Sínodo dos Jovens. Bispos apelam para que questões sobre os abusos e as mulheres estejam no documento final

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21 Outubro 2018

O sínodo de bispos em Roma está entrando em sua semana final. A última rodada de relatórios dos pequenos grupos de trabalho organizada por idiomas, divulgados no sábado, sugere uma crescente impaciência para colocar o discutido em prática.

A reportagem é publicada por Crux, 20-10-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Os tópicos que os grupos querem abordar vão desde escândalos de abuso sexual por parte do clero e justiça para as mulheres na Igreja, à migração, meio ambiente, tráfico de seres humanos e muito mais.

O Sínodo dos Bispos sobre os jovens, fé e discernimento vocacional está ocorrendo em Roma, de 3 a 28 de outubro, marcando o terceiro sínodo do Papa Francisco, depois de dois dedicados à família em 2014 e 2015.

Assim como anteriormente, os grupos de trabalho foram convidados a organizar suas reflexões em termos de reações ao Instrumentum laboris, ou documento de trabalho, apresentado pouco antes da reunião.

A seguir estão resumos de cada um dos relatórios dos pequenos grupos, preparados pela equipe do Crux.

Os alemães

O grupo de língua alemã começou observando algumas preocupações sobre o rumo do Sínodo: “O que mudará depois do Sínodo? Existem novas maneiras concretas de ter uma Igreja com jovens? Haverá compromissos dos bispos?”

O grupo pediu dois discursos específicos a serem refletidos no documento final: um pelo cardeal Vincent Nichols, de Westminster, no Reino Unido, sobre tráfico humano, e outro pelo cardeal Blase Cupich, de Chicago, num apelo aos líderes políticos. A respeito de outros assuntos, os alemães disseram:

  • “Acreditamos que o papel das mulheres na Igreja na tomada de decisões e liderança deve ser significativamente fortalecido”.
  • “Queremos uma discussão séria com os jovens da Igreja sobre questões de sexualidade e relacionamento”.
  • Eles pediram uma “intenção de detectar e aliviar problemas específicos de jovens na diocese (por exemplo, pobreza oculta ou explícita, toxicomania, delinquência juvenil, migrantes adolescentes, vítimas de abuso e violência)”.
  • Eles também convocaram a Igreja para uma “missão de se encontrar regularmente com jovens, especialmente os menos favorecidos.

Este grupo também fez outras sugestões sobre diversos temas, incluindo a catequese através dos livros do tipo Youcat (Catecismo Jovem), o compromisso dos jovens com a ecologia e a participação deles na Igreja.

Finalmente, os alemães também abordaram os escândalos de abuso sexual por parte do clero.

"Acreditamos que o documento final não pode começar sem uma palavra final sobre o drama do abuso sexual de crianças e adolescentes", disseram eles. “Também pensamos que nós, bispos, não podemos ir para casa sem a firme intenção [expressa aqui] de mudanças concretas para proporcionar uma melhor prevenção e melhor atendimento às vítimas”, continuaram.

Anglófonos

A seção final do documento de trabalho está concentrada em instruções práticas e recomendações para a ação pastoral. O Grupo A, liderado pelo cardeal Oswald Gracias de Mumbai, ofereceu sugestões detalhadas, incluindo recursos práticos para pais e avós “como os 'primeiros professores' dos jovens”, maior atenção à formação de professores, programas de capelania nas escolas e universidades católicas e mais participação dos jovens na liturgia e nas atividades da Igreja que lhes dão um real poder de decisão.

O grupo também discutiu a necessidade de repensar as paróquias em torno de “uma tripla experiência da Igreja - como 'mistério', 'comunhão' e 'missão'”. Eles observaram que uma das realizações a ser concluída a partir do sínodo é a certeza de que os jovens não são meramente os objetos de evangelização, mas também agentes.

Dois grupos discutiram a questão da atração pelo mesmo sexo e dúvidas sobre gênero entre os jovens.

O grupo B, liderado pelo cardeal Blase Cupich, de Chicago, propôs “uma seção separada para essa questão, além de que o objetivo principal desta seja o acompanhamento pastoral das pessoas, o que segue as linhas da relevante seção do Catecismo na Igreja Católica”.

O grupo D, liderado pelo cardeal Daniel DiNardo, de Houston-Galveston, acrescentou: “ninguém, por motivos de gênero, estilo de vida ou orientação sexual, deveria se sentir desprezado. No entanto, como São Tomás de Aquino especifica, o amor significa "desejar o bem do outro". É por isso que o amor autêntico de modo algum exclui o chamado à conversão, à mudança de vida".

Por último, várias recomendações foram feitas para encorajar bispos e padres a usar a mídia digital como meio de divulgação, insistindo que é o melhor mecanismo à sua disposição para alcançar um público novo.

“Um vídeo postado no YouTube - ou Facebook - está permanentemente disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, e pode ser encontrado nos cantos mais remotos e até hostis do mundo contemporâneo. Nós sentimos que um método particularmente produtivo é criar materiais que identifiquem as semina verbi (sementes da Palavra) tanto na cultura popular quanto nas classes elitizadas”, escreveram eles.

