América Latina. O padrão de abusos que golpeou o continente católico

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23 Fevereiro 2019

Sacerdotes latino-americanos protagonizaram alguns dos maiores escândalos de abusos na Igreja. Depois de décadas de silêncio, as vítimas começam a ser escutadas. Essa reportagem aborda os casos que sacudiram a região.

A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 22-02-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

A histórica cúpula que se realiza no Vaticano, com todos os presidentes das Conferências Episcopais do mundo, revive, em grande escala, o encontro que já teve Papa Francisco com os 34 bispos chilenos em maio de 2018. Na ocasião os chamou a Roma, depois de ordenar uma investigação que revelou a magnitude do problema e deu pé a um início de limpeza na hierarquia do clero local.

Porém os demais países latino-americanos não escapam dessa crise. Com distintas magnitudes e alcances, já seja em paróquias, escolas, seminários ou organizações de vida apostólica, se repetem certos padrões comuns: organizações hierárquicas, nas quais os abusadores alcançam um grande poder sobre as crianças e jovens em situações vulneráveis, dominam sua vontade e manipulam suas consciências.

As vítimas são silenciadas e caso se atrevam a denunciar, são desacreditadas ou os acusados são transferidos para outros lugares, onde igualmente podem continuar com abusos sexuais e de consciência. Os casos também têm em comum a falta de reação oportuna por parte das autoridades do clero para atender as reivindicações das vítimas, investigar e sancionar os culpáveis.

México

As denúncias contra o fundador dos Legionários de Cristo, Marcial Maciel, próximo do Papa João Paulo II, demoraram década para serem escutadas pelo Vaticano, até que Bento XVI ordenou em 2006 uma investigação. Para então, se soube da dupla ou tripla vida que escondia o poderoso sacerdote, que havia abusado de inúmeras crianças e jovens e tinham ainda vários filhos. Devido a sua avançada idade e delicado estado de saúde, o caso foi fechado e foi mandado para uma vida de penitência e oração. Morreu dois anos mais tarde.

Recentemente, o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada reconheceu que o Vaticano tinha antecedentes sobre os delitos de Maciel desde muitos anos.

Honduras

No ano passado, um grupo de seminaristas denunciou uma rede de práticas homossexuais, no seminário maior de Tegucigalpa, que estaria protegida pelo reitor da instituição. Segundo testemunhas, o escândalo chegaria até o ex-bispo auxiliar de Tegucigalpa, dom José Juan Pineda Fasquelle, cuja renúncia foi aceita em julho do ano passado pelo papa.

Peru

Uma investigação do Vaticano, que recolheu centenas de testemunhos, determinou que Luis Fernando Figari, fundador em 1971 do movimento Sodalício de Vida Cristã, e outros três membros da organização, cometeram abusos sexuais e outros vexames, incluídas sessões de tortura, contra crianças e jovens.

A associação sofreu intervenção no ano passado e o Vaticano determinou que Figari, que se encontra em Roma, está proibido de regressar ao Peru e ter qualquer contato com os membros do Sodalício. Paralelamente, a justiça civil investiga Figari e outros ex-membros por delitos da associação ilícita, abusos e sequestro.

Equador

O ex-pároco Luis Fernando Intriago Páez, acusado de assédio sexual por vários menores, foi advertido várias vezes e suspenso em 2013, até que em 2018 foi expulso do sacerdócio. Intriago tinha proximidade com crianças e jovens do Movimento de Vida Cristã, que trouxe do Sodalício no Peru. Vítimas denunciam que o padre também as submetia a sessões de tortura denominadas a “dinâmica do pecado”, supostamente para colocar à prova sua força.

Argentina

Entre outros casos, está o do sacerdote Julio Cesar Grassi, que se fez famoso em programas de televisão e campanhas para arrecadar fundos para a fundação Felices los Niños, que ele criou. Está preso desde 2013, cumprindo uma condenação 15 anos por abuso sexual e corrupção de menores. Ademais, tem uma condenação por malversação de fundos e desvios de doações no seu benefício.

Chile

Demorou décadas para a igreja chilena assumir a gravidade dos casos de abusos, se decidir a investigar e pedir perdão. Em 2002, o ex-bispo Francisco José Cox foi afastado de suas funções por “condutas impróprias” e transferido para a Alemanha. Somente no ano passado o Papa Francisco o expulsou do sacerdócio. Cox acaba de voltar ao Chile, onde enfrentará a justiça.

O ex-pároco Fernando Karadima foi durante décadas o guia espiritual de jovens de famílias de classe alta, sobre os quais exerceu abuso sexual e de consciência. De suas filas saíram inúmeros sacerdotes e bispos, o que lhe deu influência no seminário e no arcebispado de Santiago. Apenas em 2010 as acusações se fizeram públicas. Uma investigação vaticana declarou Karadima culpável de abuso sexual com violência contra menores e o condenou a uma vida de penitência e reclusão. Posteriormente foi expulso do sacerdócio.

Ainda que o Papa tenha expressado sua vergonha e pedido perdão por esses delitos, durante sua visita ao Chile, em 2018, sua defesa ao bispo Juan Barros, próximo a Karadima, lhe custou o rechaço da sociedade chilena. Francisco ordenou dom Charles Scicluna para fazer uma investigação no país e reconheceu ter incorrido em graves erros de avaliação.

Em um gesto inédito, Francisco convidou ao Vaticano um grupo de vítimas e mais tarde convocou todos os bispos chilenos, que renunciaram sem exceção. Até agora, o Papa aceitou a demissão de sete desses. Adicionalmente, a Justiça mantém casos abertos que envolvem mais de 70 sacerdotes. O próprio cardeal Ricardo Ezatti, arcebispo de Santiago, enfrenta uma investigação como suposto encobridor de abuso sexual.

Outro caso que golpeou a sociedade chilena é o dos Irmãos Maristas. O Papa ordenou um processo devido às numerosas e graves denúncias de parte de ex-alunos. Também o de Cristián Precht, que dirigiu o Vicariato da Solidariedade, emblemático organismo da Igreja Católica ligado à defesa dos direitos humanos durante a ditadura. Depois de uma investigação, foi expulso do sacerdócio.

E para finalizar, outro ícone da igreja chilena, o jesuíta Renato Poblete, já falecido, que dirigiu por 18 anos a maior obra de beneficência do país, o Hogar de Cristo. Recentemente a igreja anunciou uma investigação por suspeita de condutas abusivas contra uma mulher.

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