Nicarágua. Bispo, chora pelos jovens mortos, e manda recado ao presidente Ortega: “O diálogo nacional não será um manto de impunidade”

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29 Abril 2018

Dom Silvio Báez, bispo auxiliar de Manágua, não se cala diante da crise na qual a Nicarágua está mergulhada. Sua última intervenção como um dos líderes mais visíveis da crescente onda de protestos contra o regime de Daniel Ortega tem sido uma advertência de que deverá prevalecer a “verdade e a justiça” na mesa de diálogo entre o Governo e o Conselho Superior da Empresa Privada (COSEP), na qual a Conferência Episcopal (CEN) atuará como mediadora.

A reportagem é publicada por Religión Digital, 27-04-2018. A tradução é de André Langer.

“Não pensem os criminosos que assassinaram e torturaram os nossos jovens que o diálogo nacional será um manto de impunidade. Acima de tudo, verdade e justiça”, disse o religioso em sua conta no Twitter na quinta-feira.

Báez é reconhecido por seu caráter crítico em temas políticos. “O diálogo nacional é um risco. Pode ser uma estratégia do governo para voltar ao de sempre, talvez não se chegue a lugar nenhum. Mas os bispos querem a verdade, não nos deixaremos instrumentalizar e procuraremos apenas o melhor para a Nicarágua!”, disse o bispo na rede social.

O prelado convocou para uma marcha no próximo sábado [28 de abril] “para mostrar” fé em Deus e “amor pela Nicarágua”.

“Peregrinação da Arquidiocese de Manágua, sábado 28, às 14h. Rezaremos pelos jovens assassinados, pela democratização da Nicarágua e pelo sucesso do diálogo nacional com a mediação dos bispos. Depositaremos no coração de Nossa Senhora a nossa pátria”, escreveu Báez em um tuíte publicado em 26 de abril.

Além disso, no dia 21 de abril passado, esse bispo qualificou os estudantes que protestavam contra o Governo como “a reserva moral” que o país possui.

O diálogo que terão, em uma data ainda a ser definida, o Executivo e empresários, com a mediação da Igreja, para superar os violentos confrontos, atrai as atenções da Nicarágua.

Desde que os protestos começaram há uma semana, os violentos confrontos ocorridos entre quarta-feira e domingo na Nicarágua já deixaram pelo menos 32 mortos e um total de 48 desaparecidos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (CENIDH).

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