Espírito Santo e Liturgia

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29 Mai 2020

"Este livro é também um estímulo para que se dê continuidade no aprofundamento deste tema e coloque-se a vida em chave litúrgica e em sintonia/sinergia com o Espírito Santo, pois, 'sem sua presença ativa, a celebração não seria litúrgica, mas, antes, um conjunto de ritos sem significado'", escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão Província do Sul (padres vicentinos), mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e professor na Faculdade Vicentina (FAVI), Curitiba, PR.

Eis o artigo.

Durante muitos séculos, na Igreja e na teologia ocidental, a figura do Espírito Santo foi ignorada e silenciada. Atualmente em diversos campos da teologia está se recuperando a dimensão pneumatológica. Admitiu-se a pneumatologia como um tratado dentro do conjunto da teologia dogmática, embora na maioria das faculdades católicas de teologia não exista um tratado específico de Pneumatologia.

MAQUEDA, Adolfo Lucas. Espírito Santo e Liturgia.
São Paulo: Paulinas, 2020, 160 p., 135 x 21mm –
ISBN 97885356457749788535645767

Adolfo Lucas Maqueda (1971) mestre em Liturgia pelo Instituto Superior de Liturgia de Barcelona e doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo de Roma, professor e membro da Associação de Professores de Liturgia da Espanha – no livro: Espírito Santo e Liturgia – considerando que a liturgia é pneumatológica, destaca a presença e a ação do Espírito Santo na celebração litúrgica.

O autor toma como ponto de partida o Concílio Vaticano II (1962-1965): “no Concílio se deu uma mudança de mentalidade, de modo que falar do Espírito Santo na liturgia é fazê-lo situando-o a partir da história da salvação e em relação com as outras pessoas trinitária, o Pai e o Filho” (p. 13). O Concílio: “colocou sob as coordenadas pneumatológicas toda a história da salvação, ou seja, as intervenções e atuações operadas por Deus e transmitidas pela Bíblia para salvar a humanidade. Uma história que é sinal do Espírito que agiu no mundo antes que Cristo fosse glorificado (cf. AG 4). O Espírito é quem conduz o Povo de Deus (cf. GS 11), que dirige a Igreja (cf. LG 48), quem santifica e vivifica o povo de Deus por meio dos ministros, dos sacramentos e dos dons particulares (cf. AA 3), quem age para além dos confins visíveis da Igreja Católica (cf. LG 15). No entanto, faz notar que: “O Concílio Vaticano não esboçou uma pneumatologia nem orgânica nem sistematizada, mas abriu novos caminhos para os estudos posteriores. Foi o que Paulo VI expressou: “ À cristologia e, especialmente, à eclesiologia do Concílio deve suceder-se um estudo e um culto novo ao Espírito Santo, justamente como necessário complemento da doutrina conciliar”. Todavia, não disse nada sobre a função do Espírito Santo na liturgia, e talvez este tenha sido um dos grandes erros; erros que se remediaram durante as décadas seguintes com pesquisas e publicações novas, categorias e específicas” (p. 24).

Assim, no primeiro capítulo: O Concílio Vaticano II e o Espírito Santo, sem a pretensão de fazer um percurso histórico exaustivo sobre o Espírito Santo- apresenta-se a situação em que se encontrou o tema pneumatológico ao logo dos séculos (cf. p. 17-20) até a realização do Concílio Vaticano II – momento a partir do qual se deu uma recuperação na dimensão pneumato-trinitária, a atenção, a preferência e o florescimento do pneumatológico plasmado oficialmente na Igreja ocidental (cf. p. 20-24). Nos textos conciliares oficiais, de modo especial nas quatro constituições conciliares: Dei Verbum, Gaudium et spes, Lumen Gentium e Sacrosanctum Concilium - a expressão Espírito Santo é citada aproximadamente 258 vezes, significando um progresso doutrinal no que tange ao Espírito Santo. Desde a Constituição Litúrgica Sacrosanctum Concilium, primeira a ser aprovada, até a última, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, cresceu a preocupação em torno da missão do Espírito Santo na Igreja. A publicação dos documentos conciliares supôs um progresso doutrinal no que tange ao Espírito Santo.

