Nicarágua. Jesuítas denunciam a violência

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30 Abril 2018

Em demonstrações individuais, jesuítas da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá pediram o fim da violência na Nicarágua.

Os protestos na Nicarágua começaram em 18 de abril, depois que o presidente Daniel Ortega anunciou mudanças no sistema de previdência social do país.

A informação é publicada por La Croix International, 28-04-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Esperava-se que a reforma proposta aumentasse as contribuições previdenciárias, reduzindo os benefícios em 5%. A proposta foi cancelada pelo governo no dia 22 de abril, em resposta aos protestos.

Os protestos levaram pelo menos 35 pessoas à morte, incluindo um estudante jesuíta de 15 anos que estava entre as vítimas fatais pelo disparo de balas de borracha pela polícia, que o atingiram na garganta à queima-roupa, durante um protesto pacífico em 20 de abril.

"Lamentamos profundamente os atos de violência contra as pessoas que estavam reunidas de forma pacífica para se opor à reforma da previdência social. Consideramos antidemocrática qualquer repressão violenta por parte de agências do Estado, indivíduos e grupos organizados pelo governo", afirmou a declaração da Conferência dos Provinciais Jesuítas da América Latina.

Os jesuítas da América Central pediram um diálogo nacional que “leve ao desenvolvimento integral e à justiça social e ambiental de forma pacífica”.

A Conferência Jesuíta do Canadá e dos Estados Unidos disse prestar "solidariedade aos nossos irmãos jesuítas, seus colaboradores leigos e todas as pessoas a quem eles servem na Nicarágua”.

"Oramos pela paz no país e esperamos que todos os lados se comprometam com o diálogo sincero. Oramos para que haja calma entre todos os partidos e lembramos os líderes do governo de sua responsabilidade de proteger os que se uniram legalmente por alguma reparação por parte do governo".

A Associação de Universidades Jesuítas dos Estados Unidos (AJCU, do inglês Association of Jesuit Colleges and Universities) também emitiu uma declaração manifestando solidariedade com "instituição jesuíta irmã, a Universidade Centro-Americana (UCA) da Nicarágua, que convida seus alunos a defender a justiça social pacificamente, mesmo quando a violência do governo suprime a dissidência dentro dos portões da universidade.

"A UCA, da Nicarágua, assim como todas as instituições jesuítas, tem a missão de oferecer formação profissional aos alunos e também de incentivar seu compromisso com um mundo justo, humano e ambientalmente sustentável".

A AJCU pediu que o governo respeitasse os direitos constitucionais dos cidadãos, como a liberdade de expressão e de protesto pacífico.

O Papa Francisco também pediu o fim da violência no país.

"Manifesto minha proximidade na oração a esse amado país e peço, juntamente aos bispos, o fim de qualquer forma de violência, evitando um derramamento de sangue inútil e para que se resolvam as questões abertas de forma pacífica e com um senso de responsabilidade”, declarou, em 22 de abril.

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