Secretário de Bento XVI: Histórico confirma que carta de Viganò é ‘fake news’

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29 Agosto 2018

O secretário pessoal do papa emérito Bento XVI afirmou que algumas das alegações contidas na declaração do ex-embaixador do Vaticano alegando um difundido acobertamento de abusos do ex-cardeal Theodore McCarrick são "fake news".

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada por National Catholic Reporter, 28-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

"O papa Bento XVI não comentou o 'memorando' do arcebispo [Carlo] Viganò e não o fará", disse o arcebispo Georg Gänswein ao jornal alemão Die Tagespost em 28 de agosto.

Gänswein, que também serve como prefeito da casa papal para o Papa Francisco, estava comentando a carta de 11 páginas de Viganò, que foi divulgada no dia 25 de agosto.

Entre uma série de alegações, a carta do ex-núncio do Vaticano em Washington alegou que Bento XVI havia feito algumas sanções não anunciadas a McCarrick em 2009 ou 2010. McCarrick, que foi acusado de abusar sexualmente de seminaristas, renunciou o seu lugar no Colégio Cardinalício em julho.

A National Catholic Register, uma das duas publicações que originalmente publicou a carta de Viganò, escreveu numa reportagem no dia 25 de agosto que a publicação "confirmava independentemente que as acusações contra McCarrick eram certamente conhecidas por Bento XVI".

O New York Times relatou em 28 de agosto que uma das pessoas com quem Viganò consultou enquanto escrevia sua declaração foi o advogado americano Timothy Busch, que faz parte do conselho de governadores da EWTN, dona do Register.

Em sua entrevista de 28 de agosto, Gänswein disse que quaisquer relatos sobre Bento XVI confirmar conhecimento da declaração de Viganò "não têm qualquer fundamento".

A carta de Viganò afirma que as sanções de Bento XVI contra McCarrick barraram o bispo de celebrar a missa publicamente ou viajar, e lhe ordenou que vivesse uma vida de oração e penitência.

Essa afirmação se mostra insustentável pelo registro histórico, pois McCarrick foi visto celebrando numerosas missas públicas durante o papado de Bento XVI e continuou viajando pelo mundo até o anúncio em junho de que o Vaticano havia ordenado sua remoção do ministério por uma acusação de abuso considerada credível.

Desde o lançamento da declaração de Viganò, numerosas fotos surgiram de McCarrick no Vaticano depois de 2009, incluindo uma dele cumprimentando Bento XVI em 28 de fevereiro de 2013, o dia em que ele renunciou ao papado.

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