Padre acusado de abuso se demite da Congregação para a Doutrina da Fé

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31 Janeiro 2019

Um dos chefes de departamento da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano renunciou ao seu cargo, dias depois que uma reportagem do National Catholic Reporter noticiou que ele havia sido acusado de convidar uma mulher para fazer sexo ao confessionário.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada em National Catholic Reporter, 29-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Congregação para a Doutrina da Fé anunciou nessa terça-feira, 29, que o Pe. Hermann Geissler, ex-chefe da seção doutrinal do dicastério, renunciou no dia anterior para “limitar os danos já causados” ao seu empregador.

A declaração do escritório vaticano também confirmou que o caso Geissler está sendo examinado formalmente, afirmando que o padre “reitera que a acusação contra ele não é verdadeira e pede que se continue o processo canônico já iniciado”.

A acusação contra Geissler foi apresentada publicamente há dois meses por Doris Wagner, uma alemã que lembrou ter sido abordada pelo padre durante a confissão em um evento em Roma, no dia 27 de novembro de 2009, voltado justamente a dar voz a mulheres sobreviventes de abuso sexual de clérigos.

O NCR relatou a acusação no dia 21 de janeiro passado, depois da nomeação de Geissler pelo Vaticano, no dia 18 de janeiro, como membro do escritório doutrinal que participa de uma reunião internacional de autoridades da Conferência Episcopal da Ásia, em Bangcoc.

Geissler é membro da comunidade religiosa Familia spiritualis Opus, conhecida coloquialmente como “a Obra”. Doris também foi membro da mesma comunidade até 2010.

Em uma breve entrevista em 29 de janeiro, Doris expressou confusão sobre vários pontos do comunicado vaticano que anunciou a renúncia de Geissler. Ela também se perguntou por que o padre está se demitindo agora, quando ela denunciou sua conduta à Congregação doutrinal com a ajuda de um canonista ainda em 2014.

“Parece que eles estão apenas tentando evitar que o pior aconteça. Então é apenas mais uma medida de relações públicas”, disse Wagner.

“Eles não parecem ter entendido e agido apropriadamente”, afirmou. “É apenas para evitar qualquer dano para a instituição.”

Embora a declaração vaticana de 29 de janeiro diga que Geissler contesta a acusação de Doris, ela diz que, em resposta à sua denúncia de 2014 à Congregação doutrinal, ela foi informada de que o padre havia admitido a acusação e pedido perdão.

Doris forneceu ao NCR uma carta de 2014 de seu advogado canônico, na qual o advogado resume a resposta da Congregação doutrinal à acusação original dela.

Em uma parte da carta citando diretamente a resposta da Congregação, afirma-se: “Por causa de seus gestos imprudentes em duas ocasiões, que [Geissler] admitiu e pelo qual ele pediu perdão, ele foi advertido e, além disso, foi instruído a ser vigilante e prudente no futuro”.

Uma solicitação desse tipo no confessionário geralmente é considerada muito séria pela Igreja Católica, que ensina que a confissão é uma oportunidade sagrada para os fiéis obterem o perdão dos pecados e se reconciliarem com Deus.

O Código de Direito Canônico prescreve que um padre considerado culpado de tal solicitação “seja punido, segundo a gravidade do delito, com suspensão, proibições ou privações”. Especifica: “Nos casos mais graves, seja demitido do estado clerical” (cân. 1.387).

Doris se pergunta se Geissler está sujeito a qualquer uma dessas penalidades.

“O Direito Canônico não prevê a renúncia como penalidade por essa sollicitatio”, ela lamenta. “Há outras medidas a serem tomadas aqui. E eu quero saber se eles vão tomá-las. Eu duvido.”

Doris também se perguntou sobre o “processo canônico” que o Vaticano disse estar examinando sobre o caso Geissler.

“Eu não sei nada desse processo”, disse ela. “E nunca fui contatada para testemunhar sobre o que ele fez comigo.”

“Quero saber o que é esse processo canônico, quem o está liderando, quando ele começou e o que eles estão realmente investigando”, afirmou Doris.

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