O Espírito do Senhor: força dos fracos

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28 Mai 2020

"Um texto inspirador. A leitura desta obra se faz proveitosa à medida que em que se se conecte com a recepção do Concílio Vaticano II e a tradição libertadora da Igreja na América Latina. Essa recepção só será plena na medida em que recuperar desde baixo, a vivência e a teologia do Espírito", escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão Província do Sul (padres vicentinos), mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e professor na Faculdade Vicentina (FAVI), Curitiba, PR.

Eis o texto.

CODINA, Víctor.
O Espírito do Senhor: força dos fracos.
São Paulo: Paulinas, 2019, 216 p., 13,7 x 21,0mm
ISBN 9788535645378

Na América Latina a reflexão teológica sobre o Espírito Santo não deixa a desejar. Nos últimos anos tem havido um esforço de aprofundamento da pneumatologia. Uma pneumatologia muito ligada ao caminhar do povo.

Dr. Víctor Codina, sj - entende que o Espírito Santo age a partir da base e, por isso, os lugares geográficos e históricos a partir dos quais se elabora a teologia não são neutros nem indiferentes. Diante disso, pergunta-se se “uma pneumatologia a partir da América Latina não pode incontestavelmente trazer uma riqueza própria ao reler a tradição bíblica, eclesial e teológica tanto do Ocidente quanto do Oriente, a partir dos pobres, da base, da periferia, do reverso da história, como um lugar privilegiado?” (p. 10).

A presente obra: O Espírito do Senhor: força dos fracos foi pensada e escrita a partir da base, da América Latina, concretamente, da Bolívia, com o intuito de “elaborar uma síntese a partir da perspectiva latino-americana que possa ser uma colaboração para uma pneumatologia latino-americana” (p. 11). Desta forma as reflexões contidas nos oito (8) capítulos podem “ajudar-nos, neste momento, a compreender o roteiro de Francisco, bispo de Roma, vindo do fim do mundo, o contexto e a gênese de seu pensamento e de seus objetivos pastorais e eclesiais” (p. 11).

No primeiro capítulo “Uma irrupção vulcânica do Espírito”, o autor destaca momentos estelares ao longo da história da Igreja, ou seja, momentos oportunos, escatológicos, momentos nos quais Deus visita seu povo, sinais dos tempos, o que pressupõe que se faça uma leitura crente da realidade, acreditando que quem conduz o povo de Deus através da história é o Espírito do Senhor. Na história da Igreja, um momento estelar foi a irrupção dos chamados Padres da Igreja tanto ocidentais quanto orientais, as Mães da Igreja; o movimento do monacato em torno do século IV, os movimentos mendicantes dos séculos XII-XIII, nos séculos XV-XVI o movimento da Reforma tanto protestante quanto católica, na metade do século XX os movimentos teológicos na Europa Central (bíblico, patrístico, ecumênico, litúrgico, social, juvenil) que fecundaram e preparam o terreno eclesial e preparam o Concílio Vaticano II, a nomeação de João XXIII e a convocatória do Concílio Vaticano II, a nomeação de Jorge Mario Bergoglio como novo bispo de Roma (cf. p. 14-15).

Na América Latina, depois do Vaticano II, nas décadas dos anos 1970 aos anos 1990, viveu um momento eclesial estelar: a recepção criativa do Concílio Vaticano II (p. 15-16). Dois elementos eclesiológicos e teológicos do Vaticano II possibilitaram a recepção criativa do Vaticano II: a eclesiologia da Igreja local e a teologia dos sinais dos tempos (p. 16-18). Considerando os antecedentes sociopolíticos (p. 18-21) e os antecedentes eclesiais do continente latino-americano (p. 21-23), Medellín (1968) será elemento decisivo no desenvolvimento da eclesiologia latino-americana: um estilo de Igreja, em linha com a Igreja dos pobres (p. 23-25).

