Sobre mensagens e mensageiros. Artigo de Phyllis Zagano

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24 Abril 2018

“As forças anti-Francisco espalharam suas invectivas em espaços eletrônicos nominalmente católicos, muitas vezes seguindo o exemplo de um ou de outro clérigo descontente. Com piscadelas cúmplices e severa solenidade, elas atacam o papa e o papado.”

O comentário é da teóloga estadunidense Phyllis Zagano, pesquisadora da Hofstra University, em Hempstead, Nova York, em artigo publicado por National Catholic Reporter, 23-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“Pode acontecer também que os cristãos façam parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital. Mesmo nas mídias católicas, é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia e parecendo excluir qualquer ética e respeito pela fama alheia. Gera-se, assim, um dualismo perigoso, porque, nestas redes, dizem-se coisas que não seriam toleráveis na vida pública e procura-se compensar as próprias insatisfações descarregando furiosamente os desejos de vingança. É impressionante como, às vezes, pretendendo defender outros mandamentos, se ignora completamente o oitavo: ‘Não levantar falsos testemunhos’ e destrói-se sem piedade a imagem alheia. Nisto se manifesta como a língua descontrolada ‘é um mundo de iniquidade; (…) e, inflamada pelo Inferno, incendeia o curso da nossa existência’ (Tg 3, 6)” – Gaudete et exsultate, 115.

Na segunda-feira de manhã cedo, 9 de abril, um amigo me enviou uma imagem do texto acima.

O parágrafo é do longo e encantador discurso do Papa Francisco sobre a santidade, Gaudete et exsultate. Nessa última exortação apostólica, o papa descreve clara e sucintamente o que está acontecendo no Twitterverso e na blogosfera católicos, no Facebook, no Instagram e em outros veículos autopropulsados de palavras e imagens.

Sim, há pessoas lá fora cujo negócio é a difamação e a calúnia, que “dão falso testemunho”, que mentem e que depreciam os outros. Elas cruzam aquela linha entre o discurso civil e a difamação, e se sentem justificadas em relação a isso.

Basicamente, eles jogam lama por todo lado e a chamam de “opinião”.

Ok, é “opinião”, de certo modo. Mas é uma opinião desinformada baseada em falsas premissas destinadas a prejudicar outro ser humano. Muitas vezes, as alegações antiéticas vêm de pessoas que reivindicam se inscrever nos ensinamentos católicos sobre o valor da vida humana. No entanto, elas desrespeitam as pessoas. Muitas vezes, desrespeitam o papa.

Talvez esteja tudo relacionado ao declínio geral da educação em artes liberais. Talvez esteja tudo relacionado à falta de compreensão da propriedade. Talvez esteja relacionado a uma combinação de mal-estar e raiva que infesta o mundo.

De qualquer forma, é uma reprodução eletrônica embaraçosa das lutas medievais em torno da teologia da Eucaristia. Os comentários de blogs e os feeds de vídeo autoincorporados, que não passariam pela mesa de qualquer editor responsável, agora flutuam lado a lado com fake news e fotos de Rex The Dog.

É o suficiente para você desligar o computador.

Exceto pelo fato de que você não pode.

Ficamos sabendo de tantas coisas felizes online – aniversários e viagens de amigos para as Bahamas – que tendemos a esquecer o poder das mídias sociais. É claro, podemos nos isolar contra ataques diretos ao não seguir ou assinar promotores ofensivos (e geralmente falsos) de marcas pessoais do catolicismo.

Mas há uma corrente subterrânea por aí, com seguidores substanciais, e é a estes que devemos a fama dos críticos papais convencidos de que sabem mais do que o papa.

Suas disputas sobre outra exortação apostólica do Papa Francisco, a Amoris laetitia, são um constrangimento público. A Amoris laetitia discute o problema das pessoas em “uniões irregulares”: a nota de rodapé 329 nos lembra que a Igreja oferece uma solução de continência mútua para casais cujas situações não podem ser corrigidas, mas reconhece que isso pode ser um desafio à fidelidade. Na nota de rodapé 351, recomenda a assistência pastoral e o recurso aos sacramentos ao estabelecer um caminho para esses casais.

A questão é que essas pessoas são bem-vindas na Igreja, e seus pastores deveriam ajudá-las. Em muitos casos, elas estão vivendo segundos casamentos em situações de “autoanulação” – suas histórias apontam para razões claras para pedirem declarações de nulidade, mas suas circunstâncias simplesmente não permitem que façam a papelada.

Essa é a mensagem que deve ser dada. No início de seu papado, o Papa Francisco disse que um grande número (até mesmo a maioria?) dos casamentos poderia ser anulado. Muitas coisas interferem nos casamentos válidos: problemas psicológicos e outras incapacidades para fazer escolhas livres, a recusa ou a incapacidade oculta de ter filhos, um casamento anterior, a falta de intenção de se casar permanentemente, e a lista continua.

Infelizmente, os não especialistas autodesignados espalharam notícias falsas – que o papa aprova unilateralmente a comunhão para casais divorciados e recasados – a tal ponto que esses críticos criam a confusão da qual se queixam, e as pessoas não se incomodam em buscar os remédios da Igreja. As forças anti-Francisco espalharam suas invectivas em espaços eletrônicos nominalmente católicos, muitas vezes seguindo o exemplo de um ou de outro clérigo descontente. Com piscadelas cúmplices e severa solenidade, elas atacam o papa e o papado.

A história da Igreja já viu essa história antes. O papa está certo: “Procura-se compensar as próprias insatisfações descarregando furiosamente os desejos de vingança”.

De alguma forma, pelo menos para mim, tudo isso subverte a crença na Encarnação. A Gaudete et exsultate foi promulgada na festa de São José e divulgada na festa da Anunciação. A mensagem: Cristo é real e vive em cada um de nós.

Agora, essa é uma notícia de verdade. Por que não a espalhamos por aí?

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