Pedofilia no clero, o mea culpa no Sínodo dos Bispos: “Por muito tempo o grito das vítimas foi um grito que a Igreja não ouviu”

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09 Setembro 2021

 

Um novo mea culpa pela pedofilia do clero. É o que lemos no documento preparatório do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. “Não podemos esconder - afirma o texto - que a própria Igreja deve enfrentar a falta de fé e a corrupção também dentro dela.

Em particular, não podemos esquecer o sofrimento vivido por menores e pessoas vulneráveis devido aos abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número considerável de clérigos e pessoas consagradas. Somos continuamente interpelados, como povo de Deus, a assumir a dor dos nossos irmãos feridos na carne e no espírito: durante muito tempo o grito das vítimas foi um grito que a Igreja não soube ouvir suficientemente. Trata-se de feridas profundas, difíceis de curar, para as quais nunca pediremos perdão suficiente e que constituem obstáculos, por vezes imponentes, para avançar no sentido de caminharmos juntos”.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 08-09-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

No documento, a Santa Sé reitera que “toda a Igreja é chamada a acertar as contas com o peso de uma cultura impregnada de clericalismo, que herda da sua história, e de formas de exercício da autoridade sobre as quais se articulam os diferentes tipos de abuso (de poder, econômicos, de consciência, sexuais). É impensável uma conversão da ação eclesial sem a participação ativa de todos os componentes do povo de Deus: juntos pedimos ao Senhor a graça da conversão e a unção interior para podermos expressar, diante desses crimes de abuso, o nosso arrependimento e nossa decisão de lutar com coragem”.

O Papa Francisco determinou um processo sinodal que durará dois anos e terminará em outubro de 2023 com o Sínodo dos Bispos a ser realizado no Vaticano. A partir do próximo dia 9 de outubro começará aquele diocesano em Roma, que será aberto por Bergoglio, e posteriormente em todas as Igrejas particulares. As contribuições que chegarão das dioceses de todo o mundo servirão de base de trabalho para a assembleia final. O documento preparatório sublinha “o desejo de protagonismo dentro da Igreja dos jovens e o pedido de uma maior valorização das mulheres e dos espaços de participação na missão da Igreja, já assinalados pelas assembleias sinodais de 2018 e 2019. Nesta linha seguem também a recente instituição do ministério laical do catequista e a abertura às mulheres do acesso ao do leitorado e do acolitado”.

O texto também enfoca o cenário mundial atual: “Uma tragédia global como a pandemia de covid-19 despertou por algum tempo a consciência de ser uma comunidade mundial que navega no mesmo barco, onde o mal de um é prejudicial a todos: nós lembrou que ninguém se salva sozinho, que só podemos nos salvar juntos. Ao mesmo tempo, a pandemia fez explodir as desigualdades e as iniquidades já existentes: a humanidade parece cada vez mais abalada por processos de massificação e de fragmentação; a trágica condição em que os migrantes vivem em todas as regiões do mundo atesta quão altas e robustas ainda são as barreiras que dividem a única família humana”.

Por fim, a Santa Sé denuncia que “ao lado de países onde a Igreja acolhe a maioria da população e representa uma referência cultural para toda a sociedade, existem outros onde os católicos são minoria; em alguns desses católicos, junto com outros cristãos, experimentam formas de perseguição também muito violentas e, muitas vezes, o martírio. Se por um lado prevalece uma mentalidade secularizada que tende a expulsar a religião do espaço público, por outro um fundamentalismo religioso que não respeita as liberdades alheias alimenta formas de intolerância e violência que se refletem também na comunidade cristã e nas suas relações com a sociedade.

Não raro os cristãos assumem as mesmas atitudes, fomentando divisões e contraposições até na Igreja. Igualmente, é preciso levar em conta a maneira como reverberam dentro da comunidade cristã e em suas relações com a sociedade as fraturas que permeiam esta última, por motivos étnicos, raciais, de casta ou por outras formas de estratificação social ou de violência cultural e estrutural. Essas situações têm um impacto profundo no significado da expressão caminhar juntos e nas possibilidades concretas de a concretizar”.

Por isso, sublinha-se que “a capacidade de imaginar um futuro diferente para a Igreja e para as suas instituições, à altura da missão recebida, depende em grande medida da escolha de iniciar processos de escuta, diálogo e discernimento comunitário, aos quais todos e cada um possam participar e contribuir. Ao mesmo tempo, a escolha de caminhar juntos é um sinal profético para uma família humana que precisa de um projeto compartilhado, capaz de buscar o bem de todos. Uma Igreja capaz de comunhão e de fraternidade, de participação e de subsidiariedade, na fidelidade ao que anuncia, poderá estar ao lado dos pobres e dos últimos e prestar-lhes a sua voz”.

 

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