Na mesma linha se situa a conferência de Puebla (1979), concretizando o tema do compromisso social na opção pelos pobres (p. 25-28). A atmosfera criada por Medellín e, em seguida, continuada por Puebla manifestar-se-á em uma série de fatos, testemunhos, práticas pastorais e reflexões teológicas que são fruto e consequência da irrupção do Espírito na América Latina: os Santos Padres da América Latina (p. 28-31); as Comunidades Eclesiais de Base (p. 31-34); o compromisso laical com a sociedade e a Igreja (p. 34-37); a vida religiosa inserida no meio dos pobres (p. 37-39); o martírio (p. 39-42); a Teologia da Libertação (p. 42). Tudo isso, leva-nos a reconhecer que Deus passou pela América Latina e o Espírito Santo irrompeu neste continente de modo extraordinário (p. 42-45). A “ação do Espírito na América Latina nestes anos estelares nos dá uma chave muito luminosa para ler de forma unitária e coerente a ação do Espírito em toda a história da salvação, na Escritura, na história da Igreja e do mundo” (p. 44).

No segundo capítulo: Releitura bíblica a partir da base (p. 47-68) o autor busca reler a Escritura a partir da chave hermenêutica latino-americana, ou seja, a partir dos pobres, de baixo, dos últimos da perspectiva da justiça. Apoiando-se em estudos já realizados por especialistas destaca-se uma série de elementos esquecidos nas leituras bíblicas comuns. Neste capítulo limita-se a destacar três dimensões do Espírito que aparecem na Escritura quando lida a partir da base:

1) o Espírito de justiça (p. 47-53): o autor mostra como o termo justiça entendido corretamente no sentido bíblico como justiça escatológica que Deus quer estabelecer com a humanidade criando relações justas entre os seres humanos é algo que unifica com grande coerência todo o Antigo e Novo Testamento, pois o Espírito, desde o Antigo Testamento, age em favor da justiça entre os seres humanos como antecipação da justiça escatológica do Reino de Deus. O que os profetas anunciaram, movidos pelo Espírito se realiza em Jesus, cheio do Espírito no Batismo; o Espírito que os discípulos recebem depois da Páscoa-Pentecostes capacita-os e lhes dá forças para continuar o projeto de Jesus de anunciar a Boa-Nova aos pobres, libertar os cativos e dar visão aos cegos neste tempo de graça. Os cristãos, ungidos pelo mesmo Espírito de Jesus, passam por este mundo fazendo e bem e libertando as vítimas do mal;

2) O Espírito, alento de vida em situações de caos e de morte (p. 53-62): pertence à tradição eclesial relacionar o Espírito com a vida. O que a chave hermenêutica a partir da América Latina pode trazer como contribuição é indicar que esta vida surge ao rés do chão, ou seja, do caos inicial, do não ser, da debilidade e, em última instância, da morte. Esta dimensão vivificante do Espírito acrescenta ao Espírito de justiça a explicitação de que esta justiça é criadora de vida plena;

3) Pai-mãe dos pobres (p. 62-66): na América Latina a predileção paterno-maternal pelos pobres se manifesta na religiosidade popular, que reflete a sede de Deus dos pobres e simples e nas comunidades de base e grupos bíblicos que leem as Escrituras a partir de seu contexto popular.

No terceiro capítulo, o autor, apresenta alguns traços e tendências da pneumatologia patrística e pergunta-nos se havia nesta teologia do Espírito alguma relação com os pobres e a justiça, que se aproxime da chave hermenêutica latino-americana (p. 69-88). Mostra que falta nos Padres da Igreja uma reflexão explícita sobre a relação entre Espírito e criação, entre Espírito e defesa da vida, entre Espírito e justiça, entre Espírito e história, entre Espírito e uma Igreja que é comunidade solidária com os pobres. A pneumatologia é mais teológica (intratrinitária) do que econômica (ou seja, inclinada para a vida e para a história).

No quarto capítulo o autor faz uma releitura da tradição cristã ocidental (p. 89-119). Parte da seguinte questão: como ler e interpretar, a partir da chave latino-americana dos pobres, a tradição espiritual da Igreja latina ocidental, sua pneumatologia e sua práxis cristã, concretamente, desde a época primitivo-patrística até o Vaticano II? Fazendo um amplo percurso pela Igreja da cristandade ocidental mostra que na teologia da cristandade medieval latina, o Espírito fica limitado às especulações agostinianas da vida trinitária ad intra e que, na ação do Espírito na economia da salvação (Trindade ad extra), fica reduzido à hierarquia e à intimidade com os cristãos, principalmente dos místicos (p. 91-96).

