"O problema mais sério a enfrentar é a homossexualidade", afirma cardeal Brandmüller

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22 Fevereiro 2019

Os abusos de menores são "um crime horrível", porém são "apenas parte de uma crise muito mais ampla" que afetou a Igreja. A urgência é enfrentar e erradicar a "chaga" da homossexualidade no clero. Não têm dúvidas, o cardeal alemão Walter Brandmüller e o estadunidense Cardeal Raymond Leo Burke, que escreveram uma carta aberta aos representantes das conferências episcopais de todo o mundo, publicada na véspera da cúpula no Vaticano contra a pedofilia. Brandmüller e Burke são dois dos quatro autores dos "dubia" sobre a comunhão para divorciados recasados, uma espécie de "recurso" contra alguns pontos da Exortação Apostólica do Papa "Amoris laetitia". Também por essa razão os dois cardeais são considerados símbolos da frente anti-Francisco.

A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 21-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Para eles, o mundo católico hoje está "desorientado e se faz uma pergunta angustiante: para onde está indo a Igreja?". Diante da "deriva em ato" parece que o problema "seja reduzido ao dos abusos de menores, um crime horrível, especialmente quando perpetrado por um sacerdote, mas que é apenas parte de uma crise muito mais ampla." Eles escrevem: "A chaga da agenda homossexual é difundida dentro da Igreja, promovida por redes organizadas e protegida por uma atmosfera de cumplicidade e silêncio". Eis, em seguida, outra denúncia: "Acusa-se o clericalismo pelos abusos sexuais, mas a primeira e principal responsabilidade do clero não está no abuso de poder", mas em ter-se "afastado da verdade do Evangelho".

Os dois cardeais argumentam que, diante dessa trágica situação, "cardeais e bispos ficam calados". E então segue um chamado às armas contra os bispos que participam da cúpula: "Vocês também ficarão calados?" O encorajamento é claro: "Levantar a voz" para "salvaguardar e proclamar a integridade da doutrina da Igreja". Nós conversamos sobre isso com Brandmueller.

Eis a entrevista. 

Eminência, por que define a situação da Igreja "à deriva"?

É evidente a saída em massa dos fiéis, especialmente em alguns países da Europa, da Igreja. Na Alemanha, por exemplo, temos os cofres cheios, mas as igrejas vazias. Os batismos, os casamentos e, recentemente, também os funerais, não são mais realizados na Igreja. E, além disso, o conhecimento dos elementos fundamentais da fé está faltando em todos os lugares. Isso não representa exatamente uma "deriva"?

O que o senhor espera da cúpula contra a pedofilia e os abusos?

Dada a gravidade dos problemas a serem enfrentados nesse âmbito, não parece possível nem realista conseguir nestes poucos dias tomar medidas decisivas para combater pedofilia e abusos. Já seria um resultado se a gravidade desses fenômenos que ameaçam a vida interna da Igreja fosse percebida e avaliada.

Pode nos explicar qual é a questão da homossexualidade na Igreja?

Basta dizer que a sexualidade humana, isto é, ser homem ou mulher, tem seu sentido na procriação da prole. Caso contrário, não se explicariam nem a anatomia nem a fisiologia do homem. Portanto, excluir este aspecto essencial é um abuso da natureza humana, é um ato contra a natureza. Em termos teológicos: o ato homossexual é um pecado grave que priva o homem da graça de Deus com todas as consequências, especialmente quando perpetrado por um padre ou até mesmo um bispo, sucessor dos apóstolos.

O senhor escreve que "a primeira e principal responsabilidade do clero não está no abuso de poder, mas em ter se afastado da verdade do Evangelho": qual é o caminho a ser percorrido para se reaproximar do Evangelho?

Antes de tudo, devemos reconhecer abertamente que todo esse afastamento da mensagem bíblica é real. E depois não cometer mais erros como afirmar – e alguém dentro da igreja já fez isso - que a Bíblia não funciona como um dispositivo de gravação da mensagem divina: seria negar a autenticidade da revelação divina.

O que deveria e poderia fazer o Papa Francisco neste momento histórico?

Não sou eu que tenho que dizer ao Santo Padre o que fazer.

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