confidenciou o bispo.

“A palestra ajudou a esclarecer as coisas”, reiterou.

Responsabilidade não significa culpa, mas solidariedade. Como somos bispos, devemos responder pelo ocorrido”, reconheceu o bispo.

Tal conscientização é, sem dúvida, um dos avanços que vieram desta extraordinária assembleia plenária, que aconteceu digitalmente por causa das restrições de saúde em curso devido à pandemia do coronavírus.

“A questão não é tanto pelo que somos responsáveis, mas como assumimos a responsabilidade?”, disse Véronique Garnier, uma das vítimas que foi convidada a falar na assembleia.

“E ouvi vários bispos se perguntarem como poderiam assumir sua responsabilidade de maneira colegial”, disse ele.

 

Deve haver processo de perdão

A reunião nunca teve o objetivo de levar a decisões imediatas. Isso permitiu uma conversa livre e aberta que favoreceu a qualidade do diálogo e da escuta, que foi acolhida pelas vítimas associadas ao trabalho.

Os bispos assistiram a uma gravação filmada da peça teatral, “Pardon?”, escrita e produzida pelo comediante francês Laurent Martinez, com base em sua própria experiência de abuso, a peça teria deixado uma profunda impressão nos bispos.

Os líderes da Igreja também discutiram como criar um processo claro para pedir perdão.

“Não seria a instituição que pediria perdão às vítimas, mas se voltaria a Deus para pedir perdão pelo mal cometido por seus membros”, explicou um dos bispos.

Isso seria na forma de uma declaração? Um serviço de penitência comunal?

“O povo de Deus não pode ser espectador; devemos refletir sobre como esta pode ser a abordagem para toda a Igreja”, insistiu o mesmo bispo.

 

Opiniões ainda divididas

No final da assembleia, os bispos franceses deram orientações ao conselho permanente da CEF, que deve se reunir no início da próxima semana (1 ° ao 2 de março).

Eles tomarão decisões já em março, como haviam anunciado inicialmente?

A declaração final da assembleia extraordinária que acabou de terminar foi bastante geral. Ele simplesmente disse que fazia parte da preparação para a assembleia anual de primavera da CEF, marcada para 23 a 26 de março.

Notou que o objetivo desse encontro “será comprometer a Igreja na França por vários anos em um mecanismo viável para tirá-la da crise de violência sexual e abuso de poder”.

A declaração também notou que a assembleia de março também está ocorrendo em antecipação “ao relatório da Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja (CIASE, pela sigla em francês)”, que deve ser publicado em outubro próximo.

O cronograma para a tomada de decisões finais sobre os próximos passos a serem dados ainda está em discussão.

Alguns bispos, por não serem sensíveis às opiniões das vítimas, querem esperar até a assembleia de novembro para fazer isso.

“É necessário colocar as coisas em ordem: primeiro os resultados da CIASE, que será um tsunami nas comunidades, depois um discurso público e só depois, ações concretas”, disse Olivier Savignac, da rede francesa de vítimas, “Fé e Resiliência”.

Mas outros bispos consideram que devem “assumir as suas responsabilidades agora”, mesmo que isso signifique que tenham de ser atualizados posteriormente, com base nas recomendações da CIASE.

Ainda há aqueles que estão fechados que nenhuma autoridade de fora tenha permissão para ditar as decisões aos bispos.

Parece que os líderes da Igreja finalmente abandonaram a ideia de oferecer uma indenização de montante fixo padrão para as vítimas e agora estão discutindo a possibilidade de adaptar a indenização caso a caso.

A CIASE, por sua vez, consideraria um pacote básico ao qual se acrescentaria um segundo nível de indenização, dependendo da situação de cada vítima e do dano sofrido.

 

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