Nicarágua. A Igreja retira-se da mesa de diálogo

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25 Maio 2018

O diálogo nacional entre o governo da Nicarágua e estudantes, setor privado e a sociedade civil que começou há uma semana foi suspenso por tempo indeterminado nesta quarta-feira.

A reportagem é publicada por BBC Mundo, 24-05-2018. A tradução é de André Langer.

O líder da Igreja Católica na Nicarágua, cardeal Leopoldo Brenes, que atuou como mediadora desse diálogo, explicou que a falta de acordo sobre uma agenda de temas a serem discutidos impede a continuidade das negociações.

Esse foi o começo difícil da mesa de diálogo do presidente Ortega com estudantes e líderes da oposição na Nicarágua. “Lamentamos ser forçados, devido a essa falta de consenso, a suspender, por enquanto, esta mesa plenária do diálogo nacional”, explicou o arcebispo. Leopoldo Brenes à mídia em Manágua.

“Sugerimos a formação de uma comissão mista de seis pessoas, três para cada parte, com o objetivo de superar esse impasse”, acrescentou.

A crise política e social na Nicarágua começou há mais de um mês depois que o governo de Daniel Ortega aprovou uma reforma do sistema de seguridade social do país centro-americano.

Embora a medida tenha sido revogada, contra o seu governo se espalharam por todo o país desde o final de abril, deixando pelo menos 76 mortos, segundo um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O arcebispo Brenes disse, na quarta-feira, que três representantes do governo e três da oposição estão discutindo um plano de ação para restaurar a mesa do diálogo nacional.

O chanceler Denis Moncada Colindres, que é o representante do governo, expressou sua discordância com a questão levantada pelos setores estudantil, empresarial e civil que se manifestam contra o presidente Ortega.

“É uma agenda que, vendo-a em sua forma concentrada, leva-nos a um único ponto: o desenho de uma via para um golpe de Estado, uma via para mudar o governo da Nicarágua à margem da Constituição”, disse na mesa de negociações.

Além de rejeitar a agenda, exigiu o fim das barricadas (bloqueios) nas rodovias feitas pela oposição, bem como a cessação da violência “de onde vier”, disse ele.

Por outro lado, um representante dos estudantes acusou o governo de Ortega de manter os ataques contra os manifestantes, algo que a CIDH havia recomendado evitar em seu relatório.

“O governo comprometeu-se a seguir as recomendações que a CIDH fez, mas não o fez. Esta é a segunda vez que não cumpre os acordos, o que nos mostra que não passam de fantoches”, disse o líder estudantil.

O representante da sociedade civil, Carlos Tünnermann, também rejeitou a posição do governo de Ortega: “É lamentável a atitude que a delegação do governo tomou”, disse.

A suspensão do diálogo nacional aumenta significativamente a possibilidade de uma nova explosão de violência na Nicarágua.

Embora até agora o mecanismo não tenha surtido grandes resultados – além da declaração de uma “trégua” que não sobreviveu ao último fim de semana e de uma declaração “fazendo suas” as recomendações do explosivo relatório preliminar da CIDH –, o diálogo nacional ofereceu uma plataforma para tentar encontrar uma solução pacífica para a crise.

Mas o governo e a oposição, formada por estudantes, representantes do movimento camponês, da sociedade civil e do setor privado, não chegaram a um acordo sobre o caminho para essa possível saída. E, no curto prazo, isso praticamente deixa as ruas como o único cenário para a continuidade da queda de braço.

Não em vão que o principal ponto de discórdia desta quarta-feira foi que, enquanto o governo pedia para acabar com os bloqueios de rodovias, a chamada Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia insistia em que primeiro era preciso acordar as reformas democráticas que foram denunciadas pelos representantes do governo como uma tentativa de golpe de Estado “brando”.

E tanto essa linguagem, assim como as advertências do governo de que a população não toleraria esses bloqueios por muito mais tempo, estão sendo interpretadas por alguns no país como um prelúdio para a busca de uma solução pela força.

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