Nada de política para o povo dos jovens do Papa Francisco

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13 Agosto 2018

"Deve ser um sinal de Freud". Roma, Circo Máximo. Faltam poucos minutos para às 18h, horário em que se deveria materializar o Papa Francisco. A ocasião é o encontro com os jovens em vista do Sínodo de outubro, organizado pela CEI. São 70 mil, que chegaram após dias de caminhada pela Itália (cada diocese, cada comunidade, escolheu sua própria modalidade). Olhos azuis e sotaque milanês, Andrea conta a um pequeno grupo de amigos. "Sim, foi Freud, que não me deixou inscrever em Medicina".

"Desculpe, o que Freud tem a ver com isso?" Apenas para ficar no tema, o subconsciente sugere: "Dado o contexto, não deveria ser Deus?".

A reportagem é de Wanda Marra, publicada por Il Fatto Quotidiano, 12-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

O gramado do Circo Máximo assemelha-se mais a uma festa de amizade do que a um encontro religioso, mais à conclusão libertadora de uma jornada pessoal do que a um momento de compromisso. Afinal, desde sempre, a cara do associacionismo católico. Quando funciona. Então, sim, Freud como uma referência "aproximada" serve, Deus como a motivação final, também. E a política, o debate, o embate entre a esquerda e a direita que avança? Não está presente. Ainda menos em nome de Jesus Cristo.

Então, Andrea fala sobre a medicina deixada. "Errei as datas para a apresentação, assim perdi a matrícula." E agora? "Eu vou fazer biotecnologia". Depois, ele acrescenta espontaneamente: "Eu entendi isso nestes dias de caminhada, estando com os outros, que eu poderia escolher esse outro caminho. Quando comecei estava muito triste". Faz parte do Cl (Comunhão e Libertação, associação laica católica, ndt). Uma escolha política? "Eu não sou muito informado. Mesmo que agora eu possa votar. Os comunistas, não, eh, eu vou para a direita". Pergunta: "Alguém se interessa pela política?" Negação geral. Mas então um indica o vizinho: "E você, você foi candidato para o conselho municipal!". O indicado quase fica bravo. "Mas não, eu estava em uma lista cívica. Estava procurando uma maneira para fazer alguma coisa, e nada mais veio à minha cabeça. Afinal, nem fui eleito”. Nesse ponto, Andrea tira uma cruz com a efígie de um Cristo que parece um meio termo entre Che Guevara e Bobby Sands. Jesus tipo banda de rock.

Esperando pelo Papa, podem ser vistos tremulando lenços de escoteiros, bandeiras inglesas e albanesas, manchas de cor amarela ou vermelha. Os contornos são quase indefinidos: um pouco por causa do calor, que deixa as bordas borradas. Um pouco pelo clima geral "suave". O conflito parece ausente.

"Quem não arrisca não caminha": camiseta vermelha, escrita branca. Elisabetta chega de Lecce: "É sempre um risco acreditar. A gente tinha decidido ir a Turim para fazer o caminho para ver o Sudário, o lençol onde foi envolto o Cristo morto: é uma das poucas evidências de que ele realmente existiu. Então é uma coisa muito importante". Ela repete, tipo um mantra: "Você nunca tem certeza. Mas acreditar é algo que me faz sentir bem". "Você acha justo criticar os homossexuais ou o aborto?" "Eu penso sobre isso do meu jeito, acho que todo mundo deveria fazer o que acha certo."

A poucos metros há um grupo de escoteiros que chegam de Sciacca. Adele, 18 anos, está entusiasmada: "Comecei como um hobby, mas agora acredito nisso, acredito muito que podemos mudar o mundo". No entanto, ao ouvir falar de política, ela se cala. Intervém Accursio, um pouco menor: "Estou muito bem informado. Ponto 1, aqueles que subiram agora, ainda não governaram nem um dia. Ponto 2, o Papa nunca deveria dizer o que deve fazer o governo".

Entre os que esperam, um pequeno grupo de neocatecumenais, mais ou menos de dezesseis anos, de Brescia está muito ocupado jogando baralho. "Como vocês decidiram vir?". Pânico. Olhares que se procuram. "Vai, pega tua carta, depois pensa em responder", decide uma delas. Fim do diálogo. O grupo é compacto e obviamente tem muito que fazer. Um garoto agita uma bandeira albanesa: "Eu sou italiano, mas venho de uma família missionária que mora na Albânia desde que eu era criança. Aquele é um país acolhedor, até a Itália era. Mas não é errado limitar os fluxos. Ali existe todo um conjunto de grupos étnicos e de religiões. Eles estão juntos de forma harmoniosa. Aqui parecem apenas pessoas amontoadas ".

No meio da multidão, um jovem construiu uma tenda e está tomando notas em um caderno, ao lado de uma Bíblia em francês. Parece uma visão. "Sou um seminarista", diz ele, com um leve sotaque francês (seu nome é Giacomo, ele é da Bélgica e tem 23 anos). "Terminei minha formação, tirei minha carteira de motorista. E então eu pensei: e agora? Para que serve tudo isso? É preciso um sentido maior". Então ele para, ele pensa por um momento. E então admite: "Eu também tive uma decepção amorosa". Trajetória emblemática: desde sempre nos grupos religiosos somos carregados, nos apaixonamos, noivamos ou nos casamos (dependendo da "flexibilidade" da associação de referência). Enquanto isso, chega o momento de Bergoglio. O Papa Móvel abre seu caminho através da multidão. Os jovens aclamam. Com entusiasmo composto.

Entre a busca por si mesmo e a embriaguez da vida em grupo, talvez não exista líder que valha, nem mesmo Francisco. Ele parece saber disso quando fala da "jornada do grupo". E depois ele diz: "Não deixem que roubem seus sonhos: façam com que sejam o seu futuro".

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