Num segundo momento, o autor destaca o polo profético do Espírito na Igreja de cristandade latino medieval: cátaros, albigenses, pobres de Deus, humilhados, valdenses, begardos e beguinas, mendicantes, franciscanos, dominicanos irrompem a partir de baixo, em um momento em que a Igreja institucional viveu o apogeu da teocracia pontifícia, que culmina com Inocêncio III. Fica claro através do polo profético que o Espírito age na história, ordinariamente, a partir da base, dos pobres, e em função deles provê a justiça e a igualdade; porém, ao mesmo tempo evidencia-se que é necessário fazer um discernimento para captar realmente o Espírito de Jesus à luz do Evangelho, sem deixar-se deslumbrar nem enganar por ideologias estranhas: em Jesus, em sua cruz e em sua Igreja, discernem-se os espíritos (p. 96-100).

A Reforma conhece a importância do Espírito na experiência espiritual dos fiéis, inclusive dos movimentos sociais. Já a Contrarreforma, ligada a Trento e com, uma apologética antiprotestante, insistirá na estreita relação entre Espírito e tradição eclesial, Espírito e magistério, Espírito e hierarquia, Espírito e sacramentos, Espírito e obras do cristão. Neste clima antiprotestante o aspecto institucional e eclesiástico é mais valorizado do que a dimensão pneumática da fé e da Igreja (cf. p. 100-105). O preço de não auscultar nem discernir os sinais dos tempos se paga sempre muito caro e levará muito tempo para recuperar novamente as posturas mais atentas a uma pneumologia evangélica.

No entanto, junto com e diante dessa teologia e dessa eclesiologia tão rígidas e tão pouco pneumatológicas, aparece certo polo profético na base eclesial, que, embora em seu tempo não tenha sido suficientemente valorizado, depois de certo período exercerá influência positiva em toda a Igreja (cf. p. 105-111). Os vazios do Espírito na Igreja ocidental latina foram preenchidos com alguns sucedâneos: a eucaristia (p. 111-112); o papa (p. 112-113) e a Virgem Maria (p. 114-117).

No quinto capítulo, o autor, ocupa-se com a pneumatologia da Igreja oriental (p. 121-141). Concentrando-se em alguns autores orientais dos séculos XX e XXI mostra que a mentalidade teológica oriental é a mais próxima das origens da fé cristã. Entre os diferentes pontos de vista dos autores orientais existe em todos eles certa visão convergente e unitária em relação a pneumatologia.

Codina traz na primeira parte deste capítulo a visão trinitária ocidental (p. 122-127) mostrando que no Ocidente, o Espírito não é simplesmente o laço de união entre o Pai e o Filho, nem um terceiro termo trinitário, uma espécie de apêndice estéril para a Trindade, mas algo fundamental para a vida pessoal da Igreja. O Espírito Santo é o doador da vida (p. 127-133). Evidenciando que a Igreja e a teologia do Oriente foram mais sensíveis ao tema do Espírito do que a Igreja latina, essa maior sensibilidade, que radica em uma diferente visão trinitária, manifesta-se em toda a teologia: antropologia, cristologia, eclesiologia, teologia sacramental, espiritualidade, escatologia, etc – contudo, as consequências dessa pneumatologia que se manifestaram nos níveis pessoais e eclesiais muitas vezes ficaram mais ligados à liturgia que à história (cf. p. 133-141).

No sexto capítulo, o autor, aproxima-nos da pneumatologia do Vaticano II (p. 143-167). Entende o concílio como um evento “pneumático” (p. 143), inconcebível sem que se leve em conta uma série de movimentos teológicos que, desde meados do século XX, floresceram na Igreja e fecundaram o terreno para o concílio (p., 144-146). Todos estes movimentos teológicos e pastorais suscitados pelo Espírito a partir da base da Igreja, não se teriam cristalizado sem João XXIII – um homem suscitado pelo Espírito (p. 147-151).