Os italianos

Os grupos italianos se concentraram principalmente na necessidade de enfrentar adequadamente os desafios que os jovens enfrentam e de responder suas perguntas sobre temas importantes, como sexualidade, aborto e marginalização, especialmente de mulheres e pobres.

O primeiro grupo, liderado pelo cardeal Angelo De Donatis, vigário de Roma, e pelo arcebispo Vincenzo Paglia, chefe da Pontifícia Academia para a Vida, usou a imagem bíblica da multiplicação dos pães como exemplo da centralidade de Jesus à fé.

É preciso mais atenção a esta centralidade de Jesus, disseram, notando que, como a multiplicação do pão, ele é capaz de fazer milagres com o pouco que lhe foi oferecido.

Os membros do grupo disseram que a terceira seção do documento, embora identifique muitas possibilidades de envolver os jovens na vida da paróquia, corre o risco de “fazer uma longa lista sem prioridades” e oferece quatro pontos de reflexão: a primazia do Evangelho, o ministério em favor dos pobres, uma maior ênfase na formação e na Eucaristia.

O segundo grupo foi liderado pelo cardeal Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos do Vaticano, e pelo arcebispo Bruno Forte, membro do conselho organizador do Sínodo.

Membros do grupo disseram que o documento de trabalho do Sínodo até agora tem uma abordagem excessivamente ocidental, mas ainda não abordou adequadamente questões como os benefícios / desafios do mundo digital, a relação entre fé e ciência, e uma “desorientação social, espiritual e ética generalizada”.

Os desafios específicos apontados por eles foram exemplos de marginalização, especificamente de mulheres, que “são frequentemente vítimas de um machismo forte o suficiente para matar”, assim como aquelas afetadas pelo vício de drogas e pelo sofrimento físico ou espiritual.

Também foi mencionado a necessidade de dar “atenção e acompanhamento especial àqueles com atração pelo mesmo sexo, além dos desafios apresentados aos jovens pelo desemprego em suas áreas de estudo”.

Questões éticas relacionadas à sexualidade, ao aborto, à exclusão social e étnica, também foram mencionadas, assim como a influência de ocultar tais situações, “o que possui uma influência sobre os jovens que não deve ser subestimada”.

O terceiro grupo, liderado pelo cardeal Gianfranco Ravasi, chefe do Conselho da Cultura do Vaticano, e pelo bispo Pietro Maria Fragnelli de Trapani, se concentrou em quatro áreas principais: a busca da felicidade na escuta de si mesmo e da Palavra de Deus, a necessidade de uma pessoa no centro, reconhecendo a jornada que cada pessoa deve fazer e cuidando do meio ambiente.

Outras áreas ressaltadas foram a importância da devoção mariana, a necessidade de desenvolver programas de acompanhamento e discernimento, a necessidade de uma melhor formação bíblica e teológica fora das instituições acadêmicas, o uso da tecnologia, a importância do serviço e a necessidade de ajudar os jovens migrantes, particularmente "em casa" e através de Igrejas locais.

Também foi falado da necessidade em proporcionar uma melhor formação e acompanhamento para os casais jovens, tanto os que estão engajados como os recém-casados, quanto a necessidade de superar a discriminação.

Francófonos

O grupo A, liderado pelo arcebispo David Macaire, insistiu que o avanço do ministério de jovens não deveria ser considerado independentemente do cuidado pastoral.

Eles observaram que seria benéfico ter pais e jovens juntos no sínodo, assim como casais jovens, para prestar testemunho sobre “como eles procuraram lidar com o sacramento do matrimônio e a educação de seus filhos".

Outro grupo destacou que, ao abordar as preocupações pastorais dos jovens, é importante lembrar que:

“A vida de um jovem de 16 a 30 anos não é linear. Ela é marcada por sucessos, fracassos e marcos decisivos e felizes, como passar em um exame, um primeiro emprego, formar um casal e uma família", observou o grupo.

A sugestão deles era que a Igreja estivesse consciente sobre os recursos espirituais necessários para satisfazer tais necessidades não deveriam ser estereotipados.

Dois grupos diferentes insistiram que, embora o tema do sínodo seja os jovens, é fundamental que eles não sejam inteiramente separados do resto da Igreja, pois a conversão e renovação pastoral é um objetivo de toda a Igreja.

“Portanto, antes de se dirigir a eles, não seria necessário mostrar que todos os membros da Igreja são chamados a caminhar juntos nas pegadas do Senhor Jesus e progredir na vida da graça? O termo sínodo, não significa caminhar juntos?", perguntaram eles.

Da mesma forma, outro grupo observou que “é importante ter poder de decisão e responsabilidade no funcionamento das instituições da comunidade, paróquia ou diocese”.

Mesmo assim, eles rejeitaram a ideia de que o Vaticano precisa de um dicastério separado voltado especificamente para os jovens, pois “arriscaria aumentar seu isolamento”. Em vez disso, foi apresentada a recomendação de que se tornasse uma prática padrão para todos os dicastérios escutarem e integrarem os jovens no seu trabalho.

