Sínodo: quem está escutando a quem?

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24 Outubro 2018

"Os jovens querem muito mais. Seu pedido central é em relação ao respeito genuíno para todas as pessoas, jovens ou velhas, homens ou mulheres, tanto dentro como fora da Igreja. Há um profundo entendimento de que o Evangelho dá as respostas, mas nenhuma indicação clara de como as respostas podem ser concretizadas com a ação".

O comentário é de Phyllis Zagano, pesquisadora da Hofstra University, em Hempstead, Nova York, publicado por National Catholic Reporter, 23-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis o texto.

Aqui está um comentário pertinente sobre o atual Sínodo dos Bispos:

Eu apelo à Igreja para encararmos o desafio de encorajar cada pessoa — homem ou mulher — a desenvolver suas habilidades para servir o Reino de Deus. Peço aos nossos líderes que reconheçam as mulheres que se sentem chamadas a estar a serviço do Reino de Deus e que não encontram um lugar dentro de nossa Igreja. Algumas delas são muito competentes, e poderiam colocar seus talentos em prol da tomada de decisão e do planeamento pastoral. No entanto, estão fadadas a ir para um lugar outro a fim de servir de algum modo na construção do Reino de Deus.

Este comentário foi proferido pela irmã americana do Sagrado Coração de Maria Patricia Kelleher durante Sínodo 2015. Eu sei que as coisas na Igreja se movem lentamente, mas este é um ponto crítico. Muitas mulheres tiveram que se afastar gradualmente da Igreja. A nova geração (leia-se: juventude) pode ir pelo mesmo caminho. As mulheres e os jovens estão cansados.

Cansados de pedófilos e predadores, de padres corruptos ou que não fazem nada. Cansados, em suma, de uma Igreja completamente controlada por homens. Nenhuma mulher permitiria que nenhum pervertido chegasse perto de uma criança; nenhuma mulher encobriria um padre molestador. As mulheres podem roubar, mas é improvável que sugariam as contas de uma paróquia para viagens em cruzeiros. E mulheres ministras tendem a trabalhar, não a jogar golfe como fazem alguns.

As chancelarias diocesanas estão lentamente colocando mulheres como oficias simbólicas. Em Roma, as tentativas para se colocar as mulheres em cargos de liderança não entraram nas portas dos dicastérios. É neles que a verdadeira influência da Igreja reside. Aqui e ali uma, duas ou três mulheres são nomeadas como "consultoras" ou recebem um posto de subsecretária. Mas não há presença feminina visível na Igreja.

Execute um vídeo de qualquer cerimônia do Vaticano e, exceto por algumas mulheres e meninas trazendo presentes ou lendo em suas línguas nativas, é muito claro que aquilo é uma operação exclusivamente masculina. Quem está ao redor do altar? Quem toca nos vasos sagrados? Quem distribui a comunhão?

A cerimônia representa a realidade. No século V os papas já diziam que as mulheres eram impuras. Essa acusação, repetida e enraizada ao longo dos anos, ajudou a acabar com as ordenações de diaconisas e de homens casados. Mulheres, definidas como impuras, não podiam se aproximar do altar. E os homens que tocam as mulheres se tornam impuros.

O atual debate sobre as mulheres com poder de voto no Sínodo dos Bispos ao mesmo tempo evidencia e desvia da verdadeira discussão. (Pano de fundo: o grupo representando as ordens religiosas e institutos masculinos foi convidado a nomear dez representantes. Foram nomeados oito sacerdotes e dois irmãos, todos agora membros votantes do Sínodo. Outro grupo, representando as mulheres, enviou sete irmãs, mas nenhuma tem voto).

A ideia original do documento de trabalho do Sínodo — o Instrumentum Laborisera escutar os jovens. Sendo assim, aqui está o que os jovens disseram que queriam: o reconhecimento do papel das mulheres na Igreja e na sociedade (n. 70); reflexão renovada sobre a vocação ao ministério ordenado (n. 102); e, promoção da dignidade das mulheres (n. 158). Não por acaso, pelo menos cinco dos grupos de trabalho do Sínodo apelaram por uma maior participação das mulheres na liderança da Igreja.

Os jovens querem muito mais. Seu pedido central é em relação ao respeito genuíno para todas as pessoas, jovens ou velhas, homens ou mulheres, tanto dentro como fora da Igreja. Há um profundo entendimento de que o Evangelho dá as respostas, mas nenhuma indicação clara de como as respostas podem ser concretizadas com a ação.

Foi o que a irmã Kelleher apontou: "deve-se encorajar cada pessoa — homem ou mulher — a desenvolver suas habilidades para servir o Reino de Deus. Peço aos nossos líderes da Igreja que reconheçam as mulheres que se sentem chamadas para se o serviço do Reino de Deus e que não podem encontrar um lugar na nossa Igreja”

Está na hora delas terem um lugar.

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