Por isso, nos primeiros anos do pós-concílio, devido aos documentos conciliares, nos estudos teológicos-litúrgicos tomou-se consciência da importância que o Espírito Santo merece na Igreja (cf. p. 24-26). Com a nova visão da teologia buscou-se a renovação dos livros litúrgicos, segundo a mentalidade do Concílio Vaticano II (p. 26-30). Os livros litúrgicos estruturados em três partes: praenotanda (introdução), a parte celebrativa (corpo central) e uma seleção de leituras (lecionário) são “um momento de fé e de sensibilidade atual, e asseguram que a celebração seja mais eclesial” (p. 26). São “uma escola educativa para toda a comunidade celebrante e pretendem explicar, a profundar e alimentar a vida do cristão” (p. 30), são por isso, “verdadeiras joias pneumatológicas, tanto na doutrina quanto nas orações” (p. 31). No entanto, Maqueda faz notar que “não existe um estudo geral sobre o Espírito Santo nos livros litúrgicos atuais” (p. 30), esclarecendo que “os grupos de trabalho, comissões e pessoas que confeccionaram estes livros alimentaram a liturgia em um tríplice núcleo inter-relacionado: o trinitário, o histórico-salvífico e o teológico, sendo o pneumatológico o farol que guia, orienta e forma a celebração” (p. 30).

O segundo capítulo vem intitulado: O Espírito Santo preenche a liturgia (p. 33-52). Nestas páginas, o autor, explica termos fundamentais que nos situam no centro da realidade Espírito Santo e Liturgia.

Sabedores de que o Espírito Santo é o verdadeiro artífice e protagonista da celebração litúrgica (p. 33), a liturgia apresenta uma dimensão ascendente e uma dimensão descendente, ou seja, “em sua dimensão descendente, a liturgia é comunicação do Espírito Santo; é o lugar onde se faz presente o Cristo glorificado, o qual por sua vez, confere o Espírito Santo à assembleia ali reunida. O Espírito Santo desce. O céu junta-se a terra, Deus manifesta-se. Em sua dimensão ascendente, a liturgia é a voz do Espírito Santo, em Cristo-Igreja, para a glória do Pai. Os fiéis invocam e oram, a terra se junta ao céu, rendemos culto a Deus” (p. 34). Por isso não se pode falar do Espírito Santo sem saber o que são as epicleses (p. 36-45). Sendo uma só: a do Espíirito Santo (p. cf. 36) é a “invocação orante realizada durante uma celebração litúrgica, especialmente na Eucaristia, para que o poder divino desça e aja, consagrando e transformando seja os dons, seja a assembleia reunida” (p. 36). No entanto, a epiclese vai além da Eucaristia, alcançando os sacramentos, a Igreja e até a própria vida humana e, diante disso, há de se considerar as epicleses dentro da celebração em sentido estrito (p. 36-40) e as epicleses fora da celebração eucarística em sentido amplo (p. 41-45).

Concluindo este capítulo, o autor, chama atenção para os dinamismos pneumatológicos (p. 45-47) e para a linguagem litúrgica e sua dimensão pneumatológica (p. 47-52). Quanto aos dinamismos ou modalidades pneumatológicas esclarece que a epiclese estará sempre ligada a uma paraclese. Esta é o efeito, o fruto, a consequência da presença do Espírito Santo a ser invocado. A união entre a epiclese e a paraclese desemboca na anáclase (chamar para trás, voltar). Tem uma conotação teleológico-escatológica: cheios do Espírito Santo e de seus efeitos, voltamos para o Pai com suas mãos cheias de boas obras, santificadas alcançando, assim, o objetivo pelo qual o Espírito veio.

O terceiro capítulo - Na celebração litúrgica se manifesta o Espírito Santo – apresenta a celebração litúrgica como mistério de salvação, pois, é o lugar onde a ação do Espírito Santo se faz viva e existencial (p. 53-67). Graças ao Espírito Santo a celebração cristã converte-se em acontecimento da salvação. Sem a sua presença ativa, a celebração não seria litúrgica: o Espírito Santo mostra-se tal qual é quando age na celebração para revelar o mistério divino e para despertar as consciências dos fieis para a verdade (cf. p. 53). A celebração inteira está impregnada do Espírito Santo, o qual torna visível e presente o Cristo, uma vez que, na realidade a celebração nasce do próprio Cristo (cf. p. 57).

