Chilenos denunciam abusos sexuais cometidos por irmãos maristas, frade capuchinho e padres

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15 Maio 2018

Mesmo que o Papa Francisco tenha se desculpado de seus fracassos relacionados ao caso mais famoso do Chile de abuso sexual clerical, o papa e a Igreja Católica profundamente desacreditada do país estão sob uma crescente pressão para tratar de outro escândalo sexual ainda maior.

A reportagem é de Eva Vergara, publicada por Crux, 14-05-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O emergente escândalo dos Irmãos Maristas, uma congregação dedicada à educação, ainda não atraiu grande atenção em todo o mundo – ao contrário das alegações de que um bispo encobriu os crimes de um sacerdote pedófilo, o Pe. Fernando Karadima.

Francisco passou recentemente vários dias na Casa Santa Marta em conversas com três das vítimas de Karadima. Nesta semana, ele estará se reunindo com todos os bispos do Chile para enfrentar a crise que envolveu várias lideranças da Igreja e de ordens religiosas.

No caso marista, as acusações de abuso são muitas.

“É uma situação de abuso sistemático, em que há múltiplos abusadores ao longo do tempo, dentro e fora da congregação”, disse Juan Pablo Hermosilla, advogado de algumas das vítimas. Ele disse que há pelo menos 20 casos de abuso, mas que pode haver mais.

“É uma situação sem precedentes”, afirmou.

Os maristas são irmãos religiosos, não padres. Eles atuam em dezenas de países em todo o mundo. O escândalo veio à tona em agosto passado, quando o grupo revelou que pelo menos 14 menores foram abusados dos anos 1970 até 2008 por Abel Perez, um irmão que trabalhou em duas das escolas da ordem. Depois, reconheceu-se que outro marista abusou sexualmente de cinco estudantes.

Os maristas abriram uma investigação canônica e lançaram uma ação legal contra Perez. Mas muitos chilenos ficaram indignados quando a ordem admitiu que Perez havia confessado tudo em 2010 – sete anos antes.

Agora, as vítimas apresentaram uma denúncia criminal contra três padres católicos, um frade capuchinho e seis maristas. Nessa queixa e em entrevistas, eles contaram inúmeros encontros abusivos.

Jaime Concha disse que tinha 12 anos quando foi estuprado por Perez durante uma viagem de escoteiros nos anos 1970. Ele disse que Perez, guia da viagem, levou-o a uma barraca depois que ele adoeceu e lhe deu chá de ervas misturado com álcool.

“Quando acordei no meio da noite, ele estava se aproveitando de mim”, disse o médico de 55 anos à Associated Press. “Ele já havia me estuprado.” Mas ele disse que Perez o culpou do abuso, dizendo: “Não se preocupe, eu já pedi que Deus perdoe o seu pecado”.

Gonzalo Dezerega, 55 anos, chorou ao contar como Perez o estuprou nos vestiários da escola. Ele tinha 10 anos.

Perez se recusou a falar com a mídia. Apesar de a ordem reconhecer que ele confessou seus crimes, seus advogados continuam sustentando sua inocência.

Os supostos abusos no Instituto Alonso de Ercilla, no Chile, aconteciam frequentemente no porão da escola, nos quartos dos Irmãos Maristas que viviam em uma residência ligada à escola, ou em retiros espirituais e viagens de campo dos escoteiros.

Concha disse ter sido abusado por outros maristas, assim como por padres. Jorge Franco disse que tinha 15 anos quando foi abusado por um padre enquanto outro assistia.

Tanto Concha quanto Franco disseram que o atual diretor da escola, Jesus Perez – que na época estava encarregado pelas atividades pastorais, incluindo missas, comunhão e confissões – uma vez os arrastou para o porão da escola, forçou-os a tirarem suas roupas e vestirem uma túnica enquanto esperavam para fazer um “teste vocacional” para verificar se eram aptos para se tornarem irmãos maristas.

Depois, disseram, ele os entregou aos padres que abusaram deles.

Jesus Perez rejeitou as acusações. “Eu nego completamente...”, disse. “Eu conheço os ex-estudantes, eu estava aqui, eu trabalhei aqui, mas eles não podem me acusar de ser cúmplice.”

Hector Villena, porta-voz da congregação no Chile, disse que os maristas não comentam as alegações.

Mas, em uma indicação de como o escândalo é amplo, o primeiro padre designado pelos maristas para conduzir uma investigação preliminar foi removido depois que a mídia chilena relatou que ele próprio havia sido acusado de crimes sexuais.

Os escândalos sexuais chilenos foram uma catástrofe para o papa. Ele visitou o país em janeiro e, antes de embarcar no avião papal para retornar a Roma, Francisco disse que, enquanto não visse uma prova de que o bispo Juan Barros era cúmplice no acobertamento dos crimes sexuais de Karadima, as acusações contra Barros eram “todas calúnias”.

Os comentários do papa provocaram um choque entre os chilenos e uma imediata repreensão das vítimas e de seus advogados em todo o mundo, levando-o a enviar posteriormente o investigador de crimes sexuais do Vaticano, o arcebispo Charles Scicluna, para investigar Barros.

Depois de receber o relatório de 2.300 páginas de Scicluna, o papa voltou atrás e pediu desculpas por ter desacreditado as vítimas. Ele convidou Juan Carlos Cruz, um informante-chave no caso, e outros dois sobreviventes de abuso para vários dias de reuniões privadas e em grupo.

Cruz contou que o papa lhe disse: “Eu fui parte do problema. Eu causei isso e peço perdão.”

Embora originalmente encarregado de investigar Barros, Scicluna também entrevistou várias das vítimas dos maristas, um claro sinal de que seu mandato havia sido expandido. De fato, Scicluna ouviu depoimentos de vítimas de vários outros abusadores e ouviu denúncias de encobrimento e de inércia por parte de lideranças da Igreja, até mesmo contra padres condenados por crimes sexuais pelos tribunais chilenos.

Um comunicado vaticano divulgado no sábado, antes da reunião de Francisco com os bispos chilenos, deixou claro que ele finalmente deu continuidade às denúncias das vítimas: o texto acusava a hierarquia chilena de “graves omissões” ao cuidar das vítimas e de ter acobertado abusadores.

A influência da Igreja Católica no Chile foi corroída após a série de escândalos. Uma pesquisa recente da Latinobarometro, uma respeitada empresa de pesquisa regional, constatou que, em 1995, cerca de 75% dos chilenos eram católicos. Esse número caiu para 45% em 2017.

O desencanto dos chilenos com a Igreja também afetou suas visões sobre o papa. A Latinobarometro constatou que o Chile tinha uma baixa estima pelo primeiro papa latino-americano da história em comparação com outros 18 países da América Central e do Sul. Até mesmo entre os católicos chilenos, apenas 42% aprovam o trabalho que Francisco está fazendo, em comparação com uma média regional de 68%.

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