Finalmente, foi sugerido que “os jovens se empoderem como transmissores do ensino social da Igreja, e assim, tornar possível o diálogo da fé com esses novos paradigmas culturais, deixando de favorecer o clero, e começar a formar os jovens da Igreja, que são a esperança e o futuro da Igreja”, disseram eles.

“É assim que, gradualmente, a imagem da Igreja de Cristo mudará diante do mundo inteiro”, concluíram.

Hispanófonos

O grupo B, liderado pelo cardeal Luis Ladaria Ferrer, espanhol e chefe da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, escreveu que a Igreja deve assumir uma “atitude acolhedora e cordial” para encorajar a integração e o acompanhamento de todas as pessoas, “Incluindo aqueles de diferentes orientações sexuais, para que possam crescer na fé e em seu relacionamento com Deus”.

Uma atitude acolhedora, no entanto, não significa uma mudança no ensino da Igreja sobre sexualidade. Ao contrário, o grupo sugere que o escritório “correspondente” do Vaticano desenvolva uma “orientação” que aborda sistematicamente e claramente a questão da sexualidade, com argumentos antropológicos, “acessível a todos os jovens, mostrando que a virtude da castidade é uma afirmação alegre. Isso cria as condições para o amor entre as pessoas e o amor divino”.

O grupo escreveu que “as mulheres valorizam sua posição na Igreja e reconhecem que têm igualdade diante dos homens”. Assim, tanto as contribuições femininas quanto masculinas devem ser consideradas nos programas pastorais da Igreja “Algo que se complemente e prioriza a vida de toda a comunidade”.

Pela mesma razão, o grupo propõe uma “maior participação das mulheres no discernimento pastoral, colaborando ativamente em situações de tomada de decisão”.

Quando se trata de novas tecnologias, o grupo escreve que, para os jovens, não há diferença entre “virtual e real”, e a Igreja deve assumir de forma “determinada” toda essa virtualização.

Além disso, a Igreja deve ajudar os jovens que acabam sendo vítimas de crimes on-line, desde a pornografia infantil até o cyberbullying, fornecendo apoio às vítimas e produzindo materiais de conscientização e treinamento, promovendo uma “cidadania digital responsável”.

O grupo também propõe que a prática da “sinodalidade” se torne uma característica permanente na Igreja, promovendo a participação de todos os batizados e pessoas de boa vontade, “cada um de acordo com sua idade, estado de vida e vocação, tornando efetivo e real a participação ativa dos jovens em cada diocese, na Conferência Episcopal e na Igreja universal”.

Muito parecido com o primeiro grupo espanhol, liderado pelo cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, eles também destacaram a necessidade dos jovens não serem apenas “receptores”, mas protagonistas da missão da Igreja, pois também são chamados a “evangelizar e comunicar os pensamentos do Senhor”.

Esse grupo também falou sobre “conversão”, questionando os motivos e afirmando que o chamado à conversão não deve ser uma crítica ao que já foi feito, como se tudo “tenha sido ruim”, e sim procurar melhorar a situação de uma forma amigável. Segundo o grupo, isso requer "ouvir, responder, discernir e acompanhar".

O grupo A também reconheceu que os bancos das igrejas estão se esvaziando e diagnosticou que isso se deve à falta de harmonia entre as pessoas, especialmente os jovens. Sua sugestão concreta era tornar a liturgia mais participativa, com melhores canções e talvez até uma revisão das fórmulas de oração.

“Se os jovens abandonam a celebração da Eucaristia, é um primeiro sintoma deles perderem a fé”, escreveram eles.

Lusófonos

O grupo de língua portuguesa, liderado pelo cardeal brasileiro João Braz de Avis, escreveu que a globalização produziu uma mudança de era e que, embora tenha efeitos positivos, também resulta em uma sociedade “ferida” que desafia a Igreja a recuperar sua “profecia”, a fim de promover uma "Igreja e sociedade inclusivas, para que ninguém fique de fora".

Reconheceram a importância das várias expressões de “piedade popular”, como peregrinações e visitas a santuários, que podem atrair os jovens a expressarem sua fé. Há também a necessidade de espaços onde os jovens possam descobrir a doutrina e a moral da Igreja, assim como a caridade pastoral.

"A piedade popular é um modo legítimo de vivenciar a fé", escreveram eles, citando o Papa Francisco e acrescentando que ele tem uma grande "força de evangelização".

O grupo também sugeriu um “conselho” global ou observatório da juventude, além do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida do Vaticano, que, na prática, inclui o ministério aos jovens.

O grupo aprovou 25 sugestões que abordam vários temas, embora não se aprofundem em seu conteúdo. Entre eles, uma rede voltada para o ministério de jovens, jovens com deficiência, jovens na prisão, cuidados pastorais para jovens homossexuais, experiências missionárias da juventude, e a influência de Maria sobre os jovens.

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