Assim sendo, Maqueda enumera alguns pontos/pistas que conformam a relação do Espírito Santo e a celebração:

1) sob o prisma litúrgico-celebrativo: a) a celebração não é somente um conjunto de sinais, gestos, ritos e cantos (p. 54-55); b) a celebração é eficaz graças aos frutos do Espírito Santo (p. 55); c) os ministérios, serviço da comunidade celebrante, são sinais pneumatológicos (p. 55); d) a celebração e suas partes pneumatológicas (p. 56-57);

2) sob o prisma litúrgico-teológico: a) o Espírito Santo, presença no tempo (p. 58); b) O Espírito Santo, presença em sintonia e sinergia com Cristo (p. 58-59); c) Espírito Santo, presença atual (p. 59);

3) sob o prisma litúrgico-vital: a) o Espírito Santo reúne a assembleia para celebrar (p. 60); b) O Espírito Santo torna o Cristo presente (p. 60-61); c) o Espírito vivifica, sustenta e renova a celebração (p. 61).

Estes prismas chamam nossa atenção para um fato: o Mistério Pascal realizou-se uma vez para sempre, mas quanto mais se atualiza na celebração, tanto mais vezes se realiza a salvação de todos. Por assim ser, a celebração é uma linguagem, um compêndio orante, teológico, profético, missionário e místico. Uma linguagem com a qual se fala a Deus e com Deus (oração); uma linguagem, que fala de Deus e sobre Deus (teologia); uma linguagem em lugar de Deus (profecia); uma linguagem que fala a favor de Deus (missionária) e uma linguagem, que fala em Deus (mística).

As páginas finais deste capítulo (p. 62-67) destacam alguns aspectos que mostram que o canto litúrgico é uma ação tipicamente pneumatológica. O Espírito Santo é o único diretor musical, uma vez que a celebração é eficaz, verdadeira e transformante graças ao Espírito Santo.

O canto e a música são: a) a voz do Espírito que sopra na celebração e unifica a assembleia; b) convidam a interioridade; c) dilatam-se no tempo e no espaço; d) dirigem-se à Trindade; e) fomentam a unidade da assembleia; f) são um ministério querido pelo Espírito Santo (cf. p. 63-65). Enfim, o canto e a música canalizam e veiculam a ação do Espírito (cf. p. 65-67).

A relação entre a Palavra de Deus e o Espírito Santo é o assunto do quarto capítulo intitulado: O Espírito Santo, chave da Palavra de Deus (p. 69-80). Destacado que o Espírito Santo desempenha um papel de capital importância na celebração, o autor expõe brevemente as características que subjazem à Palavra de Deus: a) a liturgia da palavra não tem um caráter casual (p. 70); b) a liturgia da palavra é parte do memorial do Senhor (p. 70-71); c) a Sagrada Escritura é o sacramento da Palavra de Deus (p. 71); d) a pregação coloca-nos em relação com Cristo (p. 71); e) O Espírito vivifica constantemente a Palavra do Senhor (p. 71-72).

O Espírito Santo está presente e age na proclamação da Palavra de Deus. Maqueda destaca que “a celebração litúrgica começa por uma parte fundamental: a proclamação das sagradas Escrituras. Esta parte está impregnada do Espírito Santo, alma e vitalidade da liturgia” (p. 72). Por isso, a “Palavra de Deus se faz sacramento sob a ação do Espírito Santo” (p. 73). Efetivamente “a veneração com que dever ser escutada a Palavra de Deus é comparável à veneração que se tributa ao Corpo de Cristo” (cf. p. 73-74). Na celebração litúrgica, a Palavra de Deus exige-se sempre uma atitude de docilidade por parte dos fiéis e no momento em que os fiéis se fazem dóceis ao Espírito; efetivamente, a mensagem da Sagrada Escritura não pode ser separada da vida.