Esse Concílio desenvolveu um clima de renovação para a Igreja e no tocante a pneumatologia dos documentos conciliares – “mostra-se principalmente na mudança de modelo e de estilo eclesial que se perfila; um estilo mais próximo das origens e mais sensível e aberto aos desafios de nosso tempo: passa-se de uma Igreja juridicista e de sociedade perfeita para uma Igreja mistério de comunhão radicada na Trindade; de uma Igreja triunfalista para uma Igreja que caminha com todo o povo rumo à escatologia e ao Reino; de uma Igreja clerical e discriminadora dos leigos para uma Igreja toda ela povo messiânico e sacerdotal de Deus; de uma Igreja arca de salvação para uma Igreja corresponsável e sinodal; de uma Igreja senhora, mãe e mestra para uma Igreja servidora; de uma Igreja à margem do mundo e contra ele para uma Igreja no mundo e em diálogo com a modernidade; de uma Igreja fixista para uma Igreja que reconhece as mudanças da história, da sociedade e dela mesma etc” (p. 153). Diante disso, o autor, pergunta-se se a pneumatologia católica e protestante que surge em torno ao Vaticano II são sensíveis à ação do Espírito a partir da base, da margem e dos pobres? (p. 156-159).

Diante de várias abordagens teológicas sobre o Espírito - crê que: “não seja exagerado afirmar que não existe uma abordagem real entre pneumatologia e os pobres; não aparece uma reflexão séria sobre como o Espírito age a partir da base da Igreja e da sociedade; não há uma leitura dos sinais dos tempos como sinais da presença do Espírito na história” (p. 158). Por isso, Codina diz que entre a pneumatologia e os pobres houve mais paralelismo do que convergência (p. 159-160) e, ante o silêncio da teologia oficial sobre o Espírito e os pobres, surgiram, desde a base eclesial e social de diversos lugares e continentes, alguns movimentos que reivindicaram fortemente a dimensão do Espírito como o movimento pentecostal evangélico (p. 160163); a Renovação carismática católica (p. 163-165) e a New Age (p. 165-166). Estes movimentos trazem um questionamento: que temos feito do Espírito de Jesus em nossa vida, em nossa teologia, em nossa Igreja? (p. 167-168).

No sétimo capítulo – Teologia da Libertação e pneumatologia, busca responder a seguinte pergunta: a teologia latino-americana libertadora, muito sensível ao Jesus histórico e à opção pelos pobres, integrou suficientemente a dimensão dos pobres com a pneumatologia? (p. 169-205). O autor esclarece que “não se pode compreender a gênese desta teologia à margem do contexto sócio histórico e eclesial que a viu nascer, pois, a falta de localização desta teologia em seu contexto tem prestado a muitas falsas interpretações, mal-entendidos e controvérsias” (p. 170). Propõe, por isso, uma gênese histórica desta teologia, desde seus tímidos inícios até sua consolidação em meio a conflitos: a) 1959-1968: busca de progresso (p. 170-171); b) 1968-1971: formulação – dependência e libertação (p. 171-173); c) 1972-1976: teologia no exílio e o cativeiro (p. 173-174); d) 1977-1988: crescimento em meio a dificuldades (p. 174-176). Em seguida, apresenta os conteúdos fundamentais da teologia da libertação: leitura popular da Bíblia, cristologia, mariologia, eclesiologia, história da Igreja, antropologia teológica, teologia trinitária, religiosidade popular, espiritualidade libertadora (p. 177-179).

Em relação à pneumatologia em chave teológica libertadora: “em primeiro lugar é preciso afirmar que a teologia da libertação nasce de uma experiência espiritual ligada à opção pelos pobres e pela justiça; que as experiências cristãs que estão na base do projeto libertador são experiências do Espírito; que o Espírito é aquele que faz nascer a Igreja a partir do povo; aquele que anima as comunidades eclesiais de base, que possibilita seguir Jesus até o martírio, que anima a fé do povo pobre e sua luta cotidiana por um mundo mais justo, o que alimenta as opções da vida religiosa inserida, os compromissos dos leigos e mulheres por seu povo, a ação pastoral dos grandes pastores e bispos latino-americanos a serviço dos mais pobres, o martírio. Nesse sentido, a libertação é libertação com Espírito” (p. 178-179).