Neste sentido, o pregador converte-se em mistagogo dos que o escutam. A liturgia é a depositária da Palavra de Deus, por isso, partir a Palavra é proclamar os textos bíblicos para alimentar os fiéis com que Deus nos diz daí a necessidade de bons leitores. Essa Palavra é também repartida pela homilia quando o ministro ordenado explica e interpreta os textos escutados e proclamados. A Palavra de

Deus é repartida na homilia para vivificar a comunidade orante. O pregador, sob a epiclese do Espírito está repleto do Espírito e os fieis que participam da homilia também precisam da ajuda constante do Espírito Santo. Ele torna compreensíveis as coisas espirituais e concede aos fiéis quatro dons que devem assumir como atitude e disposição para suas vidas: a docilidade, a docibilidade, a disponibilidade e a dilatabilidade (cf. p. 74-80).

No quinto capítulo o autor expõe a assembleia litúrgica sob o aspecto pneumatológico (p. 81-94). Neste capitulo, inicialmente o autor coloca-nos diante de alguns pressupostos. Se a liturgia é entendida como manifestação e presença do mistério de Cristo, a participação converte-se numa dimensão constitutiva da liturgia. Isso significa que a liturgia não se reduz somente às rubricas, à estética, ao cerimonial, nem sequer ao momento celebrativo, mas é algo muito mais profundo, que aponta para o próprio para o próprio coração do acontecimento litúrgico. Daí que participação, entendida como submergir-se no Mistério que se faz presente na ação sacramental e na vida, tampouco pode ser considerada a partir de seus aspectos funcionais, ou seja, embora uma pessoa não intervenha na celebração, nem leia diante da assembleia, também esta participando ativamente. Por isso, o motor dessa actuosa participatio não deve ser buscado nas modulações externas, mas na comunhão e na interiorização de vida entre Deus e o fiel (cf. p. 81-82). Por isso, o Concilio Vaticano II utiliza adjetivos para captar como deve ser essa participação: a) consciente; b) piedosa; c) ativa (p. 83-85).

Desta forma, a assembleia litúrgica é convocada pelo Espírito Santo, que abre as portas para a esperança, infunde a fé nos corações dos fiéis e provoca a união e a caridade entre todos eles (cf. p. 85-88). Definitivamente, o Espírito busca a participação do fiel no fato histórico do mistério realizado hoje (cf. p. 89). A assembleia litúrgica é ainda: a) a visibilização de Cristo pela força do Espírito (cf. 89-90); b) canalizadora da ação do Espírito Santo (p. 90-91); c) uma comunidade pneumatófora, ou seja, portadora do Espírito Santo (p. 91-92); d) Igreja doxológica para uma vida cultual (p. 92-93).

No capítulo sexto, o autor, adentra no marco pneumatológico dos setes sacramentos (p. 95-121). Faz notar que o Espírito Santo manifesta-se também nas celebrações sacramentais e quando são celebrados, a graça divina age sob os dinamismos epiclético-paraclético-anaclético. O Espírito Santo manifesta-se e age silenciosamente no antes e depois dos sacramentos. A vida do cristão está sob sua influencia, que opera sua santificação (dimensão descendente) pela plenitude do culto no espírito e na verdade (dimensão ascendente) (cf. p. 95). Olhando especificamente para cada um dos sete sacramentos, Maqueda expõe algumas pistas sobre a dinâmica sacramental e seu influxo pneumatológico:

Na celebração do batismo, o Espírito expira, manifesta-se para levar a Cristo, para submergir a pessoa em Cristo (cf. p. 96-100); na Confirmação, Cristo submerge o fiel no Espírito. É a manifestação estendida da força do dom. Também neste sacramento, o Espírito Santo é dado para que o fiel possa ser mais capaz do dom. Também neste sacramento, o Espírito Santo é dado para que o fiel possa ser mais capaz do dom, da acolhida do dom, da administração do dom (cf. p. 100-103); na Eucaristia, dá-se a maior das manifestações do Espírito Santo. Ele manifesta-se nas pessoas e nas coisas, na Igreja e no cosmos; ele transforma toda a realidade, concretamente, em pão e vinho (cf. p. 104-105).

No sacramento da Penitência, manifesta-se o Espírito renovador para o louvor da misericórdia do Pai em Cristo. O orvalho benéfico do Espírito é a remissão dos pecados. Cristo pela força do Espírito reabilita o fiel para que redescubra e renove sua própria dignidade como Filho de Deus (cf. p. 105-108). Na Unção dos Enfermos, manifesta-se o Espírito fazendo com que o fiel se assemelhe a Cristo sofredor e, assim, complete o que falta à paixão de Cristo (cf. p. 108-110).

No sacramento da Ordem, o Espírito oferece a um fiel a máxima diaconia de Cristo Sumo Sacerdote, para que, ministerialmente, sirva os outros in persona Christi (cf. p. 111-114); no Matrimônio manifesta-se o Espírito na aliança eclesial-nupcial, ou seja, ele iguala os cônjuges a Cristo-Igreja e instaura no sinal conjugal uma Igreja doméstica, isto é, uma família (cf. p.115-121).

Os sacramentais ocupam a reflexão das páginas do sétimo capítulo (cf. p. 123-147). O autor explica primeiramente o que entendemos por sacramentais: “são sinais sagrados com os quais se expressa efeitos espirituais obtidos pela intercessão da Igreja. Foram instituídos por ela para santificar os ministérios eclesiais, os estrados de vida e as circunstâncias várias da vida cristã” (p. 123). E seguida apresenta três sacramentais importantes: a Consagração das Virgens (cf. p. 124-130), o Exorcismo (cf. 130-139) e a Dedicação de uma Igreja (cf. p. 139-146) – evidenciado nestes o influxo do Espírito Santo.

Quanto a Consagração das Virgens trata-se de entender que a virgindade consagrada é fruto da epiclese do Espírito (cf. p 124-125). Além de ser dom do Espírito Santo, a virgindade consagrada é presença permanente do Espírito. Quem vê uma pessoa dignificada pela virgindade cristã, vê um sinal do Espírito; e quem se aproxima dela, descobre o mistério do Espírito Santo (p. 125-127). A vida religiosa torna-se assim ícone trinitário (p. 127-130).

Quanto aos Exorcismos, o Ritual apresenta alguns temas interessantes sobre a relação exorcismo e Espírito Santo. As ações da Igreja e, portanto, as próprias do exorcismo, realizam-se sempre em nome da força e da autoridade das Pessoas divinas: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Esta é a fórmula mais genuína e original de todo o exorcismo, e da qual emanam todas as outras fórmulas do exorcismo que, sem sobra de dúvidas podem ser chamadas epicléticas (c f. p 130-139).

Quanto a Dedicação das Igrejas – a dedicação de uma Igreja é um dos momentos eclesiológicos e litúrgicos mais expressivos e vivos da celebração da Igreja. A Dedicação é da comunidade, da Ecclesia, de seus membros, que são pedras vivas de um edifício sustentado pelo Espírito Santo. A comunidade é o verdadeiro templo do Senhor, é o símbolo da igreja-edifício. No fundo, dedica-se e apresenta-se a comunidade a Deus, porque os que a compõe são as pedras vivas que sustentam a Igreja; é isto, como é lógico, graças ao Espírito Santo (p. 139-146).

As páginas finais apresentam uma série de hinos ao Espírito Santo, a título de estudo, contemplação e oração (cf. p. 149-158).

A tradição da Igreja sempre atribuiu relevância à presença do Espírito Santo na liturgia. Liturgia e Espírito Santo vinculam-se intimamente: a liturgia vem a ser a obra comum da Igreja e do Espírito Santo como bem nos mostram as páginas desta obra. Adolfo Lucas Maqueda contribui de modo significativo com a reflexão sobre a teologia do Espirito Santo olhando especificamente para a liturgia - tomando como ponto de partida a pneumatologia implícita e explícita dos principais documentos conciliares e analisa a presença do Espírito em uma perspectiva histórica, teológica e pastoral. Supre desta maneira uma lacuna diante do pouco espaço que o tema pneumatológico encontra em muitas reflexões teológicas. Diante desta carência, este livro é também um estímulo para que se dê continuidade no aprofundamento deste tema e coloque-se a vida em chave litúrgica e em sintonia/sinergia com o Espírito Santo, pois, “sem sua presença ativa, a celebração não seria litúrgica, mas, antes, um conjunto de ritos sem significado” (p. 53).

Leitura enriquecedora, que nos ministra um aprofundamento valiosos numa temática fundamental para a vida cristã.

 

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