O novo contexto socioeclesial (p. 179-184) e a nova situação teológica na América Latina (p. 184-205) possibilitaram uma reflexão teológica explícita sobre o Espírito na teologia da libertação, no entanto “não suficientemente tematizada em uma pneumatologia reflexiva e sistemática” (p. 196). O esforço do aprofundamento da pneumatologia “está em processo de dar maiores frutos” (p. 204), pois, é uma penumatologia “ligada aos pobres, aos excluídos, é uma pneumologia que nasce da base, ao rés do chão, entre as dores de parto, em meio aos gemidos da criação e do povo” (p. 205).

Por fim, no oitavo capítulo, o autor tira as consequências teológicas e pastorais da íntima relação entre a pneumatologia e os pobres da terra (p. 207-212). “De tudo isso se podem deduzir algumas consequências pastorais. É preciso partir da experiência espiritual da mistagogia, antes de iniciar a evangelização do kerigma e, evidentemente, antes da catequese. Esta experiência espiritual, leva necessariamente à opção pelos pobres e muitas vezes nasce do contato com eles. A mística converte-se em profecia em profecia e em práxis libertadora. Não se pode falar de Cristo sem falar dos pobres. É necessário levar a sério o que aos pobres foram revelados os mistérios do Reino e a partir do potencial evangelizador dos pobres. Assim surgirá uma teologia mais narrativa do que dogmática e racional, mais simbólica, contemplativa e cósmica do que dialética; uma cristologia de Jesus de Nazaré ungido pelo Espírito; uma Igreja nazarena pobre e a partir dos pobres, em continuidade com o Espírito de Jesus, que caminha conjuntamente com outros e direção ao Reino, pela força do Espírito; uma teologia sacramental a partir dos sacramentais (sacramentos dos pobres), da fé do povo (fides qua) como base para a fé do Credo (fides quae)” (p. 211).

***

A Teologia do Espírito é uma temática nova na tradição teológica ocidental. Sabemos que durante o século XX, a importância dada ao Espírito Santo chegou ao ponto mais alto da reflexão teológica no Ocidente, não somente no domínio trinitário, mas também no pleno eclesial, dos sacramentos e da liturgia. Diante da urgência de elaborar uma pneumatologia latino-americana e de continuar aprofundando-a - temos em mãos um excelente livro de Víctor Codina a este respeito. Mais uma contribuição dele à pneumatologia latino-americana. Este escrito completa outros escritos do referido autor sobre a temática. No Brasil, o leitor pode consultar outras obras: “Não extingais o Espírito” (1 Ts 5,19). Iniciação à Pneumatologia (Paulinas, 2010) e Espírito Santo (Paulinas, 2018). Enriquecerá o aprofundamento desta questão a leitura de outro importantes teólogos latino-americanos, como por exemplo, Gustavo Gutiérrez (Beber em seu próprio poço), Jon Sobrino (Espiritualidade seguimento de Jesus), José Comblin (o teólogo mais destacado nesta área. Ele inovou na reflexão sobre o Espírito Santo: o tempo da ação: ensaio sobre o Espirito e a história, a força da Palavra, o Espírito Santo e a Libertação, Vocação para a liberdade, O povo de Deus, o Espirito Santo e a tradição de Jesus), Leonardo Boff (o Espírito Santo. Fogo interior, doador de vida e Pai dos pobres). Cada um destes autores ajudou a esboçar uma pneumatologia libertadora.

Especificamente em Codina, não estamos diante de uma pneumatologia essencialista, abstrata, neutra ou a-histórica, intimista, mas de uma pneumatologia profética, uma pneumatologia desde baixo, a partir dos pobres. Não é, portanto, a reflexão de um “teólogo de gabinete”. O texto agora publicado reflete a experiência de alguém que deve muito à Igreja oriental (a clássica censura, sempre feita pelo Oriente, de que o Ocidente esquece o Espírito Santo, fez que este último tivesse uma reação profunda) e do contexto onde vive (concretamente a Bolívia) - o ajudaram a aprofundar a experiência cristã descobrindo desta forma novas dimensões da teologia do Espírito antes desconhecidas.

Um texto inspirador. A leitura desta obra se faz proveitosa à medida que em que se se conecte com a recepção do Concílio Vaticano II e a tradição libertadora da Igreja na América Latina. Essa recepção só será plena na medida em que recuperar desde baixo, a vivência e a teologia do Espírito. Eis o valor desta obra!

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